0-1, GAITÁN, MIN. 8
Magia de Gaitán resolveu jogo incerto

Magia de Gaitán resolveu jogo incerto

Golo de antologia de Nico Gaitán, logo aos 8 minutos, acabou por resolver um jogo complicado com resultado imprevisível, dado a resposta final do Belenenses, que chegou a introduzir a bola dentro das redes de Oblak. Tiago Caeiro marcou um golo legítimo, mal anulado pela equipa de arbitragem. Benfica cava assim um fosse de 9 pontos para o rival Porto, que voltou a perder pontos na Liga.

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BelenensesMATT JONES, GERLADES, BRANDÃO, KAY, MEIRA, DANIELSSON (FREDY MIN. 46), FERNANDO FERREIRA, BRUNO CHINA (RAMBÉ, MIN. 74), JOÃO PEDRO (TIAGO SILVA, MIN. 63), TIAGO CAEIRO, FILIPE FERREIRA
Benfica OBLAK, MAXI, SIQUEIRA, LUISÃO, GARAY, FEJSA (AMORIM, MIN. 82), ENZO, MARKOVIC, GAITÁN (CARDOZO, MIN. 87), LIMA, RODRIGO (SALVIO, MIN. 67)
ÁRBITROÁRBITRO: JORGE FERREIRA ADMOESTADOS: KAY, MIN. 37 FILIPE FERREIRA, MIN. 43 BRUNO CHINA, MIN. 54 FEJSA, MIN. 65 RAMBÉ, MIN. 75 FREDY, MIN. 80 (X2) VERMELHO
INCIDENCIAS21.ª JORNADA ESTÁDIO DO RESTELO, LIGA ZON SAGRES

Onze encarnado sem surpresas, Belenenses encolhido tacticamente, duelo pachorrento e um resultado altamente previsível: assim se poderia adjectivar o confronto histórico entre Belenenses e Benfica, disputado ontem no Estádio do Restelo. O Benfica voltou a dar corpo à sua equipa habitual, colocando Oblak de novo na frente das redes vermelhas, Enzo como general do meio-campo, Markovic na faixa direita e a dupla Lima/Rodrigo na liderança da ofensiva. Depois do 3-0 frente ao PAOK, os encarnados voltaram a vencer, somando mais um jogo com a baliza inviolada: a série de irrepreensibilidade defensiva reporta 15 jogos com apenas um golo sofrido, facto que só pode deixar feliz o técnico das «águias». O golo mágico de Gaitán, abrindo cedo as hostilidades (minuto 8), marcou, pela positiva e pela negativa, o resto do encontro: tranquilizou o Benfica mas, simultaneamente, incitou-o a uma gestão passiva do ritmo de jogo que permitiu ao Belenenses subir as suas linhas. A meio da segunda parte, os homens da Cruz de Cristo foram carcomendo o meio-campo encarnado, tendo chegado inclusivamente a empatar a partida, através de um remate de ressaca de Tiago Caeiro. O golo, aos 72 minutos, foi mal anulado pelo árbitro da partida.

Marco Paulo surpreendeu pela negativa, deixando a habilidade técnica, quer no banco quer na bancada: Fredy, extremo rapidíssimo, ficou no banco de suplentes, já o médio coqueluche da equipa, Miguel Rosa, melhor marcador da formação belenense na Liga, foi condenado a ver o jogo na bancada, por pura opção do colectivo directivo e técnico do clube. Geraldes substituiu o crónico lateral direito Duarte Machado (castigado) e deu azo a uma exibição positiva, Gonçalo Brandão posicionou-se na lateral esquerda e o lateral esquerdo Filipe Ferreira surgiu na extremidade ofensiva. Rambé ficou no banco e foi Caeiro a encabeçar o ataque de Belém. A postura defensiva do Belenenses valeu o maior atrevimento encarnado, mas, à medida que as «águias» baixaram a altitude do voo, o Belenenses ganhou estímulo. As entradas de Fredy, Rambé e Tiago Silva ajudaram a formação, antes acanhada, a expandir-se um pouco mais no terreno. Jorge Jesus tardou em atenuar a perda do meio-campo, colocando Amorim somente nos últimos minutos de jogo, depois de ter Salvio e Cardozo em campo, que em nada modificaram o decorrer monótono do encontro. Essa hesitação e essa troca de prioridades tácticas valeram ao Benfica uma indefinição na hora de controlar a partida de modo efectivo: prova disso foi o golo anulado a Caeiro, num momento em que o Benfica não dominava, nem de perto nem de longe, o adversário. Valeu o erro alheio.

O Nico que quebra os nulos

Depois de ter deliciado os fãs com um remate encaracolado pleno de «suplesse» técnico, contra o PAOK, Nico Gaitán voltou a ser exuberante na hora de fazer o marcador desatar-se do nulo. Depois de uma arrancada salpicada com dribles de trocar os olhos, o argentino picou a bola fazendo um chapéu de belo efeito. Matt Jones, adiantado, nada poderia ter feito. O extremo esquerdo está num dos melhores momentos da sua carreira profissional, quer no plano colectivo quer no registo individual: depois de ter quebrado o 0-0 no Estádio da Luz com um golo «à ponta-de-lança», Gaitán desatou o nó contra os gregos e voltou, no Restelo, a ser o primeiro (e único) a dar andamento ao marcador. O jogador está em plena curva de progressão enquanto profissional completo, tendo-se tornado um activo mais resiliente na ajuda defensiva e na manobra colectiva da equipa, obra, certamente, da demanda táctica de Jorge Jesus.

Rosa impedido de jogar

Ninguém deverá ter mais vontade de enfrentar o seu antigo clube que o próprio Miguel Rosa, dispensado do Benfica no fim da época 2012/2013 apesar de ter sido coroado o melhor jogador da Segunda Liga. Na antecâmara do Benfica x Belenenses, a expectativa era elevada: como se sairia o jogador mais valioso do plantel belenense ao enfrentar o clube que, apesar de lhe vestir o peito com a águia, nunca lhe concedeu uma oportunidade na primeira equipa? Mas Miguel voltou a não pisar a relva contra o Benfica. Na primeira volta devido a lesão, agora devido a uma nebulosa e duvidosa decisão directiva que o fez ver o jogo na bancada. O jogador estava convocado mas, inexplicavelmente, ficou de fora, assim como Jorge Rojas e Devyverson, ambos cedidos temporariamente ao clube do Restelo. A pergunta impõe-se: porquê?

Fredy fez falta duas vezes

Inquestionavelmente um dos melhores jogadores do plantel da Cruz de Cristo, Fredy ficou de fora do onze titular, guardado para horas mais tardias, provavelmente quando a defensiva encarnada estivesse mais lenta e desgastada. A verdade é que a sua qualidade é sempre motivo destabilizador nas áreas recuadas à guarda do adversário e, no período inicial, de normal pressão do favorito, a mensagem de Marco Paulo foi o encolhimento táctico. Mais tarde, depois de entrar na partida, o extremo angolano excedeu-se e foi expulso de modo impensável, deixando o seu treinador com uma equipa coxa na altura de atacar o empate. Fredy, a destempo, fez falta à sua equipa por duas vezes.

Fosso aumenta: FC Porto a 9 pontos de distância

O grande desafio do Benfica era o de ser pragmático ao ponto de capitalizar sobre o tropeção em Guimarães do FC Porto. O objectivo foi conseguido, com dificuldade, é certo, mas a tabela classificativa mostra um líder com 5 pontos de vantagem para o seu perseguidor mais directo, o Sporting, e 9 para o actual maior rival, os «dragões», que atravessam um período periclitante. 

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