Conselho de Presidentes termina em insultos
Mário Figueiredo é o alvo a abater (Foto: Lusa)

Os presidentes dos clubes profissionais de futebol reuniram-se ontem à tarde para discutir o futuro da modalidade e o modelo de organização da Liga Profissional de Clubes, organismo presidido por Mário Figueiredo, o alvo da contestação de vasta maioria dos elementos presentes. Numa altura de convulsão de poder a nível da estrutura da Liga, muitos são os clubes que pretendem destituir Figueiredo para redefinir o rumo do organismo e os instrumentos de dominação que têm como pilar central as receitas televisivas. Entre ânimos exacerbados e troca acesa de insultos, ficaram agendadas para dia 11 de Junho eleições antecipadas, ractificadas pela Mesa da Assembleia-Geral da Liga. Ainda assim, o colectivo de clubes que pretende destronar Figueiredo apresenta outra objecção: a data exigida para a eleição de nova direcção terá de ser 2 de Junho, nove dias antes do estipulado.

Os vinte e quatro clubes que compuseram o movimento de destituição não granjearam, nem do apoio nem da colaboração de BenficaSporting e Marítimo, que abandonaram a reunião antes do seu término, em total discordância com o rumo da mesma. Desse antagonismo surgiram os insultos, onde Carlos Pereira, presidente do Marítimo, foi dos mais agressivos. «Velho gágá» ou «imbecil» foram alguns dos ataques feitos ao homónimo portista, Pinto da Costa, que recalcitrou na mesma moeda: «Imbecil é você», respondeu. Luis Filipe Vieira, líder encarnado, abandonou a reunião visivelmente agastado, adensando o clima polvoroso que se viveu: «Para bem do futebol é melhor nem dizermos nada. Espero que quem ficou assuma as responsabilidades do que vai acontecer no futebol português», afirmou contundentemente. Também Carlos Pereira eBruno de Carvalho abandonaram mais cedo o Conselho de Presidentes.

No final da sessão, Júlio Mendes, presidente do Vitória de Guimarães - acusado por Carlos Pereira de ser um «pau-mandado» de Pinto da Costa - leu o comunicado que certificou e elucidou a posição dos clubes e suas respectivas metas: 

  1. Proceder à destituição do Presidente da Liga. Este ponto foi aprovado por 81 por cento dos presentes, que representam 61 por cento do universo eleitoral.
  2. Convocar na próxima segunda-feira uma Assembleia-Geral Extraordinária com vista à destituição do presidente da Direcção da Liga.
  3. Remarcar em sede própria a data da realização da Assembleia Geral eleitoral para os órgãos da Liga para o dia 2 de junho de 2014.
  4. Criação de uma equipa de trabalho composta por dez clubes, sendo seis da I Liga e quatro da II Liga, designadamente o Nacional, Estoril, Belenenses, Rio Ave, Vitória Guimarães, Académica, Beira Mar, Penafiel, União da Madeira e Oliveirense, a fim de preparar e apresentar uma proposta de novos estatutos e um novo modelo de governação para a Liga.
  5. Foi também consensualizado convocar na próxima segunda-feira uma Assembleia Geral Extraordinária com vista à destituição do presidente da Mesa de Assembleia-Geral da Liga.As deliberações acima referidas têm por preocupação a sustentabilidade financeira da Liga, a preparação e planeamento da próxima época desportiva e a defesa e credibilização do futebol português.»

A tentativa de destronar Mário Figueiredo arrasta-se desde o ano passado. O actual presidente da Liga de Clubes já analisara o contexto deste movimento, elucidando os mais desatentos com argumentos que se prendem com as receitas televisivas e com o poder central e totalitário detido pela Olivedesportos: «O que está em causa é que estamos a chegar ao mês de Dezembro – altura em que o operador [Olivedesportos] paga a primeira prestação [dos direitos televisivos] aos clubes relativos à época em curso – e os clubes estão numa situação de estado de necessidade perante esses pagamentos», afirmou então Figueiredo, denunciando a pressão do operador junto dos clubes, através do atraso de pagamentos ou da substituição das transferências de soma por letras. 

Nesse passado mês de Dezembro, o presidente da Liga expôs o caso, clarificando que o volume de negócio gerado pelos direitos de transmissão televisiva não beneficia de modo justo e proporcional os clubes: «Os clubes na sua globalidade estão a receber 60 milhões. Não é aceitável que os clubes sejam espoliados de dois terços das receitas que andam à volta do futebol. Foi o facto de ter posto o dedo na ferida e ter demonstrado publicamente estas contas que criou esta situação. Obviamente, é difícil para os clubes morder a mão que ainda os alimenta», argumentou, sem reservas. 

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