«A nossa ideia de jogo é arriscada»
Jorge Jesus ressalvou o cariz atacante do ADN da sua equipa

«A nossa ideia de jogo é arriscada»

Jorge Jesus voltou a sair satisfeito do relvado da Luz, depois de mais uma vitória em casa, novamente por 2-0. FC Porto e Leixões já tinham sofrido com a mesma receita, ontem foi a vez do Marítimo. Dois golos de Rodrigo sentenciaram o triunfo benfiquista; Jorge Jesus elogiou o momento do avançado e sublinhou o pendor ofensivo da equipa, facto que, segundo o técnico, haverá sempre de constituir um risco

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Jorge Jesus era, compreensivelmente, um homem satisfeito quando enfrentou as perguntas dos jornalistas, ontem, depois da vitória frente ao Marítimo e da consequente manutenção da liderança da Liga Zon Sagres. Aplicado o mesmo resultado verificado contra Porto e Leixões, o Benfica regressou ao comando do campeonato, exorcizando-se da derrota averbada na primeira jornada, frente ao mesmo Marítimo de Pedro Martins. Na conferência de imprensa pós-jogo a que o VAVEL.com assistiu, Jesus elogiou o momento profícuo de Rodrigo (seis golos nos últimos seis jogos) e ressalvou a competência da equipa, que voltou a não sofrer golos (já lá vão seis partidas em branco) e alertou para o mês árduo que se aproxima: Fevereiro será, para o Benfica, a ferro fogo jogado, com 8 partidas no calendário encarnado. Por seu turno, Pedro Martins reconheceu a superioridade contrária e culpabilizou os erros da sua linha recuada.

Táctica: a quanto desgaste obrigas

Um dos focos da conferência do treinador foi directamente para o tema do cansaço físico relacionado com a forma dinâmica e fulgorante de actuar da equipa encarnada. Jesus explicou o porquê do desgaste, alertando para o Fevereiro que se aproxima: «A nossa forma de defender, com uma pressão muito alta, obriga-nos a um desgaste muito grande», elucidou o técnico, que fez questão de deixar um aviso futuro: «Todos os jogadores do plantel do Benfica têm de estar à altura das exigências. Em Fevereiro, o Benfica terá oito jogos e todos têm de estar preparados», lembrou. A saída de Matic e a dúvida quanto ao futuro de André Gomes serão, certamente, achas para a fogueira do desgaste das «águias», que poderão ficar reduzidas a Fejsa, Enzo e Amorim no meio-campo encarnado. O treinador explicitou ainda que a «ideia de jogo» da sua equipa é «arriscada», factor que se traduz numa voracidade ofensiva considerável, marca genética deste Benfica de Jesus. 

Rodrigo de volta ao «Rodrigo de há um ano»

A forma goleador de Rodrigo mereceu da parte Jesus um elogio que, à data, parece ser de constatação óbvia. O avançado tem concretizado as suas chances e repetiu a proeza frente ao Marítimo, bisando: «O Rodrigo está a voltar àquele Rodrigo de há um ano e pouco, que jogava a um nível alto. É um jogador rápido, que executa bem. Está muito moralizado, confiante e tem vindo a fazer golos. O golo é o pão dos avançados», afirmou Jesus. A jogador tem feito dupla com Lima e ambos têm rendido golos em catadupa, desde que Cardozo abandonou o onze devido a lesão. Os dois benfiquistas contam, entre si, 20 golos assinados nesta época, 10 tentos para cada um. 

«Erros infantis», aponta Pedro Martins

O técnico dos verde-rubros, Pedro Martins, era um homem resignado com a justiça da derrota, reconhecendo na conferência de imprensa de análise do jogo que o adversário foi a melhor equipa em campo, aludindo, para tal, aos erros cometidos pela sua formação: «Cometemos dois erros infantis e isso a este nível é imperdoável. Só a partir do primeiro golo do Benfica é que reagimos. Na segunda parte pressionámos mais mas não foi um bom jogo. O Benfica merece justamente este resultado», comentou, fazendo ainda referência a um golo marcado em fora-de-jogo, o 2-0, na sequência de um mau alívio de João Diogo. O estado do relvado acabou, igualmente, por merecer um reparo do treinador dos «leões da Madeira»: «Não foi um bom jogo, o estado do relvado não ajudou a praticar bom futebol». 

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