Académica em crise
Sérgio Conceição com continuidade em risco. (Foto: Steven Governo/Global Imagens)

Domingo, 7 de Abril de 2013 e a Académica saía de Barcelos com uma preocupante derrota por 2-1, continuando a senda de maus resultados, contabilizando apenas 4 vitórias em 25 jogos para o campeonato. Pedro Emanuel, que na anterior época havia termindado com o jejum da briosa, vencendo a Taça de Portugal volvidos 74 anos, era assim despedido. Já há muito contestado pelos seus adeptos, o ex-técnico deixou a equipa num alarmante 13º lugar, apenas dois lugar acima da linha de água. De imediato, várias vozes de sócios e simpatizantes aclamaram por um único nome: Sérgio Conceição( o ex-internacional português é um ídolo pelo seu passado de Académica ao peito, havendo até um estádio em seu nome).

A grande dúvida era se Sérgio Conceição e José Eduardo Simões iriam sequer começar a falar, visto que exisitia um enorme historial de desavenças entre ambos. Pois nada disso parece ter existido, em menos de 24 horas Sérgio Conceição era anunciado e apresentado como novo treinador dos "estudantes".  Surgia uma nova esperança nas hostes academistas e o certo é que, com apenas cinco jogos para disputar, Sérgio Conceição conseguiu garantir a manutenção da briosa(com o saldo de 2V-1E-2D). Não foi perfeito, mas foi o suficiente para a Académica sair de mais um ano de sufoco com a estadia garantida entre os grandes do futebol nacional.

A nova época

O discurso utilizado no início de época foi o habitual: fazer um campeonato tranquilo e tentar fazer "graça" nas taças. O defeso foi movimentado, com alguns jogadores importantes a sairem como são os casos de Salim Cisse e Wilson Eduardo(ambos para o Sporting), Edinho(para o Braga) e do capitão Flávio Ferreira(tranferido para os espanhóis do Málaga). Para colmatar essas saídas, os reforços escolhidos recaíram sobre jogadores já com história em Portugal (Buval ex-Feirense, Ivanildo e Fernando Alexandre ex-Olhanense) e até mesmo jogadores com passado no clube(casos de Nuno Piloto e Diogo Valente, visto como a grande aquisição).

Duas vitórias em nove jogos. A política de contratações não podia ser mais simples de explicar: busca de jogadores com conhecimento do futebol português, que não necessitassem de tempo para se adaptar e com provas dadas de que são capazes de representar tal clube histórico. As soluções, é certo, não abundam mas comparativamente com a época transata(a mesma em que estiveram na fase de grupos da Liga Europa) podemos dizer que o plantel é igualmente equilibrado, com jogadores capazes de fazer a diferença em momentos cruciais. 

Esperava-se, portanto, um início de época confortável...mas nada disso aconteceu. A equipa que orientada por Sérgio Conceição soma apenas duas vitórias nos nove jogos já realizados para o campeonato, marcando somente quatro golos e sofrendo treze. Ocupa atualmente o 14º lugar e ao que tudo indica será um campeonato como tantos outros: corda na gargante e contestação crescente tanto a equipa técnica como a direcção. A taça de Portugal é dos poucos saldos positivos neste início de época, com a qualificação para os 4ºs de final já assegurada, depois de triunfos sobre Belenenses e Académico de Viseu(ambos pela marcação de grandes penalidades).

Eis que surge mais um revés às aspirações da época academista: a precoce eliminação da Taça da Liga. O Penafiel, da Liga2 CaboVisão, foi o autor da proeza de eliminar a equipa que tem o seu estádio designado para a final, acabando assim com o sonho daqueles que querem ver a briosa vencer uma competição na sua própria casa. Depois do jogo, soou o alarme; na conferência de imprensa, Sérgio Conceição afirmou que irá conversar com a direcção, numa conversa a que se adivinha apenas duas situações finais: ou voto de confiança ou despedimento. E a ser despedimento, é o 10º treinador a sair desde a época 2005/2006, confirmando que treinadores e Académica não é sinómino de longa duração. Agora a dúvida que resta é a seguinte: será mesmo só culpa dos treinadores? É que no leque de treinadores que saíram, há nomes de valor como Manuel Machado, Jorge Costa e claro Domingos Paciência (em todos eles coincidiram divergências com a direcção) e apenas um saiu para dar o salto(André Villas Boas para o F.C Porto). 

Fica a dúvida: até quando uma Académica intranquila, até quando uma Académica em crise?

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