Deitar cedo e tarde erguer
Alex Sandro, o melhor dragão em campo (Foto: uefa.com)

Deitar cedo e tarde erguer

O FC Porto não foi além de um empate a uma bola com o Áustria de Viena, em jogo a contar para a 5ª jornada da Liga dos Campeões disputado do Estádio do Dragão. Mesmo já sabendo do empate do Zenit diante do Atlético de Madrid, os comandados de Paulo Fonseca não foram capazes de garantir a vitória. Com este resultado os dragões vêm-se obrigados a vencer em Madrid, e esperar que o Zenit perca pontos em Viena.

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Francisco Ferreira Gomes

Pode-se dizer que mesmo antes de entrar em campo, o FC Porto já estava em vantagem. Do frio da Rússia chegavam notícias de um empate entre Zenit e Atlético de Madrid, um resultado favorável para os dragões, desde que estes cumprissem a sua tarefa de derrotar o Áustria de Viena. Comparativamente ao jogo com o Nacional, Paulo Fonseca resolveu mexer no onze inicial; Maicon, Licá e Defour tomavam o lugar de Otamendi, Varela e Herrera. Do outro lado estava um Áustria de Viena que prometia organização defensiva e uma estratégia de destabilização do adversário como forma de manter o nulo o mais tempo possível.

Primeira parte: Alex Sandro e menos dez

Quando se quando se esperava um Porto motivado pela situação privilegiada em que se encontrava, eis que os primeiros minutos de jogo mostraram uma equipa portista letárgica e ansiosa, acusando um nervosismo atípico para uma formação altamente experienciada na Liga dos Campeões. Apesar das alterações efectuadas por Paulo Fonseca, a verdade é que as mesmas, embora não comprometendo, não pareciam surtir o efeito desejado. O meio-campo apresentava baixo índice de rotação, mostrando-se incapaz de construir e até permitindo que os austríacos trocassem a bola com liberdade; Lucho e Defour estavam sem ideias e Fernando parecia nem estar em campo.

A juntar a isto esteve a estranha intranquilidade da defesa azul-e-branca que parecia incapaz de retirar eficazmente a bola da sua zona, e foi a partir de uma dessas situações que aconteceu o que se julgava impensável; um mau alívio de Danilo e a bola a sobrar para Kienast que, com tempo e espaço para tudo, rematou de longe e bateu Hélton. Apenas dez minutos de jogo e a noite fria do Porto ganhava contornos glaciares. Vendo-se em desvantagem logo nos minutos iniciais, os dragões pareciam impotentes perante a boa organização defensiva dos austríacos que, sempre que podiam, beneficiavam da técnica do avançado Hosiner para segurar a bola e lançar os colegas. Contudo foi o próprio ponta-de-lança do Áustria de Viena que esteve perto de fazer o 0-2, sendo impedido pelo corte in extremis de Lucho.

Perante a apatia e desinspiração geral dos dragões, coube a um defesa pegar na equipa. Com efeito, Alex Sandro foi o principal (ou único) propulsor do jogo atacante dos azuis-e-brancos, investindo frequentemente pelo corredor esquerdo à procura de servir Jackson Martinez; o relvado estava claramente inclinado...para a esquerda, a total ineficácia dos extremos davam outro protagonismo ao lateral esquerdo brasileiro, o único a demonstrar o seu inconformismo perante o resultado adverso. Todavia, os esforços do 26 portista foram infrutíferos, isto devido, por um lado, à desinspiração do ataque, e por outro devido à boa exibição do guardião austríaco Lindner. O intervalo chegava e um coro de assobios ecoava no Dragão.

Segunda parte: Uma uva e muita parra

O segundo tempo deixou Defour no balneário e trouxe ao jogo Silvestre Varela; já com os dois flancos equilibrados em termos de profundidade, o FC Porto entrou a todo o gás na segunda parte, deixando nas cabines os sósias letárgicos que vaguearam nos primeiros 45 minutos. E nem cinco minutos foram precisos para que os portistas chegassem ao empate; canto da direita e uma boa elevação de Mangala ao segundo poste ofereceu o golo a Jackson Martinez. O golo teve o condão de galvanizar ainda mais os dragões que continuaram a pressionar a equipa austríaca que ia afastando as bolas da sua área como podia. O primeiro quarto de hora dos campeões nacionais foi absolutamente avassalador, e foi nessa altura que foi chamado a intervir o guardião Lindner; o guarda-redes do Áustria de Viena fez um punhado de defesas, algumas delas quase impossíveis, e ia segurando o empate. Perante a forte pressão da equipa da casa, os austríacos já não tinham tanta facilidade para sair em contra-ataque, ressalvando-se uma única excepção por parte de Hosiner com um remate ao minuto 56. 

O tempo ia passando e a bola teimava em não entrar uma segunda vez; do banco Paulo Fonseca fez entrar Ricardo e Quintero para os lugares dos desinspirados Josué e Licá. O avançar do relógio ia retirando gradualmente clarividência ao jogo azul-e-branco que, apesar da constante insistência no ataque flanqueado, já não conseguia criar o pânico que semeara na grande área vienense no início da etapa complementar. 

A ponta final da partida mostrava um FC Porto a jogar mais com o coração do que com a cabeça; Mangala subiu para se juntar a Jackson mas nem assim os portistas foram capazes de desfeitear Lindner, que negou a Jackson a última oportunidade do jogo já em período de descontos.

Quanto a números, o FC Porto fez 22 remates contra 3 dos adversários, beneficiou de 62% de posse de bola e de uma quantidade industrial de pontapés de canto, números que em muito se assemelham àqueles alcançados diante do Nacional da Madeira e que infelizmente traduzem o mesmo resultado.

Com este empate o FC Porto regista a sua pior prestação em casa na Liga dos Campeões. Os dragões somam 5 pontos, menos um que o Zenit; na última jornada a equipa de Paulo Fonseca terá de vencer o Atlético de Madrid no Vicente Calderón, e esperar que os russos não saiam de Viena com os três pontos.

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