Matic - William – Cérebros renegados
Confronto que promete agitar o derby - Foto: desporto.pt.msn.com

Matic - William – Cérebros renegados

De segundas escolhas a cérebros das respectivas equipas, as vidas do sérvio e do luso-angolano transformaram-se no último ano.

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Bruno Gomes

No próximo sábado quando Benfica e Sporting entrarem em campo, no estádio da Luz, haverá um combate de renegados: Matic - William.

Dois jogadores fisicamente possantes e tecnicamente dotados, que encarnam na perfeição, a pele do trinco moderno: robustez física e habilidade com a bola no pé. Um duelo que num futuro próximo poderá ser realizado numa grande liga europeia, mas que este sábado vai desaguar no estádio da Luz.

O eterno renegado

O médio que o Chelsea descobriu na Sérvia, nunca teve grandes hipóteses de se firmar em Londres. Matic rodou pela equipa de reservas dos ingleses e esteve um ano emprestado ao Vitesse. Na equipa holandesa, não era sequer indiscutível e chegou a actuar em posições impensáveis como extremo esquerdo ou número 10. Uma espécie de renegado tapa-buracos. Foi a rejeição, mais uma vez do Chelsea, que o fez rumar à Luz, envolvido no negócio David Luiz. A desconfiança dos benfiquistas era patente: tinham perdido 5 milhões de euros com um jogador de qualidade técnica e passe acima da média, mas que era lento, previsivel e pouco agressivo. A primeira temporada foi de adaptação e de busca por um espaço que tardava em chegar. Matic acabou a temporada como um número 8 razoável que alternava o banco com o relvado. Com a saída de Witsel e principalmente Javi Garcia – era o único trinco do plantel, o onze encarnado sofreu um duro revés, que Jorge Jesus rapidamente conseguiu emendar. A solução? Matic!

A posição 6 da Luz passou a falar sérvio e o futebol dos encarnados começou a fluir. Em poucos meses ninguém se lembrava do inesquecível Javi Garcia. Matic transfigurou-se e comando o renascimento do futebol encarnado. A lentidão deu lugar à passada larga e melhoria posicional, a agressividade e capacidade de pressão, subiram de tom e a qualidade técnica e de construção vieram ao de cima, transformando o sérvio no elemento mais importante da manobra benfiquista. Se tivermos em conta o figurino táctico extra ofensivo dos encarnados – apenas dois homens povoam a zona central do terreno, podemos entender o enorme sacrifício na destruição e construção de jogo deste guerreiro sérvio. As sondagens e interessados no futebolista de Leste não param de chegar: Nápoles, Real Madrid, e até um arrependido Chelsea. Se continuar a brilhar como tem feito desde a última temporada, Matic não deve continuar muito tempo no Benfica mas sábado, mais uma vez, os benfiquistas esperam que os pés do sérvio iluminem a equipa de Jesus.

De dispensado a indiscutível

William Carvalho sempre foi um nome espalhado pela boca dos sportinguistas. Tido como grande promessa leonina, cedo se estreou na equipa principal pela mão de José Couceiro. Contudo, os anos foram passando e o «Patrick Vieira de Alcochete», foi desaparecendo do radar leonino, rodando de empréstimo em empréstimo. Andou por Fátima, esteve dois anos, em bom nível no Cercle Brugge mas o seu tempo de contrato ia passando e perspectivas de regresso, eram poucas ou nenhumas. Em final de contrato com os leões e contra as previsões mais optimistas, William foi chamado à base para que Jardim o testasse durante a pré-época. O luso angolano rapidamente encantou o madeirense, renovou contrato e fixou-se como dono do lugar que pertencia ao capitão Rinaudo.

A posição 6 dos leões tem tido imensos donos nas últimas temporadas e nenhum conseguiu a unanimidade que o jovem internacional sub-21 tem alcançado juntos dos adeptos. William tem usado bem o corpo e a passada larga para proteger a defesa e libertar o meio campo para as tarefas ofensivas. Apesar de ser trinco, a maior valência do jovem português, é a qualidade técnica e a capacidade de construir jogo a partir do seu raio de acção. O desenho de quase todas as jogadas leoninas, passa pelos seus pés de veludo. Curiosamente, em termos de agressividade William ainda não está no ponto, mas tendo em conta as suas características físicas e as indicações de Leonardo Jardim rapidamente a máquina estará afinada. Apesar do clamor popular, Paulo Bento ainda não o chamou à selecção principal, melhor para Rui Jorge, que o considera indiscutível nos sub-21. Neste óptimo início de temporada verde e branca, William tem sido o cérebro de todo o jogo do Sporting. Circulam rumores de que tubarões como Juventus e Manchester United estão de olho nele. Sábado, o trinco leonino terá mais uma chance de se mostrar à Europa e de voltar a fazer sorrir os sportinguistas.

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