0-1, MIN.59, LIMA
Djuricic afagou com o peito a bomba que Lima explodiu com o pé

Djuricic afagou com o peito a bomba que Lima explodiu com o pé

A contrastar com o ambiente infernal de Salónica, o Benfica apresentou-se tranquilo e seguro, tanto táctica como mentalmente. Durante 90 minutos, os encarnados comandaram a pulsação da partida e com paciência chegaram ao golo, produto de uma assistência de Djuricic, que serviu uma bomba ao pé de Lima. Bom resultado, com uma exibição sólida a condizer, que permite sonhar com a passagem à próxima fase da Liga Europa. (Foto: Isabel Cutileiro)

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PAOKGLYKOS, KITSIOU, KATSOURANIS, INSAURRALDE, LINO, KACE, MADURO, NINIS (LUCAS, MIN.63), LAZAR (SALPINGIDIS, MIN.81), OLISEH (STOCH, MIN.75), ATHANASIADIS
BenficaARTUR, MAXI, SÍLVIO, LUISÃO, JARDEL, ENZO (FEJSA, MIN.63), AMORIM, ANDRÉ GOMES (MARKOVIC, MIN.65), SULEJMANI (SALVIO,MIN.75), DJURICIC, LIMA
ÁRBITROWOLFGANG STARK (ALEMANHA). AMARELADOS: KACE (MIN.4), LAZAR (MIN.26), ANDRÉ GOMES ( MIN.45), MADURO (MIN.54) E STOCH (MIN.84)
INCIDENCIAS1ª MÃO DOS 16 AVOS DE FINAL DA LIGA EUROPA, ESTÁDIO TOUMBA

A atmosfera, produzida pelos adeptos do PAOK, era de pressão no Estádio Toumba, mas o onze encarnado soube entrar dentro de campo imune a essa afamada armadilha grega. O Benfica, alterado na sua estrutura e na sua composição titular, pisou o relvado munido de uma tranquilidade que pervaleceu durante os 90 minutos. Com várias transformações na face inicial da equipa, desde logo a começar pela baliza, as «águias» souberam ocupar os espaços e foram senhoriais na hora de congestionar o futebol grego, que poucas oportunidades teve para surpreender os pupilos de Jorge Jesus. Com paciência e engenho, o golo surgiu, já aos 59 minutos: cruzamento domesticado pelo peito de Djuricic, Lima pegou de jeito na bola e disparou uma bomba na direcção de Glykos, que nada poderia ter feito. O jogo perdurou mais meia hora numa cadência controlada pela sala de comandos benfiquista, onde Amorim e Fejsa (entou para refrescar a zona defensiva do meio-campo) foram donos das operações. Huub Stevens ainda tentou forçar a reanimação do ataque grego, mas nem Stoch nem Salpingidis foram capazes de contrariar o discernimento encarnado. 

4-3-3 a coxear sem ala direito

O Benfica apresentou-se em Salónica com variadas alterações, fruto de ausências e da simultânea necessidade de gerir o esforço de alguns jogadores. A grande novidade acabou por ser a introdução do guarda-redes Artur, que perdeu a titularidade para Oblak há cerca de uma dezena de jogos. Na defesa, Jardel ocupou a deixa de Garay, enquanto que Sílvio sentou Siqueira no banco. No meio-campo, Amorim divididu o compartimento cerebral da equipa com Enzo, enquanto que André Gomes pululava entre a faixa direita e o centro do terreno, nunca estando efectivamente num local concreto: o corredor direito acabou por ser pisado quase sempre por Maxi. Na frente, Jesus optou por conceder a titularidade a Sulejmani, que jogou colado à linha esquerda, com Lima e Djuricic na ameaça maior à muralha do PAOK. Se vestígios alguns indiciavam a utilização de um 4-2-3-1, tais indícios caíram por terra helénica quando o desenho táctico se esclareceu: Djuricic a actuar como ponta-de-lança, lado a lado com Lima, enquanto que André Gomes se juntava quase sempre à linha média composta por Amorim e Enzo. Portanto, um 4-3-3 sem extremo direito

