Mercedes continua a superiorizar-se à Red Bull
Rosberg (em primeiro plano) e Ricciardo em corrida. (Foto: Lat Photographic)

Mercedes continua a superiorizar-se à Red Bull

Depois de quatro épocas dominadas pela equipa da Red Bull, a hierarquia da Fórmula 1 parece ter mudado. A Mercedes foi quem melhor respondeu à introdução dos motores híbridos V6 turbo, de 1,6 litros. O que vai fazendo a diferença entre alemães e austríacos?

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João Pereira

Após os três primeiros Grandes Prémios da temporada, a Mercedes surge claramente como a equipa a bater, levando já uma relevante vantagem: com 111 pontos, é já uma diferença de 67 pontos para o segundo classificado, de momento a Force India. A actual campeã, a Red Bull, é neste momento apenas 4ª na tabela (35 pontos), mas uma breve análise deixa entrever que a escuderia do toro vermelho tudo fará para vender caro o campeonato.

As Flechas de Prata voam mais depressa

Quando analisados os resultados de Hamilton, Rosberg, Vettel e Ricciardo, uma conclusão facilmente se tira: os homens da Mercedes têm sido consistentes no superar da dupla da Red Bull, a quem têm sucedido no retirar de entre meio a um segundo, quando comparadas as voltas mais rápidas dos quatro pilotos. 

No GP da Austrália, Hamilton e Vettel foram obrigados a abandonar logo nas primeiras voltas do circuito, ambos por problemas mecânicos, mas Rosberg, que venceria a prova, fez o melhor tempo de 1:32,478, com Ricciardo, que terminou em 3º (vindo, posteriormente, a ser desclassificado), a mais de meio segundo do alemãos, na sua melhor volta.

Na Malásia, a prova correu melhor a Vettel, que subiria ao lugar mais baixo do pódio, mas Ricciardo sofreu novos contratempos e viria a desistir já perto do final da corrida. Os Red Bull, porém, continuaram sem velocidade de ponta para acompanhar as Flechas de Prata, que aceleraram, sem chances para os adversários, ao longo das famosas duas rectas malaias. Hamilton e Rosberg rodaram no segundo 43, enquanto a dupla do toro vermelho não conseguiu baixar do minuto e 44 segundos. Já no Bahrain, a equipa austríaca conseguiu levar os dois monolugares até ao final da prova, colocando Ricciardo em 4º e Vettel em 6º. A Red Bull, ainda assim, não conseguiu que os seus melhores tempos superassem o segundo 39, enquanto os Mercedes fizeram a segunda dobradinha da temporada, estabelecendo as suas melhores voltas num baixo segundo 37. (Foto: autoracing.com.br)

O motor faz a diferença?

Nas três primeiras provas da temproada 2014, a Mercedes bateu a Red Bull, tanto em qualificação como em corrida, apesar de que, quando os austríacos têm sucedido em afastar os vários problemas de fiabilidade na sua unidade motriz, acende-se a disputa. Bom exemplo disso foi a qualificação para o GP do Bahrain, onde os quatro pilotos desde as primeiras voltas marcaram os quatro melhores tempos da Q1. Na Q2, porém, o RB10 de Vettel ressentiu-se, alegadamente por problemas na caixa-de-velocidades, em situação de redução.

Uma das maiores vantagens da Mercedes parece residir na sua unidade motriz, potente e fiável, a proporcionar maior velocidade de ponta e permitindo aos seus monolugares descolar dos adversários nas rectas. A marca alemã parece ter vencido a guerra de inverno pela construção e adaptação aos novos motores V6: estima-se que a Mercedes tenha cerca de 450 funcionários (a Renault, que fornece o motor à Red Bull, conta com 250) na sua base de F1 em Brixworth, Inglaterra. Destes, 86 terão sido contratados desde o final da temporada passada, tornando clara a aposta da marca no ataque ao título da presente temporada. Aliado a um chassis muito bem desenvolvido, muito estável e robusto, o motor tem justificado o investimento e a permanência da Mercedes no paddock da F1 -- recorde-se que, recentemente, Thomas Weber, responsável pela pesquisa e desenvolvimento na Daimler, marca-mãe da Mercedes, afirmou que, se a F1 tivesse mantido os motores V8, a equipa teria abandonado a categoria.(Foto:Autosport.pt)

A Red Bull parece estar a conseguir maior consistência de prova para prova, ainda que a falta de velocidade de ponta continue a marcar a diferença para a Mercedes, sobretudo em circuitos rápidos como a Malásia e o Bahrain. Veremos o que nos traz o GP da China, circuito que, apesar de duas rectas longas, é dotado de várias curvas e contra-curvas lentas, onde o apoio aerodinâmico dos monolugares irá certamente marcar a diferença.

Num momento em que a Red Bull vai ainda procurando encurtar a distância para os homens da Mercedes, veremos o que nos traz a sinuosa pista de Shanghai, já que os monolugares austríacos têm tirado maior vantagem de situações de curva para ultrapassagem. Será, porém, em Espanha, no primeiro Grande Prémio da Europa, que melhor poderemos vislumbrar o que nos reserva o resto da temporada, dado que será na pista da Catalunha que praticamente todas equipas receberão o primeiro grande pacote de desenvolvimentso da época 2014.

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