Rodrigo dá alegria ao minuto 90
Enzo foi o comandante das «águias» em Bruxelas
Foi um Benfica inseguro e pouco organizado aquele que vimos esta quarta-feira em Bruxelas. Ainda assim, os encarnados conseguiram chegar à vitória (3-2) no último suspiro, fruto de um golo do recém-entrado Rodrigo. Com a derrota do Olympiakos em Paris (2-1 para o PSG), as decisões relativamente ao segundo classificado ficam para a última jornada, na qual as águias terão que fazer melhor resultado na recepção ao Paris Saint-Germain do que o Olympiakos, em casa, diante do Anderlecht.
 
Mas vamos ao jogo. Jorge Jesus apresentou um onze cauteloso, com duplo pivot defensivo no meio campo (Matic-Fejsa), concedendo liberdade de movimentos no miolo a Enzo Pérez, o melhor em campo. Só que o Anderlecht parecia preparado para a estratégia e desde início dominou o jogo no centro do terreno, com um meio campo combativo e muito povoado. O Benfica acabou preso e limitado pela sua própria táctica. Fejsa foi chamado em demasia para a construção de jogo (aspecto no qual é frágil) e os encarnados perdiam muito o esférico na primeira fase de construção. Só quando Enzo Pérez assumia protagonismo é que o jogo das águias melhorava substancialmente. De resto, apenas fogachos inconsequentes de Markovic e Gaitán, hoje mais individualistas que o habitual. E Lima sozinho na frente, uma ilha e um deserto de ideias.
 

Primeiro golo do Anderlecht adivinhava-se

Os belgas dominaram os primeiros minutos por completo. A pressão do Anderlecht na fase inicial do jogo intensificou-se e ninguém terá ficado surpreendido com o primeiro golo. Num pontapé de canto, a bola é mal aliviada e N'Sakala, com um passe sublime a rasgar a defesa, encontra Mbemba, o qual chutou antes da mancha de Artur.
 
Os encarnados reagiram com o impulso do golo sofrido e tentaram assentar o jogo. Mas logo foram novamente colocados em alerta, quando Mitrovic marcou, mas em posição irregular. Voltavam a aparecer os fantasmas das bolas cruzadas para a área de Artur. 
 

Gigante Matic teve cabeça para o golo

Só de bola parada o Benfica conseguiu chegar ao empate. Enzo Pérez bateu um livre de forma milimétrica descaído sobre a esquerda e o gigante sérvio voltou a mostrar que anda com a mira bem afinada, ao cabecear para o fundo das redes. A defesa belga ficou a pedir posição irregular, que não existiu, e Matic cabeceou sozinho. Festa encarnada e balde de água fria para os adeptos do Anderlecht que acreditavam cada vez mais na hipótese de verem o seu clube seguir para a Liga Europa.
 
Mas o golo do Benfica não apagou a desinspiração encarnada. Um meio campo totalmente desorganizado juntava-se a um trio atacante desinspirado, desapoiado e individualista em demasia. Num momento parecia que o Benfica jogava em 4-2-3-1, no seguinte já se assemelhava a um 4-3-3, com Fejsa como elemento mais recuado do meio campo. A verdade é que também os jogadores pareciam pouco esclarecidos relativamente à intenção de Jesus e ao seu papel em campo. E daí o Benfica não ter o controlo do jogo em momento algum durante todos os 90 minutos.
 

Bom regresso dos balneários

Jorge Jesus não mexeu na equipa ao intervalo mas as suas palavras parecem ter feito algum efeito. O Benfica apareceu mais perigoso no início do segundo tempo, mas os processos ofensivos continuavam demasiado dependentes dos repelões de Gaitán e Markovic. Primeiro, o sérvio arrancou como uma flecha e ultrapassou uma série de adversários, antes de ser derrubado por um dos últimos defensores belgas. Pouco depois, Enzo Pérez voltou a abrir o livro, na sua segunda assistência da noite. O argentino serviu o seu compatriota Gaitán dentro da área que, descaído para a direita, cortou para dentro com um excelente pormenor e rematou cruzado. O esférico tabelou em Mbemba e aninhou-se nas redes belgas. Estava feito o 1-2 e o Benfica chegava pela primeira vez à vantagem no jogo.
 
Os belgas tinham que ganhar para alimentar algumas esperanças na última jornada. A desvantagem no marcador fez saltar do banco Acheampong, extremo rápido que mexeu com o jogo. Mais tarde, entrou também Vargas, habilidoso e perigoso nas bolas paradas. As duas alterações trouxeram novo virtuosismo ao ataque do Anderlecht. Mas o Benfica não tirava a mira da baliza adversária e os contra ataques dos portugueses continuavam a sair com frequência, embora com pouco critério.
 

Últimos 15 minutos trouxeram o melhor do jogo

À entrada no último quarto de hora do jogo, também Jorge Jesus mexeu na equipa. Tirou um desinspirado mas irrequieto Gaitán, lançando Sulejmani. Mas a entrada do extremo sérvio coincidiu com a chegada ao empate dos belgas. Um excelente passe encontrou Bruno e o extremo belga colocou o esférico no fundo das redes, com Artur a ter alguma responsabilidade ao permitir que a bola entrasse junto ao poste no ângulo que deveria estar fechado.
 
O Anderlecht voltou a acreditar e carregou o acelerador a fundo. A bola rondou a área encarnada e num dos lances valeu ao Benfica a excelente intervenção de Artur, que tirou a bola da cabeça de um adversário. Completamente apostados no ataque, os belgas acabaram por ser penalizados lá atrás. Já com Rodrigo e Ivan Cavaleiro em campo, e no enésimo contra ataque encarnado, Sulejmani desmarcou Rodrigo de forma exemplar e o avançado hispano-brasileiro, na primeira vez que tocou na bola, fez o 3-2 final.
 
Foi o fim de linha para o Anderlecht na Europa. O Benfica, embora inconstante e desorganizado, segue com aspirações na Liga dos Campeões e sabe que, no pior dos casos, continuará nas competições europeias, na disputa da Liga Europa. Esse parece ser mesmo o cenário mais provável para o futuro encarnado. As exibições não convencem. E na última jornada terá que surgir vitória frente ao Paris Saint-Germain, que hoje voltou a vencer o Olympiakos. E mesmo isso pode não chegar. Os gregos não podem ganhar a última jornada, em casa, frente a este frágil Anderlecht. Daqui a duas semanas faremos todas as contas.
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