O golo e o vagabundo

O golo e o vagabundo

Ninguém como Markovic tem personificado uma relação tão platónica com o golo como o deambulante atacante encarnado. Letalmente veloz, habilidoso aniquilador de muralhas defensivas, Markovic vagabundeia pelas imediações da área adversária até desencantar,encantando, um golo que faça o estádio vibrar. Diante do Belenenses, o sérvio terá nova chance de impressionar.

vavel
VAVEL

Tem sido uma espécie de «joker» ofensivo, vagabundo letal que percorre metros atrás de metros, tentando encontrar uma nesga de terreno para desferir a fatalidade da sua habilidade técnica. Markovic vem subindo claramente de rendimento global: maior compreensão das tarefas defensivas, maior balanceamento transitivo e maior inteligência espacial. Se ao seu progresso juntarmos a sua predisposição ofensiva, teremos, de facto, um jogador extremamente móvel munido de um controlo de bola requintado, imprevisível quando perto da área e fatal na hora descobrir o golo. As últimas partidas têm demonstrado um Markovic mais apurado, ainda mais eficaz nas mudanças de flanco e confiante no seu poderio técnico: o jovem pisa todos os centímetros quadrados do relvado, qual vagabundo sem casa posicional, buscando o desequilíbrio. Diante do Belenenses, o extremo sérvio de 19 anos, que ficou de fora da titularidade contra o PAOK, poderá voltar a perfumar o relvado com a sua mobilidade frenética, característica central de um jogador que destrói por completo o plano defensivo contrário.

Dinamismo total na frente de ataque

Jogando em ambas as faixas, Markovic usa a sua velocidade atroz para alterar o ritmo das jogadas, flectindo para dentro com a bola dominada, obrigando os adversários a desformar a guarda táctica para o desarmar ou conter. As suas diagonais vertiginosas permitem um encadeamento com os avançados do Benfica, que se integram no movimento do sérvio de modo a serem servidos com passes cruzados que perfuram a linha recuada. Além disso, nunca se prende a uma zona, movendo-se perfeitamente bem na meia-lua, de onde parte para rasgar até ao interior da área através de desmarcações instantâneas, no limite do fora-de-jogo. Já o tinha feito contra o Gil Vicente, para a golada da Taça de Portugal, e voltou a fazê-lo contra o Vitória Sport Clube: passe requintado de Rodrigo, com o jovem franzino a ultrapassar a atenção dos oponentes. O resto foi habilidade de alto nível. A capacidade de penetração de Markovic é assinalável, logo, ao juntar-se ao carrossel atacante delineado pelo treinador, o sérvio acentua a ameaça encarnada e oferece uma nova forma de fazer desabar as muralhas contrárias. 

O vagabundo Markovic, em sintonia com a interpretação veloz e irrequieta dos avançados do Benfica, Lima e Rodrigo, encaixa como uma luva nas movimentações ardilosas da frente encarnada, onde também os laterais (em sobreposição, principalmente) desempenham um papel desequilibrador. Nas imagens que acima analisamos, é visível a subida simultânea dos dois laterais da equipa, ambos providenciando claras linhas de passe, bastante úteis ao portador da bola, que, ainda que sob pressão, tem sempre um espaço povoado por um colega pronto a receber a bola, em plena desmarcação. Rodrigo, que no lance desce para servir de distribuidor no último terço de terreno (como um «pivot» ofensivo) concentra as atenções e, depois de se desenvencilhar de um marcador,dispõe imediatamente de quatro opções de passe, todos eles passes perigosos (ver imagem abaixo). Siqueira na esquerda, Sílvio na direita, Lima descaído na entrada da área e Markovic na zona frontal: dinamismo total da manobra ofensiva, que obriga a defensiva vimaranense a compactar-se numa pequena zona, fragmentando-se na tarefa de marcar tamanha avalanche. Abaixo podemos constatar o movimento de marca de Markovic, a sua diagonal de longa distância, feita no centro do meio-campo inimigo: o extremo aguenta a bola controlada enquanto foge aos adversários, contemporizando, esperando a entrada de Rodrigo, que vai perfurar a linha defensiva (ver imagem abaixo, no canto direito). 

