Ventos do Magrebe pedem mudança
Argelino foi decisivo em Guimarães - Foto: maisfutebol.pt

No início desta temporada, a principal preocupação da direcção leonina era encontrar alguém que estivesse à altura de substituir o matador Ricky Van Wolfswinkel. O Lobo nunca alcançou a unanimidade entre os adeptos, mesmo assim foi o grande abono de família do Sporting, nos dois anos que esteve em Alvalade. A sua saída abriu dois fossos: o de ponta de lança titular e o de alternativa credível - que nunca existiu no tempo do holandês.

Três homens para um lugar

Bruno de Carvalho e Augusto Inácio foram ao mercado e começaram por investir em Salim Cissé. Uma aposta no escuro e de certa forma escassa. O atleta da Guiné Conacri ainda estava muito verde para a equipa A e tem rodado com sucesso na formação B. A segunda cartada recaiu em Fredy Montero. Quando despontou na primeira liga colombiana, Montero era aquilo que tem sido em Alvalade, um inimaginável goleador. Os anos nos EUA transformaram-no num segundo avançado - de grande valia, mas aquém do que os primeiros tempos prometiam. O colombiano passou os últimos anos longe dos grande palcos, esquecido entre os EUA e a sua Colômbia natal. Foi com este estatuto de incógnita que acabou por aterrar em Lisboa. A pré-época também não lhe correu de feição mas, quando as coisas começaram a sério, Montero mostrou ao que veio. Islam Slimani, foi um negócio de ocasião. Os leões anteciparam-se ao Nantes e ofereceram a Jardim, um elemento com potencial e em claro ascendente na carreira. No 4-3-3 desenhado pelo madeirense, o estilo do argelino – homem de área, mais posicional, encaixava como uma luva. A verdade é que o atraso na sua chegada deu tempo a Montero para cimentar o lugar e lançar Super Slim para segundo plano.

4-4-2 ou 4-3-3 ?

Nos últimos tempos, a urgência de melhores resultados tem levado Slimani a saltar do banco e o argelino tem correspondido com golos preciosos. Se não tem a técnica e a movimentação de Montero, Slimani tem compensado pela forma como desgasta as defesas com a sua garra e capacidade física. Os dois são tão diferentes que acabam por se complementar no 4-4-2, ou 4-2-4 com que Jardim os tem unido em campo. A fórmula tem funcionado bastante bem, já que Montero mais habilidoso e ágil a jogar entrelinhas, acaba por descer no terreno e jogar no apoio a Slimani. O argelino com o seu faro de golo e elevada atitude competitiva tem tido papel crucial nos momentos em que o jogo está partido e há mais espaço para explorar as acções ofensivas. O magrebino está a obrigar Leonardo Jardim a reflectir a manutenção da táctica habitual ou um novo figurino em 4-4-2. Esta nova opção pode ser extremamente útil, principalmente em jogos caseiros contra equipas muito fechadas, que se limitam ao contra golpe.

Para o 4-3-3 habitual dos leões, Super Slim tem teoricamente as características ideias: é o típico homem de área que bem apoiado por extremos puros – como tem o Sporting, e por médios que cheguem bem ao ataque, pode fazer estragos. Contudo, na práctica, Montero acaba por se adaptar melhor a este esquema. Isto deve-se à pouca capacidade de criação de volume ofensivo e surgimento em zonas de finalização dos extremos e do médio mais avançado do miolo leonino. Esta ineficácia e o futebol apoiado e de posse imposto por Jardim obrigam a muita movimentação por parte de Montero. O colombiano é obrigado a sair diversas vezes da área para procurar a bola, construir jogo e tentar abrir espaços para a entrada dos seus companheiros de ataque. Pela forma como se entrega à partida e procura os espaços vazios e as tabelas para fomentar o perigo, a sua qualidade técnica acaba por fazer a diferença.

Slimani sendo um jogador possante e mais posicional, não tem a capacidade técnica de Montero e fica muito dependente daquilo que a equipa possa criar. Se os extremos e o médio ofensivo criarem tão pouco como nas últimas partidas, o seu espaço de manobra fica reduzido no 4-3-3. A manutenção desta opção estratégica, deve prevalecer visto ser o desenho táctico já enraizado, defensiva e ofensivamente no Sporting, que contudo apresenta uma nuance diferente da generalidade das equipas que o utilizam: tem um matador móvel, alguém que além de finalizar, joga como um vagabundo, perdido nos limites do fora de jogo sempre à espreita de uma oportunidade de golo.

Seja com dois pontas de lança ou apenas um, a verdade é que Slimani e Montero estão a criar boas dores de cabeça a Leonardo Jardim. Tem a palavra o treinador leonino!

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