Nem com golo Leão desfez o nulo
Adrien lutou muito, mas em vão.

Os «leões», galvanizados por um apoio ensurdecedor das bancadas de Alvalade, entraram em campo com o mesmo onze que goleou o Beleneneses na anterior jornada, em busca dos três pontos que lhes devolvessem a liderança solitária do campeonato à 14ªjornada. O Sporting, porém, não foi além de um caseiro empate a zeros, repartindo-se os pontos entre Lisboa e a Madeira, e sucedendo o Nacional em fechar as contas de 2013 com «leões», «dragões» e «águias» nos três primeiros lugares, respectivamente, mas com os mesmos 33 pontos.

Primeiro tempo de grande agressividade

A equipa de Jardim cedo assumiu as rédeas do jogo, mas encontrou pela frente um muro madeirense, que concedia pouco espaço ao ataque leonino. O Sporting construía boas e frequentes jogadas, mas que acabavam por falhar sempre no último toque. Montero, isolado na área, sentia a ausência do apoio da dupla Adrien-Martins, já que o Sporting parecia jogar com as suas linhas mais afastadas entre si, sem a solidariedade e capacidade de pressão que vinha demonstrando ao longo da temporada. Numa das poucas bolas que ganhou ao intransponível Mexer, o colombiano foi derrubado, e na cobrança da falta, o pontapé de André Martins só desviou nas mãos de Gottardi, que precisou de se aplicar, fazendo a bola sair para canto. Era a primeira boa oportunidade da partida, aos 17 minutos.

A meio da primeira etapa, o Sporting voltou a estar perto do golo. Aos 30 minutos, Adrien faz um túnel fantástico a um adversário e solta para Montero, em terrenos interiores, que de seguida isola Carrillo, a abrir na esquerda. O peruano, em arco, tenta o chapéu, mas a bola sai pouco ao lado da baliza insular. Os leões até dominavam a partida, mas a grande chance do primeiro tempo pertenceria mesmo ao Nacional. Com Patrício totalmente batido, Lucas, a poucos metros da linha de golo, desperdiçou de cabeça uma oportunidade de ouro para abrir o marcador. Estavam então decorridos 38 minutos de jogo. Até final, as constantes entradas violentas de parte a parte – patrocinadas pelo árbitro Manuel Mota – impediram as duas equipas de apresentar um futebol de qualidade. O juíz de Braga deixou jogar em demasia, sendo muito permissivo em jogadas que justificariam o amarelo e algumas até mesmo o vermelho, como a violenta tesourada de Zainadine sobre Jefferson, aos 44 minutos, que procurava interiorizar o jogo junto à linha de fundo. Apesar dos muitos protestos leoninos, o árbitro não entendeu haver sequer motivo para assinalar falta.

Mais do mesmo

Na segunda etapa, devido a uma das muitas entradas violentas não sancionados pelo árbitro, André Martins ficou no balneário, devido a lesão. O argelino Slimani substituiu o 8 dos leões e juntou-se a Montero no ataque leonino. A alteração não surtiu o efeito desejado, já que os leões não conseguiram criar volume ofensivo para servir a dupla atacante e acabaram por perder, assim, a organização e posse a meio-campo, com menos um homem no interior do terreno.

O Nacional, bem postado defensivamente, ia tentando reter a bola e puxar os contra golpes. Num desses lances, Diego, inesperadamente isolado na cara de Patrício, não conseguiu melhor do que atirar ao lado, desperdiçando uma chance de golo absurdamente incrível. Desorganizada e de forma incaracterística, a equipa de Jardim foi tentado de todas as formas chegar ao golo. E com uma dupla em destaque: Cédric e Slimani. Aos 53 minutos, o lateral cruzou para cabeceamento do argelino, com defesa segura de Gottardi. 11 minutos depois, Cédric voltou a cruzar e desta vez Slimani não perdoou. O argelino estava no sítio certo, subiu ao segundo andar sem oposição eficaz da defesa madeirsense, e bateu Gottardi, partindo toda a equipa para os festejos que, porém, se revelariam amargos, já que o golo seria anulado de forma muito duvidosa e com bastante atraso face à jogada. Se, num primeiro momento, e como Manuel Machado se queixa, Montero choca com um central insular – sem que o árbitro vislumbre nessa acção qualquer irregularidade –, a jogada depois prossegue para novo cruzamento e não parece existir qualquer falta de Slimani sobre o central Miguel Rodrigues, no cabeceamento para o golo.

Até final, o Nacional protegeu a bola e não concedeu espaço a um atabalhoado e desnorteado leão, que sentiu o golpe e não teve forças para reagir. Em suma, um jogo muito agressivo, com uma arbitragem sem critério – deixou jogar demais no primeiro tempo e apitou em excesso no segundo. O Nacional, tacticamente irrepreensível, perdoou nos contra-golpes, enquanto o Sporting, trapalhão e num dia negativo, foi incapaz de quebrar o muro madeirense.

Jardim confuso e Machado satisfeito

No final da partida, o treinador Leonardo Jardim, sempre afiançando que «O Sporting nunca perdeu nenhum jogo por culpa de arbitragem.», deixou porém suspeitas sobre a arbitragem de Manuel Mota: «Depois da falta que o Jefferson sofreu na primeira parte, se não é falta, aquele ali [lance do golo anulado a Slimani] nunca poderá ser falta. Assim, como é que vou explicar o critério do árbitro aos meus jogadores?» O técnico verde e branco explicou ainda a alteração táctica a que procedeu ao intervalo e reforçou a confiança que tem nos seus jogadores: «Com a lesão do André perdemos a capacidade de posse, mas ganhámos presença na área do Slimani, e foi assim que criámos as duas chances de golo. A equipa é líder do campeonato e não percebo por que perderia a confiança.»

O técnico do Nacional, Manuel Machado, revelou estar de acordo com a decisão do árbitro ao anular o golo leonino: «Era só escolher se queria falta do Montero ou do Slimani. Havia duas faltas e acho redutor definir tudo o que se passou em 94 minutos só a um lance. Isso não contribui nada para engradecer o futebol. São questões que têm de colocar ao Sporting e não a mim.» No final, o treinador visitante estava feliz com a exibição da sua equipa e com o ponto conquistado em Alvalade: «Por defrontarmos o líder no seu terreno, previa-se um jogo muito difícil, mas demos uma boa resposta e tivemos inclusive as duas melhores chances do jogo. E assim só nos podemos queixar de nós próprios pela nossa falta de eficácia.»

VAVEL Logo