FC Porto sem comandante navega até às meias finais

Antes do apito inicial no Estádio do Dragão, a curiosidade era imensa para ver quem passaria às meias finais da Taça da Liga. Sporting e FC Porto encontravam-se separados apenas por um golo a mais que os dragões tinham marcado frente ao Penafiel. Previa-se uma luta intensa na procura de golos e, principalmente, com um olho sempre à espreita do que o adversário directo estaria a fazer no outro campo. 

A verdade é que os jogos não começaram sincronizados como se previa. O jogo do FC Porto começou com cerca de 4 minutos de atraso em relação ao jogo que se realizava em Penafiel. Contudo, foi importante verificar a mudança que Paulo Fonseca protagonizou na equipa: sem Lucho González, Defour surgiu como médio "box to box" que auxiliaria Fernando nas tarefas defensivas e apoiava Carlos Eduardo na criação de espaços atacantes. Outra mudança feita foi no que toca à braçadeira de capitão, Maicon tornou-se o capitão visto que, por exemplo, Helton também não estava em campo.

Vendaval chamado Marítimo 

O FC Porto apresentou-se na máxima força, trocando apenas de guarda redes, procurando assim a vitória e o consequente apuramento. Já o Marítimo tinha algumas baixas importantes o que não lhe inibou de ter uma entrada forte em campo.  Exercendo uma pressão alta, a estratégia de Pedro Martins, técnico do Marítimo, parecia surtir efeito visto que o FC Porto não conseguia ser rápido o suficiente para penetrar na defesa maritimista. Apesar do FC Porto controlar a posse de bola, a verdade é que nas recuperações rápidas de bola, quer Fidélis quer Danilo Dias pautavam a rapidez de movimentos de toda a equipa insular.  A equipa do FC Porto não encontrava soluções para trocar a bola a seu belo prazer sendo que acabavam por efectuar passes demasiado arriscados devido à falta de criatividade e sobretudo a esta surpresa táctica de pressão veloz e alta da equipa do Marítimo.

2 minutos, 2 golos

Apesar da sólida exibição em todas as vertentes que o Marítimo desempenhava a verdade é que esses 15 minutos de surpresa maritimista não se reflectiram no marcador. Aos 20 minutos de partida, numa jogada de perfeito entendimento entre Carlos Eduardo, Jackson Martinez e Defour, o belga chuta para uma boa intervenção do guarda redes Wellington, ficando a bola à mercê do sempre oportuno e letal ponta de lança Jackson que inaugurou assim o marcador. Perante o golo marcado pelo Penafiel frente ao Sporting, parecia tudo estar a conjugar-se para uma passagem fácil por parte do FC Porto. Porém, o FC Porto não pôde galvanizar-se com o golo marcado visto que a velocidade da frente de ataque do Marítimo deu frutos... através de uma defesa. Um minuto depois do golo dos dragões, numa réplica do golo de Jackson, Fidélis remata com tudo para a baliza, Fabiano defende e surge o defesa João Diogo que finaliza a jogada com um toque para a baliza portista. Estava feito o empate que se justificava inteiramente. 

Reviravolta no marcador

O FC Porto voltou a controlar o jogo, contudo era um domínio que não criava oportunidades claras de golo. Jogadas lentas, com um certo receio dos contra ataques venenosos da parte do Marítimo. Varela e Quaresma não se mostravam ao jogo, o que não ajudava também à finalização de Jackson. Era uma posse controlada pelos pupilos de Pedro Martins, verificando-se as únicas oportunidades de perigo por Carlos Eduardo e Defour.  Mas coube ao Marítimo a cambolhota no resultado. Aos 34 minutos de partida, o inevitável Danilo Dias, um dos melhores em campo pela sua irreverência, ultrapassa Mangala e cruza à bola que chega a Artur que, num remate cruzado e certeiro, faz o segundo golo do Marítimo e empurra os dragões para uma situação desfavorável. Era o compensar de uma estratégia perfeitamente oleada por parte de Pedro Martins.  Era importante para o FC Porto reagir, pois o Sporting empatava em Penafiel e colocava-se com um pé nas meias finais. Paulo Fonseca não tardou a mexer e ainda antes do intervalo colocou Josué em campo em detrimento de Fernando promovendo assim aquilo que era vísivel que faltava aos dragões: criatividade e rasgos atacantes. 

