Benfica x Vitória de Setúbal: Samba das águias de volta à liderança

No fecho da jornada 30 do campeonato, as águias bateram o Vitória de Setúbal no Estádio da Luz. Os homens golo foram os brasileiros Jonas e Jardel, que contribuíram para a conquista dos 3 pontos depois do golo precoce de André Claro.

Benfica x Vitória de Setúbal: Samba das águias de volta à liderança
O Benfica venceu mais um desafio, voltando ao primeiro lugar // Foto: Facebook do SL Benfica

Na noite desta segunda-feira, Benfica e Vitória de Setúbal entraram em campo com a luta pela vitória no horizonte. Com o Campeonato quase no fim todos os pontos são cruciais, e foram mesmo os encarnados que somaram mais 3 pontos à sua classificação. O golo de André Claro ainda assustou as águias, mas Jonas e Jardel souberam ser eficazes e carimbaram mais uma vitória das águias, crucial para a luta pelo tri-campeonato.

1ª parte: golo precoce não desanimou a águia

O jogo não começou, certamente, como os quase 55 mil adeptos esperavam. O regresso de Nico Gaitán e Mitroglou ao 11 inicial foi um sinal positivo, contudo nem 15 segundos passaram e o Benfica já se via em desvantagem: o pontapé de saída foi do Vitória, que não hesitou em aproveitar a auto-estrada que a defesa do Benfica abriu para marcar o primeiro da partida. Foi Gorupec quem teve a astúcia, cruzando depois para André Claro que, no segundo poste, não encontrou oposição, furando as redes de Ederson. Uma jogada tão rápida que contou o golo aos 13 segundos, perante uma defesa do Benfica que nem teve reação. 

Apesar do golo inesperado, o Benfica pegou em toda a sua garra e partiu para o ataque, dominando por completo a primeira parte da partida. Lindelof e Eliseu não pareciam nos seus melhores dias, mas o Benfica arranjava sempre boas investidas ofensivas, com Nélson Semedo,  Pizzi e Gaitán em destaque na construção dos ataques encarnados. Contudo, na zona de finalização faltava sempre o toque final para o empate. Nesta missão encarnada, destaque para Ricardo, o principal opositor que muito fez os benfiquistas sofrer. Logo aos 4 minutos Pizzi servia Jonas, mas Venâncio foi a tempo de desviar. Era o primeiro aviso mais perigoso, que não demorou a dar frutos: na jogada seguinte Jonas mandou a bola para o fundo das redes, mas a bandeirola estava no ar a assinalar o fora de jogo. 

As águias estiveram em destaque na primeira parte // Foto: Facebook do SL Benfica
As águias estiveram em destaque na primeira parte // Foto: Facebook do SL Benfica

O Benfica dominava completamente a partida, e foi aos 8 minutos que surgiu a primeira oportunidade clara de golo: o regressado Nico Gaitán cruzou para o também regressado Mitroglou, que fez um cabeceamento de primeira. A bola passou, contudo, a centímetros do poste, ditando que a equipa da casa continuasse em desvantagem. Ainda assim as águias não desistiram, continuando na procura do golo. Ricardo era o herói máximo a impedir o empate, como aconteceu perto do quarto de hora numa jogada que podia ter dado golo: na sequência de um canto, o grego Mitroglou tentou o golo, mas o guardião soube ser eficiente e cortou a bola. 

A supremacia do Benfica era evidente perante um Vitória que quase não atacava, jogando com as linhas baixas e fazendo poucas incursões ofensivas. Ainda assim, André Claro, herói dos sadinos no ataque, ainda esteve perto do segundo, aos 15' - Pizzi perdeu a bola de forma infantil e Ruca foi eficiente a cruzar para o avançado luso, que só não marcou por centímetros. Era um aviso de que o Benfica tinha que marcar, e assim foi: quem melhor que o homem-golo Jonas para pôr os adeptos ao rubro? Aos 19 minutos, eis que Eliseu conseguiu cruzar para Gaitán, que deu um leve toque com a cabeça que acabou direitinho nos pés de Jonas, que só teve de encostar para o 31º golo no campeonato.

