De tão pouco ganhar muito pouco resta para sonhar
Paços empatou a 0-0 frente à Fiorentina (Foto: EPA)

De tão pouco ganhar muito pouco resta para sonhar

Nova ronda europeia e mais do mesmo: em cinco jogos, as equipas portuguesas voltaram a dar péssima conta de si, vencendo apenas uma partida e empatando as restantes quatro; o sonho da Europa morreu para Vitória de Guimarães, Estoril e Paços de Ferreira (este já afastado na última jornada), e parece ser uma miragem para FC Porto e Benfica. A triste sina de tão pouco ganhar não deixa grande margem para sonhar

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Depois do empate altamente comprometedor do FC Porto (1-1 frente ao Austria Viena), a semana europeia dos clubes lusos prosseguiu com a vitória «in-extremis» do Benfica em Bruxelas, diante do Anderlecht, por 2-3. Esse resultado histórico (nunca uma formação portuguesa vencera no reduto belga) foi, aliás, a única vitória lusitana na quinta jornada da Europa, já que todos os outros resultados se fixaram em empates plenos de desilusão, desde o campeão Porto ao débil Paços de Ferreira, precocemente eliminado à quarta ronda, depois da derrota frente ao Dnipro. 

Em trinta jogos efectuados entre Liga dos Campeões e Liga Europa, os cinco clubes apurados para a aventura das competições europeias apenas resgataram quatro vitórias, ou seja, 13% da totalidade dos jogos até agora realizados. As três vitórias pertencem a Benfica (duas, ambas frente ao Anderlecht), Porto (em Viena) e Vitória em Guimarães (em casa contra os croatas do Rijeka). A fraquíssima e frouxa prestação das equipas portuguesas traduz-se, irremediavelmente, num tristonho percurso repleto de percalços, perante os quais nenhuma formação passou incólume: o Paços foi afastado na quarta ronda, Estoril e Vitória ficaram pelo caminho à quinta. Benfica e Porto estão no limbo, não dependendo de si para garantir a passagem aos oitavos-de-final da liga milionária. 

Um Porto pouco antes visto

Em três jogos efectuados em casa, o FC Porto foi incapaz de vencer qualquer um deles: uma actuação ímpar quando analisamos os últimos anos da equipa portista na competição. Paulo Fonseca tarda em convencer os adeptos azuis e brancos, e, em pleno Dragão, o campeão voltou a sucumbir ao empate, mesmo quando tinha tudo à mercê para ultrapassar o Zenit na classificação: os russos cederam um empate contra o Atleti e em caso de vitória portista desceriam até ao terceiro posto. Ao Porto resta agora vencer o líder do grupo, o Atlético, esperando que o Zenit perca pontos frente ao Austria Viena.

Benfica vence com a táctica dos solavancos

Rodrigo marcou aos 90 minutos e chorou, impedindo choradeira maior entre os adeptos encarnados, que viam um 2-2 fatal atirar as suas esperanças borda fora. O golo do hispano-brasileiro reanimou um Benfica praticamente morto, que agora necessita de vencer o líder Paris Saint-Germain e esperar que o Olympiakos não vença os belgas do Anderlecht. Jesus começou a partida decisiva num 4-3-3 que depressa redundou num 4-2-3-1 feito de adaptações (Markovic e Enzo), e as «águias» foram marcando e sofrendo ao ritmo do solavanco táctico que tem pautado a formação da Luz.

Vitória só houve uma: a primeira e mais nenhuma

O Vitória de Guimarães entrou com pujança na Liga Europa, goleando o Rijeka por 4-0. Depois desse brioso triunfo, um excelente empate frente ao Lyon se seguiu, e, daí para a frente, só desilusões: duas derrotas contra o Bétis e ontem um nulo confrangedor contra os croatas. O Vitória teria de ter batido o Rijeka para manter as suas aspirações intactas, mas o seu parco futebol foi insuficiente para continuar a sonhar. Depois de um jogo sem história, deixou de haver história europeia para contar. Barrientos ameaçou marcar aos 15 minutos, e Tomané aos 89 viu o golo ser-lhe negado por Vargic, guardião croata: pouco para o vencedor da Taça de Portugal da passada época.

Estoril disse adeus mas promete voltar

Surpresa nacional contínua, o Estoril era a equipa com menos exigências nesta aventura europeia. Nunca renunciando ao seu estilo próprio, o Estoril foi-se batendo de igual para igual contra os opositores, mas cedo se percebeu que a equipa de Marco Silva é jovem demais para as andanças internacionais. Sem ter conseguido alcançar uma vitória na competição, o Estoril caiu ontem, finalmente, ao empatar estoicamente com o Sevilha no Sanchez-Pizjuán: Gameiro inaugurou o marcador aos 7 minutos, e Rúben Fernandes, a passe de Balboa, empatou, perto do minuto 90. Talvez este ano empreste experiência ao conjunto «canarinho», que, pelo futebol apresentado, parece prometer voltar às lides europeias.

O Paços da Europa já era

À partida para esta jornada, a Europa era já uma falsa realidade para o Paços: a equipa estava eliminada desde a derrota frente ao Dnipro, por 2-0 e a pouco poderia almejar ontem, em termos futuros, senão à defesa da honra, que, diga-se, já iria sempre tarde demais. A Fiorentina jogou em clara contenção de esforço, enquanto que o Paços tentava agigantar para roubar uma vitória às probabilidades. O jogo terminou num enfadonho 0-0 e ao Paços resta o jogo da despedida, contra os romenos do Pandurii.  

Classificações

Grupo C (Liga dos Campeões)

Clubes J V E D P
Paris Saint-Germain 5 4 1 0 13
Olympiakos 5 2 1 2 7
Benfica 5 2 1 2 7
Anderlecht 5 0 1 3 1

Grupo G (Liga dos Campeões)

Clubes J V E D P
Atlético Madrid 5 4 1 0 13
Zenit 5 1 3 1 6
FC Porto 5 1 2 2 5
Austria Viena 5 0 2 3 2

Grupo E (Liga Europa)

Clubes J V E D P
Fiorentina 5 4 1 0 13
Dnipro 5 4 0 1 12
Paços Ferreira 5 0 2 3 2
Pandurii 5 0 1 4 1

Grupo H (Liga Europa)

Clubes J V E D P
Sevilha 5 2 3 0 9
SC Friburgo 5 1 3 1 6
Slovan Liberec 5 1 3 1 6
Estoril 5 0 3 2 3

Grupo I (Liga Europa)

Clubes J V E D P
Olympique Lyonnais 5 2 3 0 9
Real Bétis 5 2 2 1 8
Vitória SC 5 1 2 2 5
Rijeka 5 0 3 2 3
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