Um hino ao futebol decidido por Cardozo... e Patrício

Um hino ao futebol decidido por Cardozo... e Patrício

O Benfica recebeu este sábado o Sporting no Estádio da Luz, num confronto a contar para a quarta eliminatória da Taça de Portugal. O 4-3 final mostra que os ataques se sobrepuseram às defesas, num autêntico hino ao futebol que se assistiu. No final, o herói foi Oscar Cardozo e o vilão Rui Patrício, que no prolongamento foi mal batido por Luisão.

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Joni Francisco
Foi com um Estádio da Luz bem composto, pintado de vermelho e com muito verde, que Benfica e Sporting se enfrentaram este sábado, em jogo a contar para a quarta eliminatória da Taça de Portugal. O encontro começou faltoso, com os elementos do meio campo agressivos na procura da recuperação rápida da posse de bola. Nos primeiros minutos, só em dois lances de bola parada deu ilusão do esférico poder ameaçar as balizas mas nem Cardozo nem Jefferson conseguiram ultrapassar as barreiras. 
 

Bancadas da Luz repletas de adeptos encarnados (Foto: Bruno Falcão Cardoso | VAVEL.com)

Primeira parte diabólica de Cardozo

Mas o golo surgiu mesmo. E foi, precisamente de livre e sem que qualquer equipa tivesse feito por isso, que Oscar Cardozo desfez o nulo, colocando a bola por baixo da barreira. Estava desfeita a igualdade e lançado um jogo que prometia muito! O Tacuara não parecia satisfeito e poucos minutos volvidos tentou novamente bater Patrício num disparo forte mas o guardião luso mostrou-se atento. O Benfica estava agora por cima de um Sporting ainda atordoado. Mas, aos poucos, os Leões acalmaram o jogo e procuraram assumir a posse de bola. Só que, num meio campo tão povoado, apenas quando a bola entrava nos flancos é que os leoninos conseguiam sobreposições e lances de incómodo para a defesa encarnada.
 
O jogo estava mastigado e quezilento quando uma bola cruzada larga na direita por Wilson Eduardo encontrou Diego Capel ao segundo poste e o espanhol, num remate de pé esquerdo fortíssimo e colocado, refez a igualdade ao minuto 37. O resultado ajustava-se a um jogo muito centrado no miolo e pouco criativo das duas equipas.
 
 
Mas desengane-se se pensa que estava fechado o marcador do primeiro tempo. Aos 42 minutos, Enzo Pérez pegou na bola em zona atacante, contornou a área e endossou o esférico para Gaitán, o qual cruzou com conta, peso e medida para cabeceamento colocado de... Cardozo, pois claro. Estavam fechados os primeiros 45 minutos? Nem pensar. A bola voltou a meio campo e, de alguma forma e poucos segundos depois, encontrou novamente o paraguaio na área que desferiu uma autêntica bomba de pé esquerdo. O esférico aninhou-se no ângulo da baliza de um desolado Rui Patrício e estava feito o hat-trick do paraguaio. Do êxtase ao precipício em 8 minutos, assim foi o final da primeira parte para os adeptos leoninos.
 
 
Agora sim, o intervalo chegava. O equilíbrio do jogo ia sendo pulverizado por um endiabrado paraguaio. A eficácia encarnada fazia toda a diferença num primeiro tempo onde Artur não fez qualquer defesa e Patrício realizou apenas uma... numa bola que ia para fora. 
 

A recuperação do Leão

O segundo tempo começou sem alterações nos elencos. E no relvado a toada mantinha-se igual à do final da primeira etapa. O Benfica controlava o jogo e o esférico e chegava a adornar em demasia os lances. Nesta fase o Sporting tentava meter velocidade no jogo e, já se sabe, a pressa normalmente não ajuda no discernimento. Leonardo Jardim não gostou daquilo que viu e chamou à acção Carrillo, para o lugar de Wilson Eduardo. Eram pernas frescas o que procurava o técnico madeirense. O 'choque eléctrico' provocado pela entrada do peruano teve efeito num Sporting adormecido e Adrien testou os reflexos de Artur. No seguimento do lance, foi a cabeça de Maurício, servida por um canto de André Martins, que deu novo alento às hostes leoninas e reduziu a diferença no marcador. Faltava meia hora para os noventa e o jogo estava melhor que nunca. E se o jogo estava agora aberto, mais aberto ficou com as mexidas simultâneas: Jesus tirou Rúben Amorim, lesionado, para lançar Ivan Cavaleiro, passando Gaitán para terrenos centrais; Jardim apostou em Slimani , retirando também um elemento do miolo, no caso André Martins. O Sporting ia à procura do empate num claro 4-4-2 enquanto que o Benfica metia mais criatividade no jogo, com Gaitán a ter mais bola. 
 
     
«Derby» sempre muito disputado a meio-campo (Foto: Bruno Falcão Cardoso | VAVEL.com)
 
À entrada para os últimos 10 minutos o Benfica esteve por duas vezes perto de matar o jogo. Primeiro foi Markovic, que num lance invulgar de cabeça, atirou à trave de Patrício. Pouco depois voltou a aparecer Cardozo, matando o esférico no peito e atirando para defesa espectacular de Patrício. O jogo estava partido e Slimani apareceu pouco depois na cara de Artur, atirando ao poste e perdendo oportunidade clamorosa de chegar ao empate. Desesperavam os adeptos leoninos. Não era para menos, o tempo esgotava-se e oportunidades daquelas são raras. Só que o argelino só quis aumentar o suspense. No primeiro minuto de compensação, nova bola parada para os leões e Slimani desviou de cabeça para o empate. Festejos exuberantes da equipa de Alvalade. E prolongamento assegurado. Que jogo!
 

Patrício mal batido no lance que decidiu o jogo

Lima foi lançado no início do tempo extra e ambos os conjuntos assumiam o 4-4-2. Ninguém parecia interessado em arrastar a decisão para as grandes penalidades. E Rui Patrício fez-lhes o favor. Num lançamento lateral, Luisão apareceu na área leonina e caiu entalado entre os dois centrais. Quando toda a gente no estádio pedia penalti, incluindo o próprio 'Girafa', viu-se a bola a passar estranhamente por debaixo do corpo do guardião leonino. Os protestos deram lugar à festa de uma Luz em delírio. Estava feito o 4-3, resultado que não mais foi alterado. Mas até ao fim dos 120 minutos ainda muito se passou. Pediu-se penalti nas duas áreas, Slimani e Montero desperdiçaram claras oportunidades para empatar e Ivan Cavaleiro e André Gomes não conseguiram ultrapassar Patrício e o poste, respectivamente. E Rojo ainda foi a tempo de ser expulso, num dos vários lances mal trabalhados pelo Benfica no contra-ataque. 
 
Só que o hino ao futebol de ataque que aqui se viu (defensivamente a conversa já é diferente) merecia um final diferente. Depois do último apito de Duarte Gomes, a confusão instalou-se no relvado. Wilson Eduardo foi expulso e Jorge Jesus voltou a ser protagonista, trocando palavras e empurrões com elementos leoninos. Mas a imagem que merece figurar nas primeiras páginas é a de Cardozo a levar a bola para casa.
 
É o Benfica quem segue na competição mas o final poderia ter sido outro. Os leões voltaram a dar uma réplica muito boa e mostraram, de uma vez por todas, que entram nas contas para as decisões desta temporada.
 
Os adeptos leoninos ascenderam aos 6 mil e nunca deixaram de apoiar a sua equipa (Foto: Bruno Falcão Cardoso | VAVEL.com)
            
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