V. Setúbal x Benfica : Erro próprio, muita correria, pouco tino e um erro alheio

O Benfica foi a Setúbal, perdendo por 1-0 diante do Vitória. Um golo solitário de Zé Manel deu o triunfo aos sadinos, e a segunda derrota consecutiva dos encarnados. Com este resultado, o Benfica tem apenas um ponto de vantagem para o segundo classificado, FC Porto.

V. Setúbal x Benfica : Erro próprio, muita correria, pouco tino e um erro alheio
| Foto: MaisFutebol

Depois de um traumático desaire na Taça CTT frente ao Moreirense e numa fase complicada face aos problemas físicos que afectam muitos dos que alinham e que impedem vários outros de dar o seu contributo, certamente o Benfica não escolheria o Estádio do Bonfim como ‘ressaca’ - uma casa muito difícil e liderada por um Vitória aguerrido que semanas antes já havia feito tremer e até cair os restantes ‘grandes’ do futebol nacional.

Foto: LUSA

Para além das várias ausências em campo, o tricampeão não contava também… com o seu próprio treinador. Rui Vitória foi suspenso por 15 dias, o mesmo Vitória que em tempos havia afirmado que “os jovens jogadores do Benfica têm o potencial”, um potencial já demonstrado em tardes e noites anteriores mas que não ficou patenteado ao minuto 21 quando, num completo ‘brain freeze’ defensivo, que inclui, num primeiro momento, uma perda de bola de Victor Lindelof e em seguida a inércia da defesa encarnada para responder da melhor forma ao cruzamento tirado por Arnold Issoko

Benfica muito distante de outras noites de sucesso e magia

Arnold, recentemente criado lateral direito (uma ideia da autoria de José Couceiro), parece mesmo ter pernas para andar; nesse minuto 21, o congolês tirou um cruzamento milimétrico para a convicta entrada de cabeça de Zé Manuel que tirou também proveito da inércia de Lindelof, Luisão e Fejsa para abrir o marcador; o primeiro e único momento de desconcentração da defesa encarnada em todo o encontro…

Para desespero e decepção do Benfica, esse único momento foi o suficiente para que se criasse um dissabor uma vez que apesar de não mais o V. Setúbal ter sido capaz de criar lances de especial destaque, os encarnados revelaram-se precipitados, pouco frescos física e mentalmente e muito, muito longe das suas melhores noite, incluindo vários dos seus elementos que têm estado em foco desde o início da época como o lateral direito Nélson Semedo, normalmente uma eficiente arma de encarreiramento de futebol ofensivo.

Desta feita, um pouco à imagem de toda a equipa, Semedo não foi a habitual ’locomotiva’, tendo como a larga maioria dos seus companheiros produzido um futebol sôfrego e previsível que em nada se assemelha aos dias de sonho que este conjunto já viveu em grandes palcos de Liga dos Campeões, ficando apenas perto de evitar a derrota precisamente na última jogada do desafio, minuto 90+5, altura em que o juiz João Pinheiro não considerou faltoso o ’tackle’ do lateral esquerdo vitoriano Nuno Pinto sobre o suplente utilizado pelo Benfica, André Carrillo.

 

Penalty por assinalar nos minutos finais, idêntico a um outro que o Benfica teve assinalado na Taça

Lance que em tudo se assemelha a um lance há algumas semanas sancionado em favor também do Benfica, mais concretamente no Restelo, já nos minutos finais, numa eliminatória de Taça em que as águias golearam o Real SC que milita no CPP.

Nesse momento, o recentemente transferido Gonçalo Guedes (que muita falta fez esta noite em Setúbal…) foi impedido de jogar a bola num movimento de arrastamento sobre a linha final absolutamente idêntico ao que no Bonfim derrubou Carrillo segundos antes de João Pinheiro dar por terminada uma partida na qual retirando este lance que poderia ter resultado num salvador castigo máximo em último esforço o Benfica correu demais, pensou de menos e assim viu escapar três pontos que retiram conforto na sua posição de líder do Campeonato.   

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