Varela cantou de galo e manteve dragões na luta

A equipa do Futebol Clube do Porto bateu este domingo a formação do Gil Vicente, naquele que foi o jogo mais convincente dos dragões fora de casa. A pressão exercida pelo miolo do Porto fez lembrar os velhos tempos dos azuis e a vontade de ganhar foi uma constante  desde o primeiro minuto da partida. Com destaque para a exibição de luxo do mexicano Herrera e do internacional português Varela, que brindou os adeptos com dois golos, tendo protagonizado uma dupla diabólica com o sul-americano Herrera. O golo do Gil foi concretizado por Hugo Vieira, que assim se estreou a marcar no tão esperado regresso do português a Barcelos.

Com os 3 pontos conquistados, o campeão nacional soma agora 42 pontos na Liga e recuperou o segundo lugar que havia sido perdido, à condição, para o Sporting, depois dos leões terem vencido o Olhanense. Mesmo pressionados, os azuis não acusaram a responsabilidade de saber o resultado do Benfica e com esta vitória mantêm a distância de 4 pontos para o líder encarnado, que leva já 46.

Os Gilistas continuam a sua série negativa na liga e levam já 10 jornadas sem conhecer o sabor da vitória. O Gil mantém o 12º lugar da classificação com 19 pontos, e estão apenas 6 acima da linha de água, o que para uma equipa que até se intrometeu na luta pela Europa nas primeiras jornadas da prova, não deixa de ser preocupante.

Varela marca dois com Herrera a mostrar serviço

Numa primeira parte completamente dominada pelos campeões nacionais, os dragões pressionaram os galos desde o apito inicial, e depois de duas oportunidades desperdiçadas por Quaresma e Jackson, Varela desfez o nulo à passagem do minuto 18. Neste envolvimento ofensivo, destaque para o lance bem desenhado pelo colectivo azul e branco, que se iniciou com um passe a rasgar de Danilo, que encontrou o médio Herrera, assumindo-se como extremo e a encontrar o Drogba da Caparica com um cruzamento largo, que de cabeça fez balançar a rede, numa desmarcação plena de intenção. O intervalo chegou e ficava a nota de uma grande exibição de Herrera, que tanto a atacar como a defender equilibrou a formação portista.

    

Foto: LUSA

A segunda parte iniciou-se com a pressão portista acentuando-se, com destaque para a dupla Herrera-Varela, de novo em acção ao minuto 52. Neste lance, o internacional mexicano viu Varela livre de marcação, e com um passe repleto de classe permitiu ao português alvejar as redes de Adriano, mas num remate desenquadrado, Varela disparou torto sem perigo para os gilistas. Apenas um minuto depois, Varela, com uma jogada plena de técnica, driblou os desamparados defesas gilistas, e apenas com Adriano pela frente não tremeu, fazendo assim o segundo golo na conta pessoal e o quart em toda a competição. Perante um início da segunda metade verdadeiramente diabólica, os galos não baixaram os braços, e contra a corrente de jogo reduziu o marcador por intermédio do português Hugo Vieira, que, assim, se estreou a marcar neste seu regresso a Barcelos. Apesar do golo, os comandados de João de Deus não mostraram ambição para chegar ao empate, e o resultado manteve-se até ao final, com a vantagem do Porto a acabar por ser curta, com os dragões a desperdiçarem uma mão cheia de oportunidades até ao fim da partida.

Meio campo equilibrado na melhor exibição fora de casa

Para não deixar fugir os rivais Sporting e Benfica, o FC Porto assumiu as responsabilidades da partida, e na melhor exibição da temporada os pupilos de Paulo Fonseca não acusaram a pressão e contaram com os inspirados Varela e Herrera, que mostraram uma garra que até então ainda não se tinha visto para os lados do dragão.

