1-0, MATIC, MIN. 73
Matic resolveu resolver sozinho

Matic resolveu resolver sozinho

Num jogo fraco e dividido, o Benfica teve a bola mas não criou o perigo: esse veio praticamente todo do lado dos bracarenses, que enviaram duas bolas ao ferro. Quando a descrença começava a apoderar-se da Luz, traduzida em assobios de descontentamento, Matic pegou na bola e resolveu marcar o golo que, por si só, resolveu a partida. (Foto: ASF)

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Benfica ARTUR, SILVIO, SIQUEIRA (ANDRÉ ALMEIDA, MIN. 71), LUISÃO E GARAY, MATIC, ENZO PEREZ, GAITAN, MARKOVIC (IVAN CAVALEIRO, MIN. 65), DJURICIC (RODRIGO, MIN. 59) E LIMA
BragaEDUARDO, BAIANO, ELDERSON, ADERLAN, NUNO ANDRÉ COELHO, MAURO, LUIS CARLOS (CUSTÓDIO, MIN. 80), RUBEN MICAEL (HUGO VIEIRA, MIN. 76), ALAN, RAFA (PARDO, MIN. 73) E EDER
ÁRBITRONUNO ALMEIDA (A. F. ALGARVE) ADMOESTADOS: RAFA, MIN. 52 GARAY, MIN. 77
INCIDENCIASLIGA ZON-SAGRES, JOGO DA DÉCIMA JORNADA. ESTÁDIO DA LUZ, LOTAÇÃO: 35.000 PESSOAS

Jesus procedeu a algumas alterações no onze encarnado, não só nos executantes mas também na orientação táctica: do 4-3-3 que pontificou frente ao Olympiakos e frente ao Sporting, o técnico benfiquista, ausente por castigo, passou ao retorno do seu habitual 4-2-4, reeditando a dupla Enzo\Matic no centro do terreno e alocando Markovic e Gaitán para as faixas, no apoio directo à dupla de ataque, composta por Djuricic e Lima - Cardozo foi o grande ausente, afastado, quer do onze titular quer do próprio banco de suplentes encarnado. Nas laterais, Siqueira ocupou-se da esquerda, ao passo que Sílvio, em bom momento de forma, deslocou-se para a direita. No Braga, Jesualdo deixou Custódio no banco e fez alinhar Luiz Carlos e Mauro, com os virtuosos Alan e Rafa a descair para as alas e Rúben Micael a municiar Éder na frente de ataque bracarense.

Djuricic como peixe fora de água

Djuricic voltou a ser aposta da equipa técnica das «águias», o que, tendo em conta o alinhamento inicial encarnado, poderia deixar antever a utilização de um 4-2-3-1 alicerçado no papel organizador do jovem sérvio, vestindo a pele que este tanto gosta, a de playmaker ofensivo, e que tantas vezes tem, subtilmente, reinvindicado para si. Mas a disposição táctica do Benfica veio contrariar liminarmente essa hipótese: Djuricic posicionou-se quase sempre à ilharga de Lima, afastado da zona de criação ofensiva e sempre muito perto da área adversária, funcionando como segundo avançado. Se dúvidas havia, os primeiros minutos do jogo dissiparam qualquer vestígio de 4-2-3-1: o Benfica voltava assim a alinhar num 4-2-4.

Djuricic nunca conseguiu encontrar o seu espaço (Foto: Bruno Falcão Cardoso | VAVEL.com)

45 minutos sonolentos e só um susto de Éder

A primeira parte foi digna de um preâmbulo para o adormecimento: equipas trancadas nos seus sistemas tácticos, marcações cerradas, jogadas desligadas e uma intensa luta a meio-campo, onde poucos se conseguiram destacar pela positiva. O Braga esperava o atrevimento fulguroso do Benfica, cedendo alguns espaços para poder desenhar contra-ataques venenosos através da velocidade de Rafa e da experiência de Alan, mas apenas por uma vez o Benfica tremeu de susto: antes do quarto de hora, Éder pontapeou a bola, que raspou nas luvas de um atento Artur, para depois beijar sofregamente a barra da baliza à guarda do brasileiro. Micael, na insistência, rematou para fora. Entre lances mornos, faltas e ineficiências colectivas, ambas as equipas anulavam-se num entendimento entediante de cavalheiros, tão pacífico quanto aborrecido.

Matic já estava farto

O Benfica entrou na segunda parte com novo susto: novamente a barra a negar o golo dos «guerreiros» do Minho, agora a remate de Rafa, elemento sempre irrequieto que, juntamente com Nuno André Coelho, seguro no eixo da defesa bracarense, foi um dos melhores jogadores em campo. Os minutos passavam e o Benfica tardava em dar uma resposta cabal aos assédios do Braga, que obrigaram, a meio da segunda parte, Artur a uma defesa de recurso: os assobios tomavam conta da Luz e parecia reinar, entre os jogadores da casa, uma certa inabilidade para desfazer o nulo. Até que Matic se fartou, desarmou um adversário no meio-campo contrário e avançou até à entrada da área para desferir o remate cruzado do golo que decidiu a partida. Um pontapé no marasmo benfiquista, uma resolução individual que disfarçou a insuficiência colectiva do futebol encarnado, hoje liderado pelo técnico adjunto Raúl José.

Matic leva a bola para o ataque do Benfica (Foto: Bruno Falcão Cardoso | VAVEL.com)

Houve mais Braga por entre o marasmo encarnado

O Braga sai da Luz com uma exibição competente e, apesar de ter criado várias oportunidades de golo, quedou-se pelo nulo e por uma derrota ingrata. Com duas bolas no ferro e três importantes intervenções de Artur, os bracarenses deixaram o relvado da Luz com a clara sensação de que não foram inferiores à turma encarnada, que enfrentou muitas dificuldades para explanar o seu futebol, quase sempre preso e desconexo. O Benfica marcou através de Matic e apenas obrigou Eduardo a negar um golo a Cavaleiro, numa das raríssimas ocasiões de golo do Benfica. Com esta vitória arrancada a ferros, o Benfica coloca pressão nos rivais directos e sobrevive ao primeiro jogo sem Jesus ao leme. O Braga continua sem vencer na Luz, numa malapata que dura e perdura, e Jesus, ainda que ausente, levou de vencido o igualmente experiente Jesualdo Ferreira.

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