Jardel, o goleador que vem de trás

A eficácia goleadora e a regularidade com que Jardel marca nos grandes momentos começam a ser tão respeitáveis quanto o pecúlio de títulos já conquistados ao serviço do Benfica.

Jardel, o goleador que vem de trás
Jardel, o goleador que vem de trás

Habitualmente cada clube possui o seu talismã, aquele futebolista que de uma forma algo ilógica e contra as expectativas está ligado aos grandes momentos de sucesso, a grande maioria ou até todos eles. Para sua felicidade, o Benfica tem esse jogador na sua equipa titular e chama pelo nome de Jardel - um nome que parece destinado a goleadores e que neste caso até foi atribuído a um central com tendência para o golo.

Esta última 6ª feira acabou por ser a continuação de uma história que assemelha a um conto de fadas para Jardel Vieira, a sua especialidade para aparecer nos momentos mais importantes a contribuir para a equipa com golos decisivos enquanto cumpre com mestria a sua função de evitar que o adversário alveje com sucesso a baliza benfiquista. Neste caso, o golo do brasileiro valeu mais três pontos e a ira do sempre emocional Sérgio Conceição, treinador do V. Guimarães.

Antes disso, já Jardel tinha sido uma vez mais decisivo ao apontar - e novamente de cabeça - um golo, como não poderia deixar de ser, decisivo para levar de vencida um Vitória Setúbal que dificilmente poderia ter feito mais, de acordo com a sua capacidade, para evitar que o Benfica levasse de vencida mais um jogo.

Com uma verdadeira «cimeira madeirense» pela frente, na qual o Benfica enfrentará o Marítimo (este adversário por duas vezes - a próxima jornada da Liga NOS e a final da Taça CTT) e Nacional, a veia goleadora do defesa encarnado, esta época personificado como verdadeiro patrão do sector mais recuado das águias, deixa antever grandes esperanças para os ainda bicampeões nacionais em título.

Central habituado a defraudar o Sporting e os seus bem conhecidos que o comandam

Deve acrescentar-se que esta veia goleadora de Jardel não «nasceu» agora e já se manifestava aquando da sua chegada a Portugal em 2009/2010 para reforçar o Estoril, então na II Liga, para formar dupla de centrais com… Marco Silva, antes de sequer sonhar que em 2014/2015 ambos se defrontariam, o brasileiro como titular indiscutível da águia e o português como treinador principal do Sporting.

Não deixa de ser curioso como o percurso de Jardel e Marco Silva acabou por ser tão directamente ligado, muito devido ao facto de o actual 33 do Benfica ter na época passada apontado nos últimos instantes de um intenso derby em Alvalade um golo determinante para que lhe valesse a conquista de mais uma Liga a juntar a um currículo que começa a ser bem respeitável.

Ao mesmo tempo, esse mesmo golo de Jardel contribuiu para que o percurso de Marco ao comando do Sporting «apenas» tenha resultado na conquista de uma Taça de Portugal, assim como o actual treinador do grande rival do Benfica que o defensor tão bem representa, Jorge Jesus, pôde somar a conquista de mais uma Liga, a terceira do seu pecúlio.

Foi, aliás, com Jesus que Jardel atravessou um processo de transformação que o tornou praticamente intransponível para qualquer rival organizado em contra-ataque. E uma vez mais, tal como «tramou» o antigo companheiro Marco Silva, o defesa central poderá ter marcado um dos golos que poderá não só valer-lhe mais um título como contribuir para mais um insucesso para um homem com quem trabalhou apesar do atractivo futebol praticado pelo Sporting.

Facto de nunca ter sido equacionado para a selecção do Brasil causa estranheza

Estranhamente, a excelente capacidade demonstrada pelo central nestas épocas de Benfica não cativaram a atenção de Carlos Dunga, seleccionador do Brasil, uma selecção que nunca falhou um Mundial mas que está em risco de o fazer desta vez e que bem precisaria de um central de créditos firmados.

Alheio a tudo isso, o Benfica continua a aproveitar com todo o gosto um futebolista actualmente intocável na sua equipa titular, que tem contribuído bastante para o actual estatuto de principal representante de Portugal nas competições internacionais e que para cúmulo possui uma eficácia concretizadora de fazer inveja a muitos dos avançados que em tempos recentes passaram pelo clube

Atente-se ao caso de Jonathan Rodríguez, que por exemplo não foi capaz de marcar sequer um golo na equipa principal para além dos seis tentos em cinco encontros que apontou ao serviço da equipa B. Quanto não daria o uruguaio para ter tido um pecúlio semelhante ao de Jardel, um central que parece ter herdado a competência a finalizar a partir do seu próprio nome internacionalmente dado a conhecer pelo compatriota Mário Jardel?

Graças a essa garantia extra de golos e em especial quando os momentos são mesmo de máxima exigência, o Benfica mantém-se em situação privilegiada na sua luta a pulso com o Sporting pela conquista de novo título nacional. Alguém estranharia que o central goleador voltasse a atacar?

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