Novos pesos mínimos na F1 2015
Vergne no seu Toro Rosso (motorsport.com)

Novos pesos mínimos na F1 2015

A FIA anunciou que em 2015 o peso mínimo regulamentar para o conjunto monolugar-piloto será maior. Na sequência da hospitalização de Vergne (Toro Rosso) por fraqueza, crescera a contestação ao peso mínimo exigido para os monolugares da época 2014, que coloca os pilotos mais pesados em desvantagem.

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Hugo Picado de Almeida

Em 2015, cada conjunto monolugar-piloto poderá terá de ter um peso mínimo de 701kg, mais 10kg do que os actuais 691kg, decidiram as equipas que actualmente compõem a grelha de partida.

Vergne hospitalizado

Os regulamentos que regem as características dos monolugares na época de 2014 têm motivado discórdia e críticas a vários níveis no paddock, e se foi aumentado o peso mínimo por monolugar, dos 642kg para os 691kg, para acomodar os novos e mais pesados motores (agora dotados de dois dispositivos que compõem o Energy Recovery System), a verdade é que esse aumento, visto como insuficiente, tem merecido críticas e preocupações de diversas equipas.

Os pilotos mais corpulentos têm-se visto a braços com rigorosas dietas, na tentativa de acompanhar os homens mais leves, dificultando não só a sua preparação física como também pondo em risco a sua saúde: Jean-Eric Vergne, piloto francês da Toro Rosso, esteve mesmo hospitalizado entre o GP da Malásia e o GP do Bahrain, por se encontrar num estado de notória fraqueza, falta de água e outros nutrientes. «Desci para os 67kg, o que era demasiado baixo, e perdi energia.», afirmou o gaulês.

Adrian Sutil (Sauber) tem sido uma das vozes mais ouvidas do desagrado com a actual regulamentação, ele que é o piloto de maior estatura em competição, com

 1,83m e 75kg: «Temos de perder tanto peso, e já não há muito que se possa perder, de qualquer forma. É uma situação difícil, no momento. É preciso ter cuidado. Já perdi 3 ou 4kg face ao ano passado, e no ano passado já estava muito leve. (…) Estamos a conduzir a 300km/h nas rectas, e é preciso estar em boa forma quer física quer mental.», lembrou Sutil, que tem sido obrigado a correr sem água, ou com uma quantidade residual: «Não se pode garantir que cada piloto esteja a 100% de um ponto de vista físico.» O alemão deixou ainda críticas ao que considera ser «jogo sujo» por parte de alguns pilotos mais leves, que no passado bloquearam a subida do peso mínimo permitido. (Foto: Sauber F1 Team)

Cortar nas gorduras do carro?

Apesar da hospitalização de Vergne e das críticas de Sutil, Jean Todt, presidente da Federação Internacional do Automóvel, declarou não estar preocupado com a questão: «Penso que normalmente se pode fazer uma boa dieta sem ir parar ao hospital por se ter perdido muito peso.» O brasileiro Felipe Massa veio também a público aligeirar a questão. Para o piloto da Williams (o mais leve da grelha, com apenas 59kg), o problema não é o peso dos pilotos, mas dos carros de algumas equipas: «A minha equipa fez um trabalho melhor. (…) Se uma equipa tem um carro ou motor mais pesado, são eles que têm de melhorar o seu trabalho.»

Recorde-se que um piloto de Fórmula 1 perde, em média, pelo menos 4kg por corrida, devido às temperaturas que suporta dentro do seu monolugar e às forças G a que é sujeito durante a prova.

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