Cardozo, a quanto obrigas?

Boas notícias para Jorge Jesus: Cardozo, embaixador dos golos encarnados, está de regresso aos treinos e poderá ser opção para o encontro vindouro, contra o Gil Vicente, no próximo Sábado. O ponta-de-lança está afastado dos relvados desde o célebre 4-3 diante do Sporting, jogo da Taça de Portugal que arredou os «leões» da competição e onde o paraguaio apontou 3 golos. Decorria o dia 9 de Novembro de 2013. Com 9 golos no seu espólio, Cardozo arrumou as chuteiras durante três meses e combateu a lombalgia que agora parece estar perto de estar curada, constituindo o ponta-de-lança opção para baralhar, positivamente, as contas de Jesus na frente de ataque. Dado o rendimento da dupla Rodrigo/Lima, a questão impõe-se: como vai passar a alinhar o Benfica no futuro, tendo Cardozo disponível e apto para ajudar a equipa?

Um terço dos golos caçou o leão

Cardozo parece não deixar escapar o Sporting: o paraguaio regressou à competição contra os «leões», depois de terminar o jejum competitivo a que foi sujeito, devido ao caso de indisciplina em Maio, jogava-se então a 3ª jornada da Liga Zon Sagres. Depois disso, o ponta-de-lança marcou 6 golos (frente a Vitória de Guimarães, Belenenses, Estoril, Olympiakos, Nacional e Académica), caçando sem piedade o leão na Luz, aquando do 4-3 frenético. Depois da partida, Cardozo parou por 3 meses, cedendo o lugar a Rodrigo, que encontrou em Lima o companheiro ideal de trabalho: os dois avançados móveis contabilizam 20 golos, uma dezena para cada um. 

Lima e Rodrigo fizeram esquecer a necessidade de Cardozo

A lesão prolongada de Cardozo fez os benfiquistas temer o pior, mas o índice de aproveitamento ofensivo da equipa não foi afectado, antes pelo contrário: o Benfica melhorou no período de ausência de Cardozo, jogando com dois avançados móveis que, além de descairem para as alas, recuavam no terreno de modo a buscar jogo e apoiar a construção das jogadas atacantes. Não é por acaso que a táctica que Jesus elaborou, adaptada à ausência do Tacuara, tem dado bons frutos, traduzidos, quer em golos quer em estabilidade exibicional e resultados positivos. Rodrigo ganhou peso no onze enquanto que o apagado Lima voltou a iluminar o caminho das balizas contrárias. O mutualismo existente entre os dois avançados fez com que o ataque encarnado ganhasse mobilidade, fazendo-se de movimentações com rotação elevada e compensações posicionais mais eficientes, dada a velocidade e raça de ambos. Rodrigo, pelo poder de drible e pela aceleração que é arma central do seu jogo, pode assumir variações posicionais com facilidade, caindo nas alas ou funcionando como médio ofensivo que sobe e desce consoante a necessidade táctica. Lima, apesar de ser logicamente menos veloz, concentra em si uma boa dose de garra, de posse de bola eficaz na elaboração das transições ofensivas e de mobilidade considerável, o que acentua a capacidade 'expressionista' da equipa. 

O hispano-brasileiro reacendeu a chama do seu futebol depois de um golo precioso contra o Anderlecht, na Bélgica, golo esse que ofereceu a vitória ao Benfica nos instantes finais daquele encontro decisivo para a continuidade das «águias» na «Champions». A partir daí, o redimento do jovem internacional espanhol subiu em flecha, com golos diante do Rio Ave, Arouca, Vitória de Setúbal, um bis contra o Gil Vicente e outro diante do Marítimo, com um golaço fulcral pelo meio, na Luz frente ao FC Porto. Rodrigo, que marcou o primeiro golo do Benfica na Liga, na derrota dos Barreiros, é hoje um elemento de peso no onze encarnado, e a confiaça que demonstra na cara do golo tem sido considerável. Também Lima ganhou nova vivacidade: bis em Vila do Conde, um golo contra o Arouca, um contra o PSG, um diante do Olhanense, outro contra o Vitória de Setúbal e outro na goleada frente ao Gil Vicente. Ambos os avançados desataram a marcar golos mal o Tacuara entrou «de baixa», não tendo o Benfica ficado orfão de golos: exceptuando o jogo contra SC Braga (10ª jornada), a dupla tem feito sempre estragos na Liga: Lima apontou 7 golos e Rodrigo 8, desde que Cardozo se lesionou e saiu do onze.

Quais as mudanças que Cardozo implicará?

Se Cardozo entrar no onze, seja já na partida contra o Gil (o que será tremendamente improvável) seja depois, no grande «derby» contra o Sporting, as mudanças a ocorrer não serão profundas em termos estruturais, (o habitual 4-2-4 manter-se-á, em teoria) terão sim lugar a nível de dinâmica de jogo, de redefinição de movimentações e de posicionamentos. Com Cardozo em campo, o Benfica ganha poder de área, actuando com um ponta-de-lança clássico, mais estático e lento, mais forte mas muito menos dinâmico, sem capacidade para elaborar movimentações rápidas e deambulações que resultem em desmarcações.  Com Cardozo, o Benfica ganha um mortífero pé esquerdo, potente e fatal na meia-distância, além de assumir maior presença efectiva na área contrária. Com a dupla actual, os encarnados ganham velocidade e engenho na hora de romper as defensivas, finta e rasgo, podendo orquestrar com os extremos sobreposições perigosas e trocas posicionais rápidas. 

Será complicado quebrar a dupla que tem vindo a dar golos à equipa, dupla essa que, durante 3 meses, imperou na linha ofensiva durante o melhor momento do Benfica esta temporada: 0 derrotas, 1 empate e 12 vitórias, 30 golos marcados (metade da autoria dos dois avançados em questão) e 8 sofridos. Cardozo terá de, segundo a lógica da forma actual da equipa, esperar por uma brecha no ataque, atendendo à excelente «performance» da dupla ofensiva encarnada. Jesus terá a palavra, boa dor de cabeça que, apesar de boa, terá de ser gerida cuidadosamente, sob pena de destabilizar um plano que tem vindo a resultar de modo eficiente, pelo menos até ao momento.

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