Markovic vem de uma série goleadora: marcou frente ao Paços de Ferreira (0-2 na Mata Real), apontou o tento decisivo diante do Vitória Sport Clube (1-0 na Luz) e voltou a provar o sabor do golo, completando o marcador no 3-0 imposto ao PAOK, em casa encarnada. Nos três golos, a velocidade e a compreensão acutilante e rectilínea do jogo ofensivo está presente. A rapidez com que se desmarca e foge aos marcadores directos é uma arma difícil de parar. Os seus colegas beneficiam igualmente da sua boa forma, já que os espaços que se abrem diante de si são inquestionavelmente maiores. Frente ao Belenenses, em jogo a contar para a 21ª jornada da Liga Zon Sagres, Markovic terá nova chance para brilhar. O extremo sérvio tem uma dupla temível com o seu parceiro de posição, Nico Gaitán. A mobilidade de ambos, combinada com a técnica apurada, tem elevado as exibições da frente de ataque vermelha para níveis níveis de proficiência raras vezes vistos - a equipa torna-se letal no ataque mas também pressionante aquando da saída de bola do oponente.

Benfica: em 14 jogos apenas um golo sofrido

A «performance» defensiva da equipa encarnada continua a surpreender pela positiva, acumulando jogos sem conceder golos. O Benfica apenas sofreu um golo nos últimos 14 jogos, série que inclui duelos contra equipas como FC Porto, Sporting, Vitória SC e PAOK. Luisão, capitão, tem, aos 33 anos, gozado de uma das melhores formas da sua carreira, facto atestado pelo seu treinador, Jorge Jesus. Além disso, o perfeito entendimento que mantém com o colega Garay, aliado a uma maior solidez do meio-campo defensivo (com Fejsa a auxiliar de modo voluntarioso e mais posicional) fizeram com que o Benfica se transformasse numa formação mais equilibrada. A isto não é alheia o maior índice de trabalho dos extremos, que hoje apoiam efectivamente os laterais. 

Rosa quer ser espinho no caminho encarnado

O Belenenses recebe o Benfica no Restelo, com a memória focada no jogo da primeira volta: 1-1 em plena Luz frustrada com um empate que encravou a engrenagem da corrida pelo título. Apesar da boa recordação ser um tónico importante na motivação dos jogadores de Belém, a verdade é que a qualidade da actuação dos jogadores de Marco Paulo está mutíssimo aquém da necessária para duelar com o líder do campeonato. Os factos são difíceis de maquilhar: o Belenenses tem o pior ataque da Liga Zon Sagres, apenas 11 golos marcados, menos 26 que os comandantes do campeonato. Com apenas 16 pontos conquistados, menos 33 que o Benfica, a formação da Cruz de Cristo terá de entrar em campo ciente das suas limitações, sendo previsível que dê primazia à estabilidade defensiva, tentando depois lançar Fredy em contra-ataques rápidos.Miguel Rosa será outra das ameaças a ter em conta pelo treinador Jorge Jesus - o médio de 25 anos é o criativo de serviço e peça fulcral no onze belenense, simplesmente omelhor marcador da equipa, com 4 golos na Liga. Recorde-se que este será o primeiro confronto contra a sua antiga equipa desde que se desvinculou da Luz, no fim da temporada passada. No empate da Luz, Rosa estava lesionado. Eleito melhor jogador da Segunda Liga na época transacta, Miguel Rosa marcou 17 golos em 41 participações, mas tal feito não impressionou Jesus. O médio português terá oportunidade de esclarecer o técnico das «águias» quanto ao seu real valor.

Gonçalo Brandão e Eggert aptos, Duarte Machado castigado

Marco Paulo já poderá contar com a aquisição de Inverno Gonçalo Brandão, que esteve ausente durante cerca de duas semanas devido a lesão. Eggert também se junta ao português na recuperação total, dando assim mais opções defensivas ao treinador dos Belenenses. Kay deverá ser ausência para o jogo de hoje, pois encontra-se lesionado, assim como o defesa Duarte Machado, que se encontra castigado. Fora dos planos azuis está também o reforço de Janeiro austríaco, Roland Linz, embrenhado numa questão disciplinar, depois de ter chegado fora de horas a um treino. 

Onzes prováveis

VAVEL Logo