O espectador Helton pouco ou nada teve para fazer e numa noite tranquila sofreu um golo sem que tivesse tido qualquer responsabilidade. Os centrais Abdolaye e Mangala mostraram firmeza e bom sentido posicional, dando ao Porto consistência para construir jogo na frente. O internacional brasileiro Danilo, que sonha com a presença no mundial, protagonizou uma belíssima exibição com sprints e dribles constantes que colocaram em sentido os defesas Gilistas.

No meio campo, Paulo Fonseca percebeu finalmente que colocar Herrera à frente de Fernando faz fluir muito mais o jogo portista, o luso-brasileiro na posição 6 foi uma parede autêntica e permitiu ao número 8, Herrera, mostrar o porquê de ter custado 8 milhões de euros aos cofres dos dragões. O internacional mexicano fez de Lucho e, com liberdade a meio campo, integrou-se muito bem na manobra ofensiva e juntamente com Varela foi uma dor de cabeça para os defesas do Gil. Ao invés do sul-americano, Josué a número 10 esteve bastante apagado, e os adeptos já desesperam pelo regresso de Carlos Eduardo.

No ataque azul, Quaresma teve no Municipal de Barcelos a sua pior exibição desde que regressou no mercado de Janeiro, e viu o compatriota Varela brilhar com dois tiros certeiros nas redes de Adriano. Apesar de ter ficado em branco, Jackson Martinez teve um bom contributo colectivo, e nas diferentes fases do jogo abriu espaço para as penetrações de Varela na área adversária. O extremo reencontrou o caminho para a baliza e depois de uma primeira parte da época intermitente parece ter renascido o Drogba da Caparica, que em  Barcelos foi o melhor jogador em campo.

Gilistas com muito trabalho pela frente

A equipa orientada pelo português João de Deus leva agora 10 partidas sem conseguir vencer, e diante de um Porto pressionado pouco ou nada fez para além do golo solitário para incomodar as redes do brasileiro Helton.

Neste jogo, o jogador mais influente foi o guardião Adriano, com defesas impressionantes que evitaram a goleada dos dragões. Ainda na defesa, Luís Martins deixou boas indicações como lateral esquerdo, e numa defesa frágil como a do Gil foi quem se destacou, sendo um jogador que merece atenção pela agressividade que demonstra a defender e o bom envolvimento nas subidas para o ataque.

              

Foto: LUSA

No meio campo, César Peixoto fez bastante falta e deixou Brito praticamente sozinho na construção de jogadas pelo miolo. Apesar de ter tido pouca bola, Brito demonstrou um toque de bola assinalável e perante um meio campo portista tão organizado ficou difícil fazer melhor. No ataque dos galos, Hugo Vieira ficou encarregue de surpreender a defesa azul e teve alguns rasgos nos flancos que ainda assustaram as redes de Helton. O irrequieto Hugo Vieira acabou mesmo por marcar, mas fica a ideia de que falta um avançado puro na manobra ofensiva gilista, que até consegue desenhar lances por Hugo Vieira e Diogo Viana. No entanto, falta muitas vezes o toque final para balançar as redes adversárias.

As declarações dos técnicos

Na luta pelo título, o FC Porto soma agora 42 pontos, e com os dois golos marcados é agora o melhor ataque da prova, com 37 golos. «Ganhámos num relvado muito pesado. Fizemos uma excelente primeira parte, com inúmeras situações de golo e momento de bom futebol. Na segunda metade também mandámos no jogo e só foi pena sofrermos um golo, pois não o maerecíamos. Mas o imporante foi vencer e fizemo-lo de forma convincente.», afirmou no final Paulo Fonseca.

Na luta pela permanência, o Gil Vicente deu mais um passo atrás nesse objectivo, e segundo o seu treinador: «Faltam muitos jogos. Há muito campeonato pela frente. Temos de estar focados e sabemos que temos alguma margem. Temos de começar a somar pontos o mais depressa possível. Fala-se muito sobre a situação do Gil mas convém lembrar que dos últimos 15 jogos, 10 foram fora de casa, eme em casa recebemos o Benfica, o FC Porto e Sporting.»

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