Arouca vs Benfica: horas extra por demérito próprio

Se o segundo golo parecia ter resolvido o encontro favoravelmente para o Benfica, uma inesperada desorganização após o golo do Arouca, a juntar a muita desinspiração encarnada a finalizar, ainda trouxeram incerteza ao resultado.

Arouca vs Benfica: horas extra por demérito próprio
Benfica vence e é líder à condição.

Há momentos nos quais não existem alturas indicadas para se jogar: mais vale, na verdade, aceitar o que o calendário oferece. Para o Benfica, a deslocação a Arouca para defrontar a equipa local surgia numa noite de sexta-feira em que surgia afectado pela pausa para o compromisso das selecções nacionais que não apenas levou a que se lesionassem os dois atacantes que se encontravam aptos fisicamente, Jiménez e Mitroglou, quando no Caixa Futebol Campus ficaram afastados Jonas e Luka Jovic, sem contar com vários outros elementos que regressaram claramente afectados pelo desgaste.

Pouco depois, logo na terça-feira seguinte, tem início a Liga dos Campeões e uma exigente recepção ao Besiktas. Como tal, foi com naturalidade que Rui Vitória encarou com todo o respeito o emblema arouquense no discurso que antecedeu a partida, ciente de que o mínimo deslize poderia resultar numa proibida perda de pontos, pelo que sem surpresa os tricampeões nacionais entraram fortes e deixando bem clara a intenção de chegar o mais cedo possível ao golo como na realidade acabou por suceder.

Com efeito, ao minuto 16 uma junção entre a atrapalhação de Hugo Basto e Nuno Coelho junto à saída do guarda-redes Rafael Bracalli e a persistência de Nélson Semedo, com os dois defensores do Arouca a procurarem ambos afastar o esférico e a atirarem contra o lateral encarnado que pressionou até à grande área onde o lance parecia controlado pelo Arouca.

Segundo golo benfiquista parecia ter deixado tudo resolvido

Puro engano, a bola embatida em Semedo iria mesmo anichar-se no fundo das redes e criar o 1-0 para os encarnados sobre um visitante que os derrotou na época passada e ainda venceu no Dragão em desafio muito protestado pelo FC Porto. A partir daí, um verdadeiro ‘hino’ à ineficácia com o Benfica a dever apenas ao seu desacerto o facto de ter atingido o intervalo com apenas um golo de vantagem, o acima descrito tento às três tabelas dividido entre Hugo Basto e Nélson Semedo que colocava o Arouca em desvantagem, mas não o ’matava’.

Já na época passada a equipa sediada na vila de Arouca havia deixado mostras do perigo que acarreta sempre que lhe foi permitido sonhar, o que era visto com seriedade por parte da águia que não parava de carregar e chegaria ao segundo golo aos 52 minutos através de um pontapé de canto cobrado por Alex Grimaldo de pé esquerdo para a pequena área, onde Lisandro Lopez se aproveitou da deficiente marcação que lhe era movida (e mal dividida) entre Nuno Coelho e André Santos para cabecear com toda a facilidade.

O Benfica, que estreava Rafa ao fim de apenas dois treinos e um enorme enredo que chegou a envolver um comunicado lançado pelo Sp. Braga até finalmente se consumar a sua transferência, controlava por completo a partida, com um resultado que começava a parecer confortável numa partida sem casos de arbitragem… até que aos 57, apenas 2 minutos após a sua entrada em campo, Walter Gonzalez reduziu para o Arouca e nesse momento, de forma pouco expectável, quase revolucionou todo o jogo.

No entanto, inesperada desorganização da águia ainda ofereceu interesse ao desafio

O 1-2, apontado pelo ponta-de-lança paraguaio num indefensável golpe de cabeça conseguido numa impulsão na qual não encontrou oposição de Nélson Semedo, o defensor que mais se aproximava da sua acção, em resposta a um cruzamento picado de Zequinha (correu quilómetros, não só a atacar como lhe pedia como também em auxílio à sua defesa), estranhamente incomodou o Benfica que se desorganizou por completo.

De imediato o tricampeão perdeu um controlo que parecia garantido desde início e sem razão aparente - nem sequer terá de se deslocar na 1ª jornada da Champions, a meio da semana. Desta forma, o Benfica foi obrigado a algum sofrimento e a correr até aos instantes finais para segurar o triunfo final.

Tudo isto mercê da sua inoperância a finalizar depois de ter controlado por completo durante a 1ª parte e em muitos períodos da 2ª e não ter conseguido segurar e circular a bola como lhe competia antes e especialmente nos momentos imediatamente após o tento do Arouca. Ficou apenas o susto…