0-1, MIN 89, SLIMANI
Um ingrediente secreto chamado Slimani

Um ingrediente secreto chamado Slimani

Em jogo da 10ª jornada da Liga portuguesa, tanto Guimarães como Sporting precisavam dos três pontos. A partida, demasiado morna, parecia, porém, dizer o contrário. Slimani foi o ingrediente que apimentou um jogo em grande medida sensaborão e que parecia condenado a um empate que não servia nenhum dos lados. Mas o argelino, que tem sido a arma secreta de Jardim, desbloqueou o jogo aos 89 minutos, apenas oito depois de entrar em campo, garantindo três pontos de ouro para a equipa de Alvalade. (Foto: A Bola)

hugopalmeida
Hugo Picado de Almeida
Vitória GuimarãesDOUGLAS, JOÃO AMORIM, ABDOULAYE, P.OLIVEIRA, ADDY; LEONEL OLÍMPIO, ANDRÉ SANTOS, ANDRÉ ANDRÉ; BARRIENTOS(NII PLANGE, MIN.75), TOMANÉ (RICARDO GOMES, MIN. 82), MAAZOU.
SportingPATRÍCIO, CÉDRIC, DIER, MAURÍCIO, JEFFERSON; WILLIAM, ADRIEN, ANDRÉ MARTINS(SLIMANI, MIN.82); CARRILLO(CARLOS MANÉ, MIN. 71), CAPEL(SALOMÃO, MIN.77), FREDY MONTERO.
ÁRBITROPAULO BAPTISTA WILLIAM CARVALHO (MIN.25) ABDOULAYE (MIN.45) MAURÍCIO (MIN.54) BARRIENTOS (MIN.56), CÉDRIC (MIN.61) ANDRÉ ANDRÉ (MIN.76)
INCIDENCIASLIGA ZON SAGRES, JOGO DA 10ª JORNADA, ESTÁDIO D.AFONSO HENRIQUES

Numa partida sem história significativa, Islam Slimani voltou a ser arma secreta, como já havia acontecido frente ao Marítimo, no anterior confronto dos leões para a liga, onde encetou a recuperação que permitiria a vitória, como na derrota na Taça frente ao Benfica, onde, apesar do resultado final negativo, foi Slimani, novamente em cima dos 90 minutos, a fazer a diferença e a adiar a decisão para o prolongamento.

Esta noite, a partida em Guimarães era de grande importância para lisboetas e minhotos, por razões diferentes, mas se a primeira parte foi morna, a segunda foi fria, e ambos os conjuntos ficaram bastante aquém do esperado para as necessidades de parte a parte: o Guimarães ia a jogo para tentar sair da crise. Os homens de Rui Vitória encontravam o Sporting após quatro derrotas consecutivas, e no rescaldo da sua eliminação da Taça de Portugal às mãos do Porto, troféu que detinham. O Sporting, por sua vez, recuperava também de eliminação da Taça, no polémico encontro com o Benfica, mas a pressão para o conjunto de Alvalade recaía sobretudo na necessidade de acompanhar a vitória do Benfica frente ao Braga, não deixando fugir os encarnados e simultaneamente capitalizando o empate do Porto com o Nacional, que deixava dragões na liderança com apenas um ponto de vantagem sobre o segundo classificado.

Guimarães por cima numa primeira parte equilibrada

O Vitória de Guimarães entrou no relvado mais pressionante, com processos ofensivos simples e bolas mais longas sobre as costas da defesa leonina, explorando sobretudo a zona central do terreno, onde o Sporting abria algumas brechas, pela maior largura da sua linha defensiva, com Cédric e Jefferson bem abertos nas alas, a partir de onde subiam frequentemente para apoiar o ataque. A velocidade do ataque vitoriano, encabeçado por Maazou, causou alguns calafrios à equipa do leão. De facto, e sobretudo na primeira meia hora de jogo, foram do Vitórias as mais claras – e praticamente únicas – aproximações ao golo: por Maazou, aos sete minutos, com um tiro ao poste da baliza de Patrício, e à passagem da meia hora, com um remate cruzado que teve boa, mas esforçada, resposta do guardião do Sporting, mas também por André Santos, com um forte remate de fora da área a sobrevoar de muito perto a baliza sportinguista.

Maurício, encarregue de controlar Maazou, viu-se obrigado a uma primeira parte esforçada. Mesmo que chegando muitas vezes no limite, correndo atrás do prejuízo de jogar muito de costas para o jogo na perseguição ao explosivo avançado nigeriano, o brasileiro conseguiu limpar a maioria das situações. Bom exemplo disso é o lance aos 18 minutos, onde uma bonita tabela à entrada da área verde e branca entre André Santos e Maazou prometia remate perigoso em posição frontal, mas o brasileiro surge veloz entre os homens do Vitória e limpa para canto.

