Estoril 1-2 Benfica: Sobreviver para correr atrás

Adivinhava-se um confronto renhido entre a talentosa formação do Estoril e o Benfica, saído de uma ronda europeia calamitosa e necessitado de vencer para, pelo menos, manter a distância para Porto e Sporting no topo da classificação – renhido foi, sem dúvida, o duelo na Amoreira, com emoção e incerteza de mãos dadas até final. Quando, no meio da disputa o apito final soou no Estádio António Coimbra da Mota, o Benfica levava a melhor apesar das dificuldades sentidas: 1-2 na casa do oponente, vitória tangencial e suada num campo onde o campeão Porto perdera os seus primeiros e únicos pontos. Quando já se profetizava o fim da linha para Jesus, treinador sob o fogo cruzado da pressão mediática e refém dos maus resultados, Lima e Cardozo marcaram os golos que deram novo fôlego aos encarnados – a vitória de Domingo (06) impediu a derrocada da estrutura técnica do Benfica, que sobreviveu para voltar a lutar, com a missão de correr atrás do prejuízo.

Lima e a aversão à tranquilidade

Jesus voltou a apresentar o seu típico 4-2-4 mas incluiu uma surpresa no onze inicial: o surgimento de Rodrigo, afastado da equipa desde o «derby» de Alvalade, no lugar de Lima que por sua vez iria desempenhar o papel de Cardozo, sentado no banco de suplentes. Pretendendo obter maior profundidade e maior conjugação de movimentos de ruptura, Jesus deixou o paraguaio para segundas núpcias – e que jeito viria a dar o gigante guarani... – e viu Lima subir nas alturas, solto de marcação, para cabecear a bola endossada por Gaitán perante um Vagner desamparado: primeiro golo encarnado à passagem do minuto 10. Mas quem pensou que a partir daí o jogo tomaria um rumo fácil para os encarnados, estava rotundamente enganado. Com um meio-campo emperrado e inseguro na posse e circulação de bola, o Benfica nunca conseguiu dominar o ritmo da partida e foi, a espaços, tremendo com as iniciativas destemidas do jovem Sebá que, sempre que pôde, usou a sua velocidade para cair nas costas dos laterais encarnados.

O jogo pautou-se pelo equilíbrio, com o Estoril a escudar a sua defesa com a presença de um «duplo pivot» no meio-campo, composto por Gonçalo Santos e Filipe Gonçalves, ambos imcumbidos de obstruir a progressão do cérebro ofensivo encarnado e de manter a superioridade numérica no território defensivo dos «canarinhos» de Marco Silva. À frente destes estava Evandro, o goleador estorilista, com o dever de elaborar jogadas de ataque e de desequilibrar a dupla composta por Matic e Enzo, este último retornado ao posto de médio central.

Planos tácticos à parte, pouco foi conseguido pelo engenho das abordagens meticulosas: o duelo foi morno e só perto do intervalo atiçou: penalidade assinalada por mão na área estorilista e Lima, chamado a executar o castigo máximo, rematou para o lado pressentido pelo guardião Vagner. Grande parada do brasileiro, que adiava a sentença de morte e dava o mote para uma segunda parte mais emotiva.

Cardozo de nota artística não ia chegando

O melhor da partida estava guardado para a segunda metade: depois da expulsão de Filipe Gonçalves, Cardozo entrou e fez o gosto ao seu pouco usual pé direito, com um remate de primeira pleno de beleza e harmonia: cruzamento de Maxi depois de óptimo movimento de rotação de Ola John, e o paraguaio, em rotação corporal, a enviar a bola para o canto da coruja da baliza de Vagner. Mas como a aversão à tranquilidade é traço comum neste Benfica, as águias pouco provaram do 0-2 já que o recém-entrado Balboa subiu ao segundo andar para cabecear, em plena área encarnada, para o fundo das redes de Artur, a cruzamento de Evandro. E longe da tranquilidade foi onde o Benfica permaneceu até ao apito final, à mercê do ameaçador Balboa, que pelo flanco direito ainda teve tempo de semear o perigo por entre a defesa de Jesus: no fim, o empate esteve à vista, mas Evandro, não emendou de modo certeiro uma sobra mal resolvida pelo sector mais recuado das águias.

Com a baliza aberta mas o ângulo diminuto, o brasileiro falhou e Jesus suspirou de alívio. O Benfica venceu onde o Porto empatou e segurou-se ao terceiro lugar, com 14 pontos, enquanto o Estoril desceu para sexto, com 11.

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