Mão cheia de golos numa exibição algo cinzenta

A Selecção arrancou esta noite a fase de preparação para o Mundial 2014 com um particular de preparação diante da Selecção dos Camarões, que recebeu e bateu por uns expressivos 5-1. O resultado, porém, foi maior do que a exibição, e talvez demasiado pesado para a selecção africana, que foi capaz de proporcionar um bom jogo, com boa circulação de bola e ameaçando por diversas vezes a baliza lusa. Foi, sobretudo, noite para Paulo Bento experimentar novas soluções nos seus sectores mais ofensivos e um necessário teste para a equipa das Quinas, que na Fase de Grupos do Mundial terá pela frente outra equipa africana, o Gana.

Primeira parte fraca, serviu para novas experiências

Paulo Bento optou por algumas alterações tácticas face àquilo que vem sendo hábito no seu "onze-base". Experimentou pela primeira vez a formação em 4-4-2 losango, sua velha conhecida dos tempos de Alvalade, promoveu as estreias de Rafa e Ivan Cavaleiro e deixou Veloso no banco, concedendo a titularidade a William Carvalho.
A equipa portuguesa entrou relativamente bem na partida, sem no entanto conseguir imprimir muita dinâmica ao jogo. Aliás, os primeiros 45 minutos pouco entusiasmotiveram: jogou-se a um ritmo lento, os Camarões foram até mais controladores do que Portugal, e a equipa nacional mostrou-se pouco entrosada no novo esquema táctico. Mesmo assim houve ainda tempo para se festejar golos tanto de um lado como de outro. Ao minuto 21, numa rápida jogada de contra-ataque conduzida pela formação portuguesa, o "homem-golo" da armada lusitana, Cristiano Ronaldo, rematou colocado para dentro da baliza, alcançando o seu 48º golo e suplantando Pedro Pauleta na lista dos melhores marcadores de sempre. Aos 43', muito perto do final da primeira parte, foi tempo de Aboubakar deixar a sua marca na partida, fixando o empate após remate à meia volta.Nota de destaque ainda para um momento "mais quente" protagonizado por Fábio Coentrâo e Song ao minuto 33, que acabou por ser prontamente resolvido pela equipa de arbitragem, sinalizando ambos os jogadores com um cartão amarelo.
Raúl Meireles apontou o segundo golo de Portugal, desfazendo o empate. (Foto: Catarina Morais)

4-3-3, de volta ao Habitat natural

Os segundos 45 minutos, recheados de alterações, como aliás é comum nos jogos de preparação, tiveram uma toada completamente diferente dos primeiros. Logo ao intervalo, Paulo Bento mexeu na baliza para colocar Eduardo no lugar do lesionado Beto, e ainda substituiu Rafa, que deixou alguns pormenores interessantes, por Edinho na frente de ataque. O esquema táctico foi também alterado para se regressar ao habitual 4-3-3, no qual a equipa se mostra notoriamente mais confortável.
A equipa das Quinas assumiu finalmente o controlo total do jogo e, sem realizar uma exbição brilhante, superiorizou-se à equipa de Samuel Eto'o e companhia. Ao minuto 66, num lance algo fortuito, Raúl Meireles coloca Portugal em vantagem no marcador e desbloqueia o resultado. A partir daí, as investidas portuguesas foram muito mais perigosas, tanto que, logo um minuto depois, Fábio Coentrão avoluma o resultado no marcador, após um passe com laivos de brilhantismo por parte do estreante Ivan Cavaleiro. Com o 3-1, pouco ou nada restou para contar da selecção camaronesa, que perdeu ânimo e permitiu que Portugal controlasse o jogo a seu bel-prazer. Sendo assim, mais dois golos para a equipa das Quinas acabaram por surgir naturalmente: o primeiro, ao minuto 77 por intermédio de Edinho, que aproveita a defesa incompleta de Assembé a um remate de Cristiano Ronaldo para encostar a bola para dentro da baliza. Já aos 83' e para fechar as contas do marcador, Cristiano voltou mais uma vez a dar um ar da sua graça". Já com Miguel Veloso em campo, no lugar de William, a equipa de Paulo Bento chega à área camaronesa, e após hesitação entre Veloso e Ronaldo para decidir quem ficava na posse da "redondinha", o capitão remata, mais uma vez sem hipótese para o guardião adversário.
Ficou assim fechada uma mão cheia de golos numa exibição que, longe de espectacular, primou pela eficácia e sentido de oportunidade que tantas vezes faltam aos «Navegadores».

Ronaldo: Uma máquina insaciável a bater recordes, um após o outro

Ronaldo comemora o seu segundo golo frente aos Camarões. (Foto: AP)

Vinte e nove anos, dez anos ao serviço da selecção das quinas, duas bolas de ouro, recordes atrás de recordes. É esta a imagem associada a Ronaldo nos dias de hoje. E o "craque" parece não querer ficar por aqui; há ainda muita história para escrever.
O seu primeiro golo com a camisola das quinas remonta há aproximadamente dez anos atrás. No jogo inaugural do Euro 2004 em Portugal, diante da Grécia, o miúdo que começava a despontar para os grandes palcos do Futebol respondeu com cabeceamento para golo ao cruzamento do seu ídolo de sempre, Luís Figo. Depois desse tento, e até à data de hoje, seguiram-se mais 48.
Passou dois anos complicados entre 2008 e 2010, durante os quais muitos lhe apontaramfraco rendimento e poucos golos, mas a verdade é que ao longo do tempo, o agora capitão da Selecção Portuguesa foi construíndo uma imagem sólida e temida junto das defesas das seleções adversárias. Com Paulo Bento ao comando da seleção, Ronaldo parece ter encontrado também a sua melhor forma, tornando-se cada vez mais decisivo (recordem-se jogos com a Holanda, República Checa, e mais recentemente com a Irlanda do Norte) e fixando-se como aquele sobre o qual todos os olhares caem aquando da hora das grandes decisões. Questionado sobre o seu recorde na flash interview, Ronaldo apontou-o como sendo algo que surgiu naturalmente e indissociável do grupo: «muito esforço, dedicação e da excelente selecção que temos».
E agora Ronaldo, qual será o próximo recorde? Aí vai ele, em sprint, a caminho das 127 internacionalizações.
VAVEL Logo