Raio X à Águia: Lima
Rodrigo José Lima dos Santos, conhecido no mundo do futebol como Lima, é um daqueles casos de notoriedade tardia. O avançado brasileiro foi, nos primeiros anos da sua carreira profissional, um jogador apenas mediano, com números também eles modestos para o que se exige a um jogador de área. Porém, a chegada a Portugal (ou o regresso, visto que já tinha jogado por cá) marcou a explosão de talento e de golos do avançado nascido em Montalegre, no Estado do Paraná.

Primeira experiência em Portugal ainda jovem

Lima era ainda um miúdo de 20 anos, acabado de sair dos escalões de formação, quando teve a primeira oportunidade de sair para a Europa. Portugal foi a porta de entrada, como em muitos outros casos de jovens jogadores brasileiros. A lingua, a cultura, o clima, tudo factores que contribuem para uma rápida e fácil adaptação. Só que Lima chegou a Portugal para jogar na então II Divisão B, zona norte.
O seu treinador no Vizela, José Garrido, desfaz-se em elogios ao avançado mas recorda que a sua passagem por Vizela não correu bem: «O único senão que levou o Lima a não se impor no Vizela foi o facto de ter vindo muito jovem. Ele veio em Dezembro, teve pouco tempo de adaptação e no final da época acabou por regressar ao Brasil. Era um excelente jogador e homem, mas não lhe foi dado tempo». Lima acabou por regressar ao Brasil pela porta pequena. E aí, com dificuldade e sacrifício, subiu degrau a degrau até ao topo.

Notoriedade no Brasil

Não se pode dizer que Lima seja um nome conhecido no futebol brasileiro. Mas depois de regressar ao seu país, o avançado conseguiu construir uma carreira ascendente que teve o ponto alto com a chegada ao Santos. Embora nunca tenha sido figura de proa do histórico clube, Lima ganhou aí alguma notoriedade. Mas acabou saindo para o Avaí, em 2009, de onde seguiu para Portugal... outra vez.

Regresso a Portugal pela porta de Belém

Lima opta pelo Braga
Lima começou a dar nas vistas no Belenenses (Foto: Getty Images)
Na época 2009-2010, Rodrigo Lima regressa a Portugal, para ingressar no Belenenses. À beira de completar 26 anos, este era o teste de fogo para a carreira do avançado. E Lima agarrou a oportunidade com unhas e dentes. O Belenenses, então treinado por João Carlos Pereira, acabou descendo de divisão mas o avançado deixou a sua marca, com 12 golos marcados em todas as competições. A performance despertou interesse de vários clubes e acabou por ser o Sporting de Braga, acabado de perder a luta pelo título, a garantir os seus serviços.
Lima ficou em Braga apenas duas temporadas. Mas foram dois anos fantásticos. O avançado jogou pelos bracarenses por 98 ocasiões e apontou 40 golos. Com o Braga chegou a uma final da Liga Europa, momento alto da história do clube. E foi no Braga que teve, quiçá, a melhor noite da sua carreira. No dia 24 de agosto de 2010 o Braga jogou no terreno do Sevilha para playoff da Liga dos Campeões, depois de vencer a equipa espanhola por 1-0 no Estádio AXA. Em Sevilha, Lima apontou 3 golos na vitória bracarense por 4-3. Momento histórico para o clube minhoto e para o avançado.

Golos aguçaram apetite das águias e dos dragões

Em Braga, os golos de Lima deixaram saudades (Foto: Sapo)
As excelentes prestações de Lima ao serviço do Sporting de Braga não deixaram os grandes clubes nacionais indiferentes. Durante algum tempo Lima foi dado como certo no Dragão, sobretudo quando parecia certa a saída de Hulk. A saída do Incrível da invicta foi sendo adiada e o Benfica antecipou-se na corrida ao avançado bracarense, batendo a cláusula de rescisão.
Lima chega ao Benfica no início da temporada 2012-2013, depois de mais um ano muito produtivo no Minho. O Benfica tinha um leque impressionante de avançados mas o brasileiro não se intimidou. Nem com o facto de ter sido o escolhido para ocupar a vaga de Saviola, avançado muito apreciado pelos adeptos encarnados. Lima chegou, viu e venceu. De início eram muitas as reticências em relação à viabilidade de um Benfica com Cardozo e Lima na frente de ataque, dois verdadeiros pontas de lança. Jorge Jesus acabou por não resistir em apostar na dupla e Lima justificou a aposta, com uma primeira temporada ao serviço das águias quase perfeita. Faltaram, claro, os títulos, depois do final de temporada desastroso onde tudo se perdeu.

Ponta de lança, segundo avançado e ambidestro

Na Luz Lima continua a fazer o que melhor sabe: golos. (Foto: Fábio Poço, Global Imagens)
Ainda não vai a meio a segunda temporada de Lima de águia ao peito mas os números impressionam. Ao todo, o avançado apontou 37 golos pelos encarnados nos 67 jogos realizados (média acima do golo de dois em dois jogos). A temporada passada, porém, foi bem mais produtiva do que está a ser esta.
Lima é um ponta de lança diferente do habitual. O brasileiro faz da mobilidade uma das suas maiores armas. E foi aí que Jesus encontrou a solução para a dupla com Cardozo, colocando-o nas costas do paraguaio. A sua rapidez permite-lhe ser construtor e finalizador. Outro dos seus pontos fortes é a habilidade para jogar com os dois pés, apesar de se notar alguma diferença quando opta pelo pé direito, o seu preferido. Porém, quando recorre à perna esquerda, as coisas também saem com naturalidade.
O início da temporada 2013-2014 tem sido atribulada e algumas críticas têm sido apontadas ao avançado da camisola 11. De facto, o brasileiro tem estado mais desinspirado que o habitual, sobretudo na cara do golo. Um momento de forma menos bom que, para mal do Benfica, coincide com a lesão de Cardozo. E o ataque ressente-se.

Selecção Nacional da mira

Actualmente com 30 anos, Lima está há mais de 5 em Portugal. E, por tal, reúnde todas as condições para ganhar a nacionalidade portuguesa. Este facto ligado a uma debilidade evidente no ataque da Selecção Nacional levaram a que o seu nome fosse ventilado para a equipa das quinas. Lima mostrou-se desde logo disponível, agradecido a tudo o que Portugal lhe deu. Paulo Bento tem a palavra. O seleccionador, antes de ocupar este cargo, mostrou-se contra os naturalizados mas as portas parecem abertas para Fernando, trinco do FC Porto. A decisão está nas mãos do técnico.
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