Mais do mesmo no regresso dos balneários

Era de esperar um FC Porto muito mais acutilante na segunda parte, que encostasse a equipa da Madeira "às cordas" de modo a inverter o resultado que teimava a irritar os adeptos portistas que não pareciam nada convencidos com a exibição portista (vários assobios foram ouvidos no intervalo).  Contudo, mais uma vez as expectativas de mudança saíram defraudadas. O FC Porto revelava-se mais atacante mas ao mesmo tempo revelava-se ineficaz, não criava perigo junto da área do Marítimo. Pouco ou nenhum trabalho teve Wellington no decorrer da segunda parte. Era necessário uma maior atitude portista se não comecaria a pesar na cabeça dos adeptos que a ausência de Lucho González, era mesmo um enorme revés sem hipótese de mundaça.  Weeks e Nuno Rocha controlavam eficazmente as inciativas dos dragões, permitindo que a velocidade de Artur, Danilo Dias e Fidélis viesse ao de cima. Estes jogadores eram como que um paradigma perante a falta de genialidade de Carlos Eduardo (o mais inconformado), Quaresma ou Varela. Para piorar a situção o Sporting colocava-se em vantagem, por 3-1, o que incutia nos jogadores do FC Porto uma necessidade urgente de começar a fazer triangulações e a criar oportunidades claras de golo, para marcarem por duas vezes

Esperança devolvida a pouco tempo do fim

Paulo Fonseca não podia esperar mais, tinha de fazer os possíveis para inverter esta situção negativa. Os trunfos foram lançados e o ataque era o único pensamento na cabeça dos jogadores do FC Porto. A frente de ataque agora era composta por Carlos Eduardo, Quintero, Varela, Quaresma, Ghillas e Jackson. Era o ir para o ataque sem pensar no revés que poderia acontecer. 

Mas, foi o Marítimo que esteve mais perto de sentenciar a partida com dois contra ataques perigosos finalizados pelo veloz Danilo Dias, que esteve a centímetros de ditar o afastamento do FC Porto das meias finais da Taça da Liga.  Tornava-se urgente para o FC Porto começar a carregar no acelerador, pois o Sporting estava com um pé e meio no primeiro lugar final deste grupo B. Aos 86 minutos, o Dragão pulava de alegria pela primeira vez neste final de partida. Num canto tenso cobrado por Josué na esquerda, Carlos Eduardo, um dos mais irreverentes e criativos em toda a partida, apareceu oportunamente ao segundo poste, cabeceando para dentro da baliza à guarda de Wellington.

Contas de cabeça... e um golo salvador

Em Penafiel, devido ao atraso no príncipio do jogo no Porto, estava terminado o encontro com uma vitória por 3-1 do Sporting, No entanto a festa não foi possível pois faltavam cerca de 5 minutos de jogo na "invicta". Começavam as contas nos adeptos do Sporting e do FC Porto. Um golo, apenas um golo era o que faltava ao FC Porto. A explicação é simples perante um empate nos pontos e na diferença de golos, o factor de desmpate eram os golos marcados. Ora o FC Porto se marcasse mais um faria 7-2 em comparação com os 6-1 do Sporting. Logo passavam os dragões pois teriam mais um golo marcado que os leões.  Mediante estes factores faltariam 5 minutos para o FC Porto facturar e poder colocar-se nas meias finais da Taça.

Perante as perdas de tempo do Marítimo, a falta de frieza era vísivel nos jogadores do FC Porto. Ghillas teve nos seus pés uma oportunidade para dar a glória aos portistas, mas um corte oportuno de um defesa do Marítimo negou essa possibilidade de nova reviravolta no marcador. 93 minutos da partida, todos no Estádio do Dragão esperavam ansiosamente o golo salvador puxando fortemente pela equipa. E é neste momento que surge a oportunidade para colocar o FC Porto nas meias finais. Ghillas é puxado por Igor Rossi (ainda fora de área), sendo que o argelino é impossibilitado de rematar já dentro da área do Marítimo. Manuel Mota, árbitro da partida não tem dúvidas e assinala penalti a favor do FC Porto, expulsando o defesa do Marítimo. Coube a Josué a enorme responsabilidade de provocar uma enorme explosão de alegria no Dragão e de fazer com que o resultado valesse mais que a exibição caribando assim a passagem às meias finais para defrontar o Benfica. 

Josué não tremeu e demonstrou o porquê de Paulo Fonseca o ter escolhido para a marcação dos penaltis em detrimento de Jackson. Estava feito o 3-2, o FC Porto, num fim de jogo dramático, colocou-se nas meias finais da Taça da Liga e afastou o Sporting do primeiro lugar do grupo. Um balde de água fria para a turma de Alvalade, um balão de oxigénio para Paulo Fonseca que mantem o FC Porto a lutar em todas as frentes nacionais, sempre com perspectivas de ganhar. 

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