O Sporting fazia o seu jogo quase exclusivamente pelas alas, bem estendido no terreno e apostando na qualidade e rapidez do seu passe curto. A velocidade de Jefferson e Capel, na esquerda, mais explorada na fase inicial da partida, acabou por ser bem contida pelo sector mais recuado da equipa de Guimarães. As ofensivas leoninas surgiam, por isso, sobretudo a reboque da técnica e maior visão de jogo de um triângulo cujos vértices  − Cédric, André Martins e Carrillo −  iam trocando passes e desmarcações no flanco direito, entre a linha e a região mais interior do terreno. Abdoulaye e Addy, porém, demonstraram-se eficazes a limpar a maioria das ameaças leoninas, com poucos cruzamentos a partirem da direita visitante e menos ainda a aterrarem em homens da Alvalade, dentro da área. Carrillo, uma vez mais, e apesar de lances bonitos a espaços, salda-se uma vez mais como desilusão do lado leonino. Merece, porém, destaque, aos 39 minutos, uma saída em drible do peruano, que em velocidade tira Addy do caminho para cruzar para onde a cabeça de Capel já aguardava para selar o golo, mas João Amorim  levantou o pé para um corte providencial.

Apesar da maior posse de bolo dos homens de Alvalade, foram poucas as oportunidades de remate do Sporting na primeira parte. O primeiros quarenta e cinco minutos fechavam-se, sintomaticamente, com mais ataques dos homens de Rui Vitória do que dos comandados de Leonardo Jardim, algo que se espelhava nos oito remates do Vitória contra apenas um da formação do Sporting.

Em segunda parte mais do que morna, Leandro Jardim cozinha a vitória

No início da segunda parte, a equipa do Vitória parecia mais refreada, abstendo-se da sua iniciativa de ataque e apresentando maiores preocupações defensivas. Algo que, aliás, se justificava pelo maior caudal ofensivo do Sporting. Com o Vitória a lançar-se menos amiúde em processos ofensivos, a defesa leonina passava a poder libertar mais Jefferson, escalando o terreno pela ala esquerda, e William Carvalho passava também a poder subir mais no terreno, integrando com Adrien e André Martins fases mais adiantadas da construção do ataque sportinguista. Nos primeiros quinzez minutos do segundo tempo, de facto, o Sporting praticamente só jogava no meio-campo do adversário, conseguindo sucessivos cantos, forçando o adversário a cometer faltas à entrada da sua área e obrigando o guardião Douglas a mostrar serviço em várias ocasiões.

O maior balanço dos homens de Leonardo Jardim para o ataque abria, porém, mais espaços nas costas, tal como Rui Vitória esperava pela forma de posicionar a equipa nos egundo tempo. E após uma rápida saída em contra-ataque do Guimarães, temeu-se um duelo entre André André e Patrício, que já entrevia o vimaranense surgir isolado, não fosse falta necessária de Cédric Soares. Saía livre e cartão amarelo. Addy cobra o castigo e descobre João Amorim, que cabeceia como mandam as regras, mas Rui Patrício, atento, voa para defesa segura.

Depois deste lance, o jogo, já de si morno, arrefeceria mais ainda, e pouca história teria. Leonardo Jardim faz as suas três substituições em cerca de dez minutos, trocando Carrillo, Capel e André Martins por Carlos Mané, Diogo Salomão e Slimani, respectivamente, passando o Sporting a alinhar em 4x4x2. Progressivamente, o Sporting insinuar-se-ia mais sobre a área do Vitória, dispondo de maior presença na área do adversário e forçando-o a recuar para conter os diversos homens de Alvalade que integravam os processos ofensivos e garantiam mais opções para visar a baliza. O Sporting conquistaava alguns cantos, arriscava cruzamentos, e aos 86 minutos chegaria mesmo ao golo, por meio do recém-entrado Islam Slimani, em recarga após defesa para a frente de Douglas, a remate de belo efeito de Cédric. O argelino ainda festejaria, mas estava em fora-de-jogo, bem assinalado pelo fiscal de linha, e veria o golo anulado. Três minutos depois, porém, o jogador africano receberia a devida recompensa: na sequência de um canto e de caebceamento de Eric Dier junto ao primeiro poste, o argelino descobre a bola na pequena área vimaranense e atira, à queima-roupa, para o fundo das redes da equipa da casa. O Sporting festejava e respirava de alívio.

Novamente a justificar a aposta do técnico leonino e a aproveitar o diminuto tempo em campo, Slimani não se apaga à sombra de Montero e assegura três importantes pontos para o Sporting, que assim se mantém no segundo posto do campeonato, em igualdade pontual com o Benfica, e a apenas um ponto do líder Porto.

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