Ser ou não ser (Candidato) eis a questão?
«Sintonia entre Carvalho e Jardim» - Foto: Record.pt

Ser ou não ser (Candidato) eis a questão?

O clube de Alvalade, em processo de reestruturação, baixou a fasquia classificativa mas os resultados parecem querer indicar outra coisa. Que orientação deve tomar o Sporting?

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Bruno Gomes

O Sporting apresentou-se na nova temporada sem expectativas elevadas e com um investimento demasiado reduzido face aos eternos rivais Benfica e Porto. A dupla Bruno de Carvalho/Leonardo Jardim descartou a candidatura ao título e apresentou um discurso comedido e cauteloso. A ausência da premência de vitórias contribuiu, e de que maneira, para o bom arranque leonino. Os leões estão soltos em campo, organizados e a lutar jogo após jogo pelos três pontos sem a obsessão do título. É raríssimo, um grande abdicar de tornar pública a sua pretensão ao topo da classificação.

A questão que se coloca é a necessidade ou não de marcar uma posição. O clube de Alvalade vinha da pior época da sua história e tinha duas opções: apresentar-se como candidato ou não assumir a candidatura reduzindo as expectações. A primeira opção, normalmente, aproxima adeptos e cativa os holofotes mediáticos para todos os movimentos do clube. Cada contratação, mesmo que de um estranho se trate, tem o impulso de cativar a massa e puxar pelo fervor clubístico. No caso leonino, isso podia ser benéfico até para explorar o estado de graça da nova direcção. Contudo, uma candidatura arrasta a pressão constante de vitória e eleva o grau de exigência dos adeptos. A equipa passa a jogar sobre brasas com a urgência de vitórias. Com este plantel jovem ainda em processo evolutivo, assumir uma candidatura e não ter sucesso imediato poderia ser fatal. Ao mínimo deslize os jovens leões seriam contestados e pressionados em praça pública de forma grosseira e desnecessária.

Inicialmente, a não candidatura até pode acarretar um certo afastamento da massa associativa, descontente com a aparente falta de ambição do plantel. Por outro lado pode, como se tem verificado, vir a ser muito útil: os jogadores têm tempo, espaço, margem de manobra e tolerância entre os adeptos. Podem crescer gradualmente e jogar sem a pressão de resultados que desgasta mentalmente uma equipa. O sucesso que uma equipa leve e descontraída tem em campo puxa pelos adeptos, que agraciados com bom futebol tendem a ser tolerantes. É isto que se passa em Alvalade. Rapazes da casa, baratos e com espaço para crescer, têm dado o litro e estão a ser brindados com uma onda verde – sem a obrigatoriedade de serem campeões nacionais. Veremos se o sucesso não fará os leões mudarem de ideias. Até aqui, esta postura humilde tem sido determinante para o momento feliz do Sporting.

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