Adormecer na primeira parte, acordar na segunda e vencer estremunhado

Depois da vitória farta do FC Porto sobre o frágil Olhanense, que apesar das suas fraquezas deu água pela barba ao Benfica na semana passada, o Benfica entrou no terreno do Vitória de Setúbal com uma pressão adicional que obrigava os encarnados a vencer a todo o custo. Além do momentâneo atraso para os «dragões», o Benfica levava dois pontos de atraso para o líder Sporting, que apenas joga hoje, em casa, diante do Nacional. No Bonfim, a pressão sentiu-se durante os primeiros 45 minutos, onde as «águias» nunca sequer chegaram a levantar um único voo, por muito rasteiro que fosse: péssima exibição e nem um único remate, digno de registo, à baliza do guardião sadino Kieskek. Na segunda parte, um rasgo de belo efeito quebrou a monotonia dormente da partida, e a partir daí o Benfica controlou o jogo sem percalços ou contratempos. O ascendente encarnado contrastou com a desistência sadina - no regresso de Jorge Jesus ao banco de suplentes, o 2-0 obtido segura o Benfica na partilha, com o Porto, do primeiro lugar da Liga Zon Sagres. Hoje, o Sporting terá a palavra e, em caso de vitória, ascenderá de novo à liderança do campeonato.

Rematar? Só em sonhos...

A primeira parte foi impactante, não pelo domínio claro do Vitória, mas pela nulidade do futebol apresentado pelo Benfica: 45 minutos decorreram sem que a formação visitante tivesse esboçado um lance de perigo, sequer um remate à baliza do guarda-redes Kieszek. A equipa de José Couceiro apresentou-se num 4-2-3-1 reforçado com dois médios defensivos (Dani e Tiba) e Miguel Pedro na média ofensiva, coadjuvado por Ricardo Horta e Rafael Martins nas extremidades. No ataque, Rámon Cardozo era a seta paraguaia pronta a trespassar a defensiva encarnada, que tinha como última barreira a presença do debutante Jan Oblak, que se estreou como titular em jogos da Liga portuguesa. O Benfica, por seu turno, apresentou o seu habitual esquema 4-2-4 com a dupla sérvia Matic e Fejsa a comandar o centro nevrálgico da equipa, Enzo deslocado para as alas fazendo companhia a Gaitán, e Rodrigo emparelhado com Lima na linha da frente. No confronto táctico o Vitória começou por levar a melhor: foi capaz de anular o bimotor sérvio do Benfica e cortar as asas da «águia», presa de movimentos e desprovida de ligação entre linhas, sem criatividade ou imaginação para quebrar a organização dos sadinos, que foi prevalencendo. No centro do relvado, a dupla Matic/Fejsa não conseguia imprimir posse de bola contínua nem profundidade vertida nos flancos, onde Enzo e Gaitán se iam sentido perdidos. 

Enzo Pérez foi destacado para alinhar pelos corredores (primeiro pelo esquerdo, depois pelo direito) mas o argentino fazia denotar a sua falta...no meio-campo, zona do terreno orfã de criatividade e capacidade de transição rápida. Matic, em fraca forma, e Fejsa, nulo na distribuição de jogo, deixavam o meio-campo deserto com o deserto de suas ideias. O Vitória de Setúbal, apesar de controlar um ritmo que lhe interessava, também não se aventurava. O que ficou, desta feita, para a história deste jogo nos primeiros 45 minutos? Nada, absolutamente nada.

Benfica acordou com um passe de Gaitán

O leve ascendente do Vitória, baseado nas arrancadas de Rafael Martins e nas subidas de Tiba, sofreu um baque ao minuto 54, altura em que o despertador encarnado tocou: Gaitán cruzou com conta, peso e medida, a bola sobrevoou a defensiva sadina e encontrou a cabeça de Rodrigo, que a desviou para o fundo das redes. Já com Enzo de regresso ao meio-campo, o Benfica passou a controlar o jogo e, apesar de montar um futebol intermitente, viu o adversário ceder à desvantagem. Lima aumentou a contagem, com a marcação impecável de uma grande penalidade, a penalizar mão do médio Dani dentro da grande área. Minuto 69 e Lima, ao marcar pelo quinto jogo consecutivo, disparou o golpe final num Vitória que abdicou, talvez por cansaço, de correr atrás do resultado. 

Dupla de ataque voltou a deixar marcas

É caso para dizer que não tem sido a ausência de Cardozo que tem pesado ao Benfica ultimamente: o jogo de ontem veio, de novo, provar, que a dupla atacante composta por Rodrigo e Lima, tem sido suficientemente proficiente, repetindo golos e sendo vital na obtenção de vitórias. Desde a partida em Bruxelas, contra o Anderlecht, que, ora Rodrigo, ora Lima, têm saboreado o paladar do golo: Rodrigo decidiu o 2-3 diante do Anderlecht, Lima e o mesmo Rodrigo marcaram os 3 golos do triunfo encarnado em Vila do Conde, a dupla voltou a fazer estragos no empate frente ao Arouca (2-2). Lima reincidiu, contra o Paris Saint-Germain (2-1) e depois em Olhão, no 2-3. No total, os dois avançados móveis valem 10 golos nos últimos 6 jogos da «águia»: 4 para a Liga Zon Sagres e 2 para a Liga dos Campeões. Lima, que soma agora 8 golos nesta época, está apenas a um do artilheiro paraguaio, Cardozo, que apesar da lesão longa ainda é o marcador mais eficiente do Benfica: com 12 aparições, «Tacuara» assinou 9 tentos, Lima precisou de 19 jogos para rubricar os seus 8 golos. Rodrigo tem na sua conta pessoal 5 golos nos 15 jogos que disputou. 

Oblak estreou-se a titular na Liga

Jogador dos quadros do Benfica desde a época de 2010/2011, o jovem esloveno de 20 anos, Jan Oblak, teve frente ao Vitória de Setúbal, finalmente, a oportunidade de vigiar a baliza da «águia» na condição de titular em jogos do campeonato nacional. Depois de se ter estreado no jogo em Olhão, substituindo Artur (que saiu com uma sub-luxação no ombro), Oblak realizou, como primeira escolha, o seu primeiro jogo na Liga Zon Sagres, mantendo as redes encarnadas invioladas durante os 90 minutos. Seguro nas divididas aéreas e sólido nas saídas, o internacional sub-21 esloveno «agarrou» um debute imaculado e, embora o trabalho tenha sido reduzido, a segurança que apresentou poderá valer-lhe nova oportunidade no campeonato.

 

«Na segunda parte alterámos posicionamentos», disse Jesus

Jorge Jesus voltou ao banco de suplentes em contexto nacional, depois de cumprir castigo. O técnico reconheceu que a partida não começou de feição para a sua equipa mas viu um Benfica reanimado na segunda parte: «Na primeira parte tivemos dificuldades, com o Vitória de Setúbal a defender muito bem. Na segunda parte alterámos posicionamentos, tivemos outra ideia de jogo e o jogo tornou-se mais fácil (...)», explicou o treinador benfiquista na conferência de análise ao jogo. Já Couceiro, técnico que tem reavivado a chama sadina, lamentou a eficácia do adversário: «O Benfica marcou na primeira oportunidade», disse, mostrando-se insatisfeito com a derrota: «Sabemos que o Benfica tem um grande potencial e que ia ser difícil mas uma derrota é uma derrota». Com este resultaado (0-2), o Benfica cola-se a Porto na liderança provisória do campeonato.

VAVEL Logo