Planeado por Jorge Jesus, este esqueleto pretendia dar solidez à linha média encarnada, de modo a engrossar as suas fileiras e dar poder de resgate de bola e de choque à equipa do Benfica, plano que, de facto, resultou em várias fases da construção de jogo do PAOK. Amorim e Enzo, principalmente, conseguiam manietar a posse de bola, enredando o jogo num controlo pautado pela tranquilidade e pela circulação da mesma. Athanasiadis, perdido em áreas vermelhas, nunca foi ameaça considerável. Os flancos gregos, que tinham como missão explorar as costas dos laterais encarnados, ameaçaram mas nunca concretizaram os intentos: Oliseh e Lucas não bastaram para colocar em sentido a defensiva das «águias», perita na artimanha do fora-de-jogo. O Benfica consolidou todas as estatísticas da partida, dominando a posse de bola, o número de passes efectuados e as recuperações de bola, estendendo o seu domínio até ao ataque, ainda que sem criar oportunidades de golo. Lima, combativo, foi ajudado por Djuricic, mas a frente encarnada poucas vezes foi servida: Sulejmani teve dificuldades em ganhar a cabeceira, e, no flanco oposto, Maxi esticava-se em correrias ofensivas que de pouco resultaram. Ainda assim, foi a solidez da zona central que impediu o Benfica de abanar, o choque dos médios benfiquistas contra a dupla Kace e Maduro foi benéfico para a formação de Jesus, enquanto que o maior controlo do ritmo do jogo foi empurrando as duas linhas defensivas do PAOK para trás.

Maxi e Sílvio fizeram piscinas em Toumba

Grande parte da dinâmica ofensiva do Benfica desta tarde estava à responsabilidade dos laterais, Sílvio e Maxi Pereira. Com reforço do meio-campo, Jorge Jesus devotou nos laterais a função de criarem situações de clara sobreposição, forçando as penetrações laterais e, simultaneamente, impedindo que Lino e Kitsiou pudessem subir no terreno com conforto. A saída de bola do Benfica fazia-se impreterivelmente com Amorim a descer no terreno, caindo até à meia-lua para efectuar a organização do jogo e o escoamento da circulação do esférico, onde os centrais esperavam a bola bem abertos  no relvado, ao passo que os laterais subiam como flechas através dos dois corredores. Sílvio personificou na perfeição a atitude ofensiva leccionada por Jesus antes da partida: o português esteve incansável nas subidas, não temendo o duelo directo. Na zona oposta, Maxi esforçou-se por compensar a incompleta tarefa de André Gomes na faixa direita. A primeira parte foi parca em situações de golo: Oliseh rematou cruzado, aos 9 minutos, e aos 30, Sílvio fintou um adversário e disparou na diagonal, mas a bola saiu por cima da baliza de Glykos. 

O Benfica chegou ao golo aos 59 minutos: Enzo picou a bola para a área, Djuricic afagou o esférico com perícia e Lima fez rebentar uma bomba que só parou de fazer estragos quando os adeptos benfiquistas se cansaram de festejar. Fejsa entrou para descansar Enzo, e dessa forma o Benfica refrescou uma zona do terreno que viria a estar em foco com a tentativa de Hubb Stevens em subir no terreno: Stoch e Salpingidis entraram na formação de Salónica, mas a reacção grega foi inssossa. Num jogo sem vertigens nem assombros atacantes, o Benfica venceu de modo pragmático e viu a sua baliza terminar, mais uma vez, inviolada. Nos últimos 12 encontros, o Benfica apenas sofreu golos numa ocasião - frente ao Gil Vicente, para a Liga Zon Sagres. 

Benfica exorciza gregos ao terceiro encontro 

Esta foi a terceira vez que o Benfica enfrentou uma equipa grega esta temporada, e pode-se dizer que, de facto, à terceira tentativa foi de vez: o Benfica bateu uma formação helénica, depois de se ter deparado com o Olympiakos por duas vezes, no âmbito da Liga dos Campeões, e nunca ter vencido. Depois de um empate na Luz (1-1) e de uma derrota em Atenas (1-0), o Benfica respondeu da melhor forma e, diante do segundo classificado da Superliga grega, arrecadou uma vitória sólida que permite ao contingente encarnado sonhar com a passagem à próxima fase da Liga Europa. 

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