Quando o Dragão fez de Campanhã

Qualquer resultado que não a vitória poderia colocar em causa as aspirações do FC Porto em chegar à segunda fase da Liga dos Campeões; sem brilhantismo mas com segurança, os dragões venceram o Brugge por 1-0.

Quando o Dragão fez de Campanhã
Um golo chegou para derrotar os belgas

Por uma noite, o Estádio do Dragão assemelhou-se à Estação da Campanhã. Simples: ambos os edifícios situam-se na cidade do Porto e tal como a histórica estação da Invicta também a casa do FC Porto servia de «gare» para dois conjuntos que não podiam arriscar-se a perder o seu «comboio», leia-se vitória, sob pena de ver seriamente comprometidos os seus objectivos europeus.

Se o visitante oriundo da Bélgica, o Club Brugge, poderia de imediato ficar afastado das provas europeias em caso de derrota (mesmo o empate praticamente sentenciava as suas aspirações…), o dragão estava também em alerta. - tentativa de mostrar uma atitude bem diferente do ano passado no momento do último jogo europeu que havia decorrido precisamente no Dragão perante o Borussia de Dortmund (que curiosamente jogava à mesma hora frente a um dos rivais dos portistas, o Sporting). Nesse dia, via-se um dragão acanhado, amedrontado e já conformado.

Desvio acidental de Pina para a sua própria baliza marcou a diferença a favor do FC Porto

Ante o Brugge, o FC Porto tinha de ser bem diferente, sob pena de também em simultâneo se arriscar a ver eventualmente fugir os rivais directos Leicester e Copenhaga que se defrontavam na capital dinamarquesa, o que poderia colocar em causa o seu apuramento para a segunda fase da competição. No entanto, demorou a arrancar, tendo conseguido a sua primeira oportunidade flagrante apenas aos 34 num cruzamento de Alex Telles que se encaminhou para a trave das redes belgas que três minutos volvidos seriam agitadas com o primeiro golo azul-e-branco.

Mesmo sem cabecear na direcção da baliza, André Silva acabou por não poder queixar-se da sorte, atirando contra o espanhol Tomás Pina que inadvertidamente desviou o esférico para a própria baliza e assim «traiu» o seu guarda-redes, Ludovic Butelle, criando uma vantagem do FC Porto que não só chegava até intervalo como haveria de manter-se até ao apito final.

Desta forma, apesar de na etapa complementar nunca ter ultrapassado a barreira do satisfatório, os portistas venceram com segurança e parece afastada a imagem deixada antes do duplo compromisso com este Brugge, quando o FC Porto se mostrou pouco confiante e até submisso na primeira hora de jogo daquele que era o primeiro jogo da História do Leicester como visitado numa prova europeia. Com estes três pontos, pelo menos existe a garantia de continuar nas provas europeias a partir de Janeiro.