Águias desligaram o Dinamo: triunfo em Kiev dá alento na 'Champions'

O Benfica estava obrigado a ganhar para continuar na luta pela passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. As boas entradas nas duas partes valeram dois golos, vantagem que foi mantida com um bom pendor defensivo. Salvio e Cervi foram os marcadores dos golos.

Águias desligaram o Dinamo: triunfo em Kiev dá alento na 'Champions'
Foto: SL Benfica/ SL Benfica Facebook
Dinamo Kiev
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Benfica

Ontem, em Kiev, o Benfica estava obrigado a ganhar para não perder a hipótese de continuar a ser um pertinente candidato à passagem aos oitavos-de-final - um novo percalço não só seria desmoralizador como permitiria complicar, ainda mais, as contas do grupo. Com Luisão a comandar o sector defensivo (Ederson manteve a titularidade também) as Águias dispuseram-se num 4-4-2 com Pizzi e Fejsa no miolo, Salvio e Cervi nas alas e Guedes perto de Mitroglou. E foram as alas argentinas a balançar as redes ucranianas: os dois extremos levam já 2 golos em 3 partidas da 'Champions'.

Antevendo a perigosidade do extremo criativo Yarmolenko, o Benfica cedo tapou os caminhos do seu flanco esquerdo, com Grimaldo e Cervi a bloquearam os movimentos do capitão do Dinamo Kiev. Com uma boa manobra defensiva, os encarnados souberam, desde o arranque da partida, estancar o jogo ucraniano, obrigando a passes longos que, levavam, invariavelmente, à perda de bola do adversário. Incansável, Gonçalo Guedes foi um dos elementos mais activos na pressão ao portador da bola, forçando erros e recuperando a posse em zonas fulcrais do terreno.

Aos 9 minutos, o Benfica adiantava-se no marcador, após uma atrevida jogada do jovem português: após ganhar o flanco e perfurar a área do Dinamo Kiev, Guedes foi derrubado antes de executar a assistência para o miolo do rectângulo de rigor. Antunes derrubou o avançado e foi Salvio a encarregar-se da marcação da grande penalidade: Rudko foi traído pela calma do argentino, e o Benfica obtia, no frio de Kiev, um arranque encorajador. Só aos 25 minutos o Dinamo conseguiria perigar a baliza encarnada, por intermédio de um cabeceamento de Derlis González, que saiu por cima da barra.

Sólido no corredor central e atento nas alas, o Benfica controlava os ímpetos ucranianos sem acelerar, e, aos 32 minutos, criava, a partir do flanco direito, uma boa jogada de contra-ataque (Nélson Semedo na assistência) que Salvio, com um remate sem gás, viria a desperdiçar. A segunda parte imitou a primeira: uma entrada astuta e eficiente das Águias voltou a resultar em golo forasteiro - Pizzi descobriu Salvio, este ganhou a linha de cabeceira e centrou para o disparo de Cervi. Nem o bloqueio do atabalhoado (e desparecido em acção) Mitroglou impediu o 0-2, já que o pequeno argentino insistiu e, à segunda, concretizou.

O golo do Franco Cervi (o seu segundo na 'Champions') dava, aos 55 minutos de jogo, uma segurança elevada ao Benfica, que teria, agora, que gerir a vantagem. Seria de expectar uma reacção caseira forte, e, sem surpresa, ela chegou por banda dos dois jogadores mais afoitos do ataque ucraniano, Junior Moraes e Yarmolenko. Aos 60 minutos, o brasileiro ganhou o duelo de velocidade a Lindelof e, com Ederson pela frente, não foi capaz de bater o «keeper» compatriota. Quatro minutos depois foi o ucraniano a estar perto do golo, após centro vindo da faixa esquerda.

Ederson voltou a estar em evidência aos 66 minutos, naquele que foi o período de maior assédio ofensivo do Dinamo Kiev: Yarmolenko fugiu à marcação, entrou na área encarnada e rematou cruzado, forçando o guardião da Luz a uma salvífica defesa; na recarga de Sydorchuk, o jovem voltou a brilhar, mantendo as redes invioladas. Para dar maior combatividade à equipa, Rui Vitória lançou Raúl Jiménez para o lugar de um nulo Mitroglou (aos 71) e colocou Celis em campo (aos 83) para trancar o miolo, retirando Cervi. O último suspiro do Dinamo deu-se aos 86 minutos, com Grimaldo a interceptar 'in-extremis' o remate de Yarmolenko.

Com este triunfo, o Benfica recoloca-se na luta pela passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, depois de dois desaires: o empate gelado na Luz após tento vingador de Talisca e a derrota no San Paolo, contra um Nápoles, que, afinal, não terá o primeiro lugar garantido (após derrota em casa contra o Beskitas nesta terceira jornada). Na primeira vitória europeia da temporada, destaque para a exibição de Fejsa (pilar defensivo), para novo 'clean-sheet' da dupla Lindelof-Luisão e para os golos argentinos - Cervi e Salvio levam 2 golos na prova.