Raio X ao Leão: Marcos Rojo
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O Estudiantes de La Plata é conhecido por ser um dos grandes clubes da América do Sul e um dos maiores vencedores da história da Taça Libertadores da América, com 4 triunfos. A última conquista data de 2009, por uma equipa comandada em campo pelo eterno Juan Sebastian Verón e onde brilhava o benfiquista Enzo Perez. Nesse conjunto, liderado por Alejandro Sabella – actual seleccionador argentino –, despontava um promissor defesa central, que o treinador argentino tratou de transformar em lateral esquerdo. O seu nome: Marcos Rojo.

Faustino Marcos Alberto Rojo nasceu em La Plata, Argentina, no dia 20 de Março de 1990. O jovem que um dia admitiu que, se não fosse o futebol, provavelmente seria pedreiro, chegou cedo ao Estudiantes, onde cumpriu toda a sua formação futebolística. Central de raiz, subiu à equipa principal do histórico emblema argentino, em 2009, pela mão de Alejandro Sabella. Apesar da forte compleição física e da estatura elevada, Sabella rapidamente se apercebeu de que Rojo tinha capacidade técnica e velocidade a mais para se limitar ao eixo defensivo. Tratou de improvisar, colocando-o na lateral esquerda, e o fã de Roberto Ayala correspondeu de tal maneira que foi efectivado na posição. Foram os melhores anos da história recente do clube argentino, que culminaram com a conquista de uma Copa Libertadores da América, um Torneio Apertura e um Vice-Campeonato Mundial de Clubes. A equipa de Sabella só cairia aos pés do Barça de Guardiola nos minutos finais do prolongamento. O promissor Rojo foi titular e teve uma noite inspirada ao travar duelos intensos com ninguém menos do que Lionel Messi.

Marcos Rojo ao serviço da selecção argentina, em 2011 (Foto: Fanny Schertzer).

Uma vida de leão

Mesmo preferindo jogar a central, foi na lateral que Rojo cresceu em La Plata e acabou por se transferir precocemente para a Rússia. Deixou para trás uma vida inteira representando os leões argentinos, onde profissionalmente somou 43 jogos e três golos. Rumou em 2011 ao Spartak de Moscovo, mas nunca se conseguiu adaptar ao rigoroso inverno russo. Apesar de ser constantemente lembrado pela selecção argentina, a sua inadaptação aos costumes locais foi quase total. Numa temporada e meia em Moscovo, jogou apenas 17 veze,s e a sua saída tornou-se inevitável. O jovem, que adorava comer frango à milanesa com batatas fritas, jogar playstation e ouvir cumbia estava a perder a alegria em solo russo. Apesar de escondido no gelo moscovita, quando a saída se tornou pública, não faltaram pretendentes ao seu concurso. Com destaque para dois rivais: Sporting e Benfica. Os encarnados pareciam levar vantagem graças à sua saúde financeira e ao namoro antigo que tinham com o jogador. Jorge Jesus acreditava que Rojo poderia finalmente sanar os problemas do lado esquerdo da defesa encarnada. O defesa/lateral não escondeu o entusiasmado com a possível ida para a Luz, mas surpreendentemente acabou por rumar a Alvalade. No momento em que foi apresentado e voltou a vestir de leão ao peito, explicou o porquê da sua escolha: «O Sporting tratou-me muito bem, desde o princípio. Mostrou sempre muito interesse em mim. Ligava-me todos os dias a dizer que precisava de mim e que eu podia ser importante aqui. Eu senti que eles precisavam muito de mim e que eu precisava muito de um clube assim, por isso escolhi o Sporting.»

De fiasco a indiscutível

A chegada de Rojo custou aos cofres leoninos algo em torno de 5 milhões de euros. Foi com grande expectativa que os adeptos sportinguistas receberam o jogador argentino, que, apesar de todo o entusiamo à sua volta, teve uma primeira época para esquecer. Em fase de adaptação ao futebol lusitano e de regresso à sua posição de origem – não actuava a defesa central há vários anos – Rojo sofreu com as constantes lesões musculares e as trocas de parceiros na defesa e de comandantes no banco sportinguista. Com a chegada de Jesualdo Ferreira e a colocação e Tiago Ilori a seu lado, o esquerdino conseguiu um final de época tranquilo e deixou boas perspectivas para a temporada 2013/14. Devido ao elevado salário e à fraca primeira temporada, muito se especulou sobre a saída do argentino. Roma, Inter de Milão e Catania foram os nomes mais ouvidos na comunicação social, porém, Leonardo Jardim recusou perder o polivalente defesa e fez dele um imprescindível dos leões. Seja com Dier, Maurício ou esporadicamente na lateral, Rojo tem estado a um nível altíssimo: concentrado, veloz, a liderar a defesa e a mostrar eficácia no ataque já facturou duas vezes esta época. A juntar às boas exibições em Portugal, manteve a confiança de Sabella na selecção argentina. O homem que o lançou profissionalmente não abdica dele para assumir a titularidade no lado esquerdo da defesa argentina no Mundial de 2014 no Brasil.

Sonho da Premier League

A juntar ao sucesso profissional está a estabilidade familiar. Casado e pai de uma menina, o defesa verde e branco evita os excessos, não troca a noite pelo dia e tem uma vida regrada fora de campo – é comum encontrá-lo a fazer exercício extra em ginásios mesmo depois de treinar no Sporting. Adepto confesso de tatuagens – ainda recentemente fez uma em homenagem ao seu Estudiantes – e das redes sociais, Marcos Rojo vai publicamente esbanjando alegria com o momento que vive no Sporting. Na vida do fã de David Ginóbili e do filme The Guardian – com Kevin Costner e Ashton Kutcher – muita coisa mudou, mas o sonho de rumar à Premier League e ao Manchester United ainda continuam vivos e, tendo em conta os seus recentes desempenhos, Rojo poderá sonhar à vontade, já que tem mostrado categoria para isso. Enquanto o sonho não se torna realidade, porém, o defesa argentino vai enchendo de esperança milhões de sportinguistas sedentos de triunfos.

Alguns dos melhores momentos de Marcos Rojo:

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