Como desregular o relógio suiço

O campeão europeu começa a sua campanha de apuramento para o Mundial da Rússia com uma deslocação à Suiça, o jogo previsivelmente mais difícil do grupo. Fernando Santos já garantiu que o objetivo é o apuramento direto com a vitória no grupo B e um mau começo para a seleção nacional perante o mais direto candidato à vitória do grupo põe esse objetivo claramente em risco.

Como desregular o relógio suiço
Como desregular o relógio suiço

O exercício de passar uma vista de olhos pelo grupo B de apuramento para o Mundial de 2018, seguido de uma consulta ao ranking da FIFA de seleções leva qualquer um a crer que Portugal é um favorito claro à vitória do grupoSuiça e Hungria discutiriam o segundo lugar e as restantes equipas (Ihas Faroé, Letónia e Andorra) só serviam para completar calendário e incomodar os clubes (esta última parte é, indiscutivelmente, verdade). 

Portugal ocupa o sexto lugar, a Suiça o décimo oitavo e a Hungria o décimo nono... Para a VAVEL estes dados são um pouco enganadores. Os helvéticos têm individualidades muito melhores que a Hungria e um papel muito mais relevante no futebol europeu. Apesar da Hungria ter sido muito boa surpresa no último europeu, a verdade é que provavelmente só lá chegou devido à alteração do modelo da competição. A qualidade da Suiça aproxima-a mais de Portugal e menos da Hungria e acreditamos que, em vez de um passeio para Portugal, neste grupo assistir-se-á a uma corrida a dois entre portugueses e suiços pelo primeiro lugar, com a Hungria a ser a única equipa com capacidade de incomodar os dois conjuntos mais fortes e intrometer-se na luta pela qualificação.

Assim, o primeiro jogo desta fase de apuramento é, em teoria, o mais difícil (e talvez decisivo) de todos para Portugal. Se é verdade que Portugal tem de entrar para ganhar em qualquer jogo, não é menos verdade que uma vitória neste jogo não é uma vitória qualquer. Esta é uma grande oportunidade para o campeão europeu dar um grande golpe no seu mais direto adversário, a oportunidade de «despachar a fava» e de olhar para o resto da qualificação com mais tranquilidade.

Para a VAVEL não é fácil antecipar o 11 escalado por Fernando Santos para esta «final». A equipa que se sagrou campeã europeia a jogar num 4-4-2 com quatro médios a toda a largura com caraterísticas que, teoricamente, pressupoem jogo interior (João Mário, Renato, William e Adrien) e dois avançados móveis (Ronaldo e Nani), apresentou-se, no Bessa, um pouco mais próxima do 4-3-3. Acreditamos que a matriz de jogo da seleção só será idêntica com uma aposta numa dupla atacante composta por Nani e Quaresma, os dois jogadores que garantem uma dupla que não se dá à marcação e que a qualquer momento pode "tirar um coelho da cartola", foi esta fórmula que nos deu o Campeonato da Europa. Frente a um meio campo suiço particularmente forte fisicamente e rápido nas saídas (Dzemaili, Xakha e Berhami), um recurso ao tal quarteto de médios-centro pode dar a Portugal a conquista do meio-campo que será tão importante, é aqui que reside a maior força do adversário.

A VAVEL acredita que Fernando Santos, na defesa promoverá os regressos de Fonte, Cédric e Raphaël, que tão decisivos foram em França. Portugal deve jogar com: Rui Patrício; Cédric, José Fonte, Pepe e Raphaël Guerreiro; William, Adrien, Moutinho e João Mário; Nani e Ronaldo.

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