Cardozo fez o papel de vilão no empate em Barcelos
Cardozo falhou o golo decisivo

Foi um Benfica empenhado mas sem pontaria aquele que este sábado se apresentou em Barcelos, para um duelo com o Gil Vicente. O empate final a uma bola não traduz o que se passou dentro de campo mas acaba por ser um prémio justo para um Gil Vicente que soube defender e um castigo merecido para uma Benfica que pecou muito na hora de finalizar.

Relvado em péssimo estado não impediu bom jogo

Já é habitual vermos relvados muito mal tratados nesta fase da temporada. O de Barcelos foi um desses casos. Mas, quando se esperava um jogo muito físico e pouco conseguido, o futebol praticado até teve momentos de alguma espectacularidade. Na primeira parte, o Benfica atacou para a metade do terreno em pior estado mas conseguiu boas combinações. Só que a finalização não esteve acertada, como no lance ao minuto 12 em que Rodrigo apenas tinha que empurrar para a baliza após assistência de Lima.

Com uma dupla atacante composta por Lima e Rodrigo, foi Gaitán quem mais brilhou no primeiro tempo. O extremo argentino apareceu muitas vezes em zonas centrais e colocou a defesa gilista em pânico por mais que uma vez. Só que, embora produzindo alguns bons momentos, o Benfica rematava pouco e com pouca qualidade. Do lado do Gil Vicente, a coisa ainda estava pior. Nenhum remate no primeiro tempo, o que se juntava aos 90 minutos para a Taça da Liga quando, contra o mesmo adversário, não conseguiu fazer um único remate.

Paixão e um concerto de apitos

Se o relvado não impediu bons momentos de futebol, o mesmo não se pode dizer de Bruno Paixão. Ao todo, foram 51 as faltas assinaladas (30 do Gil Vicente, 21 do Benfica) e muito tempo de jogo parado. Um registo que já é tradição no futebol português e que prejudica, em muito, os espectáculos. Na retina ficam, por exemplo, os inúmeros lances onde devia ter dado a lei da vantagem e preferiu parar o jogo. Para desespero dos dois conjuntos. Já para não falar de erros graves. Mas esses ficam mais para a frente.

Segundo tempo trouxe animação

A primeira parte terminou sem golos e para a entrada no segundo tempo João de Deus lançou Hugo Vieira, com passagem recente pelo Benfica. Mas foi o Benfica quem entrou ainda mais determinado a marcar e nos primeiros 10 minutos da etapa complementar foram alguns os lances em que o podia ter feito. Desde um corte deficiente de Danielson que quase deu auto-golo até ao falhanço de Rodrigo na cara do golo (embora pareça agarrado na área por João Vilela), foram vários os momentos de perigo para a baliza gilista. Mas, ao minuto 57, Siqueira derruba Brito em falta e vê o segundo amarelo, depois de no primeiro tempo ter sido amarelado por simulação na área adversária. O jogo tinha tudo para equilibrar.

Com menos um surgiu o golo

Mas a expulsão de Siqueira não se fez sentir no imediato. Pelo contrário. Até esse momento, o Benfica estava claramente por cima. E poucos minutos depois, chega finalmente ao golo. Ao minuto 61, Brito pontapeia Gaitán dentro da área e o árbitro apontou prontamente para a marca de grande penalidade. O jogador gilista ainda arriscou o segundo amarelo ao pontapear a bola para longe, quando se apercebeu da decisão do juiz. Mas não foi punido. Chamado à conversão, Lima não vacilou e colocou o Benfica na frente. Nesse momento, as câmaras encontraram Jesus a dar indicações a Rúben Amorim. Só que, quando seria de esperar que o polivalente português entrasse para colmatar a expulsão de Siqueira, Jesus hesitou e não mexeu.

Vítor Gonçalves salta do banco para empatar o jogo

Se Jesus não mexeu, João de Deus fez diferente. A perder no encontro mas com mais um elemento, o técnico gilista retirou Luís Silva para lançar Vítor Gonçalves. Passados cinco minutos, o próprio Vítor Gonçalves restabeleceu a igualdade. Num ressalto para fora da área após um pontapé de canto, a bola sobra para o disparo forte ao qual Oblak não se conseguiu opor (parecendo mal batido). O Gil Vicente empatava sem quase nada ter feito para o merecer.

Pressão final do Benfica esbarrou em Adriano (e Cardozo...)

Só quando o Gil Vicente empatou é que Jesus recorreu ao banco. E para lançar o regressado Cardozo, que viria a tornar-se figura incontornável do jogo. Também Ivan Cavaleiro e Djuricic entraram para uma fase final do Benfica que foi quase sufocante. Ao minuto 83, Cardozo aparece pela primeira vez no jogo. Num lance confuso na área adversária, a bola sobra para o paraguaio que, de forma incrível, permitiu a defesa de Adriano para canto. Na sequência do canto, Garay cabeceia por cima. Lima também tentou. E, por fim, Djuricic arrancou e entrou na área, caindo no contacto com Luís Martins. O árbitro voltou a apontar para a marca de grande penalidade, em mais uma decisão muito controversa. Cardozo pegou na bola e preparou-se para regressar em grande. Só que o remate forte do paraguaio saiu à figura de Adriano e o Benfica perdeu oportunidade única e caída do céu para ganhar o jogo. O tempo de compensação esgotou-se quase todo no lance da grande penalidade e assim terminou o jogo. Com um 'galo' gigante para os encarnados.

Um ponto ganho aos dragões mas à mercê do Sporting

Depois da derrota do FC Porto nos Barreiros, os adeptos encarnados terão feito muitas contas. Em caso de vitória em Barcelos, passariam a ser seis os pontos de vantagem face aos campeões nacionais. Só que as contas saíram furadas. O Benfica não foi além do empate e, embora tenha ganho um ponto aos dragões, ficou à mercê do Sporting que se pode colar na frente se amanhã ganhar na recepção à Académica. 

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