Jonas marcou o seu 31º golo no campeonato // Foto: Facebook do SL Benfica
Jonas marcou o seu 31º golo no campeonato // Foto: Facebook do SL Benfica

O golo só pareceu dar mais embalo ao Benfica, que não demorou a festejar de novo: 5 minutos depois, eis que foi o nome de Jardel que se ouviu nas bancadas da Luz. As águias ganharam um canto, na qual Nico foi cobrar. Na área foi Jardel que apareceu e, com a cabeça, marcou o 2º da partida. Este golo resultou numa quebra ligeira do ritmo de jogo, uma vez que os encarnados baixaram a pressão ofensiva intensa que vinham a realizar sobre o Setúbal. Apesar de os sadinos terem mais espaço foi mesmo o Benfica que esteve mais perto de marcar, capaz de criar mais perigo.

No final dos 45 minutos iniciais, o resultado era completamente justo. O último reduto da Luz soube causar pressão e dominou o primeiro bloco de jogo por completo, com os 2 golos a expressarem bem o que se passou ofensivamente. 

2ª parte: sofrer para vencer

O cenário da 2ª parte foi completamente distinto daquele que marcou o primeiro bloco de jogo. O Benfica ofensivo, pressionante, que procurava a vitória já não aparecia em campo, substituído por uma equipa resignada com o resultado e com muitas falhas incompreensíveis. O Setúbal estava superior, em grande parte devido aos espaços que os encarnados deixavam abertos, mas mesmo assim as jogadas ofensivas não tinham o perigo necessário para chegar ao empate, quase nunca obrigando a que Ederson tivesse que se aplicar. Mitroglou falhou o passe de Jonas aos 47',  e 8 minutos depois era Jardel a desviar um bom remate de Arnold. As oportunidades eram escassas, e o jogo passou por uma fase mais morna.

Aos 60 minutos o Vitória esteve perto do empate, por duas ocasiões: primeiro, André Claro criou uma boa oportunidade, mas faltou o ângulo para concretizar; depois, Ederson foi obrigado a esforçar-se, quando Nélson Semedo não conseguiu parar Ruca, que rematou com perigo para o guardião das águias fazer uma defesa difícil. O Benfica começava a ficar em sentido e Rui Vitória fez entrar Carcela para o lugar de Nico Gaitán, para dar velocidade e imprevisibilidade à partida. O objetivo não foi bem alcançado, e nem as entradas de Jiménez e Samaris contribuíram para isso. 

Foto: Facebook do SL Benfica
Foto: Facebook do SL Benfica

De facto, foi Jardel quem esteve, do lado das águias, mais próximo de chegar ao 3º, aos 76', cabeceando forte na sequência de um canto, mas muito acima do desejado. Desde aí, e até ao minuto 90, não se registaram oportunidades relevantes, mas os adeptos benfiquistas sofriam perante um Vitória de Setúbal que, contra todas as expetativas, criava dificuldades ao clube da Luz. Os 4 minutos de compensação ainda ditavam algum sofrimento para as águias, com os sadinos especialmente perto do empate: Pizzi perdeu a bola de uma forma que não se desculpa, sobrando o esférico para Arnold. O jogador estava quase isolado e obrigou a um movimento arriscado de Ederson, que deixou as redes da sua baliza para afastar a bola. A bola sobrou de novo para o Setúbal, num remate que saiu ao lado, para alívio dos benfiquistas.

A partida acabou mesmo com o 2-1 conseguido aos 24 minutos, num resultado que poderia ter sido outro. Não será justo dizer que o Benfica não merecia ganhar, mas olhando para o global da 2ª parte torna-se difícil encontrar a garra encarnada que se observou nos primeiros 45 minutos, e que fazia dizer claramente quem merecia vencer. 

Com esta partida o Benfica recupera a liderança, perdida temporariamente para o Sporting, contando com 76 pontos somados. O Vitória, por sua vez, ocupa a 13ª posição, com 29 pontos, em igualdade pontual com o Moreirense. 

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