Salvio e Rodrigo ou as armas de um ataque moderno
Os dois jogadores foram essenciais na vitória europeia (Foto: AFP | Patrícia de Melo)

O Benfica cilindrou ontem o AZ Alkmaar: o domínio avassalador não se traduziu nos números mas ficou reflectido na forma magistral, calma e superior como os encarnados esmagaram o jogo dos holandeses, que durante os 90 minutos não foram capazes de esboçar reacções de verdadeiro perigo para a baliza de Artur. Gerindo com tranquilidade a vantagem de 0-1 obtida na primeira mão da eliminatória, o Benfica manipulou o ritmo cardíaco do jogo, acelarando sempre que queria dar graves estocadas na partida: assim foi, pelo pé de Salvio, que assistiu, e pelo de Rodrigo, que finalizou a preceito. Por duas vezes o pé direito de Salvio descobriu o esquerdo de Rodrigo: assim se conta a história do Benfica 2-0 Alkmaar.

Cardozo estático com a dupla a entender-se sozinha

Cardozo foi titular, encabeçando o ataque encarnado, e, apesar de razoavelmente expedito, não foi capaz de bater Alvarado, que sempre se opôs ao paraguaio com exímia perícia. O ponta-de-lança tentou mas viu o golo ser-lhe negado por três vezes, tendo falhado outra ocasião, falhando igualmente a baliza do AZ. Mas a solução ofensiva do Benfica residiu na velocidade, no poder de movimentação e na mobilidade ininterrupta de Salvio e Rodrigo - o extremo argentino arrancou várias vezes pelo seu flanco, verticalizando o lado direito da formação encarnada, puxando marcações para si e abrindo brechas no jogo interior das «águias»

O primeiro golo traduz em imagens as palavras que acima o descrevem: Salvio esticou o jogo pelo flanco direito, galgando metros sem ser apanhado, conquistando a linha de fundo para depois servir na perfeição Rodrigo, que se desmarcou com exactidão, pelo lado oposto. O segundo golo benfiquista nasce da mesma dinâmica, plena de amplitude de movimentos e a toda a largura do campo: Salvio carrega a bola pelo seu flanco, pisa a linha final e cruza com conta peso e medida, surgindo Rodrigo, nas costas da defesa, a finalizar. 

O ponta-de-lança paraguaio, apesar dos esforços, simplesmente não foi capaz de se integrar neste vaivém ofensivo de Salvio e Rodrigo. Surgindo na partida apenas em situações de pura finalização, Cardozo passou ao lado do virtuosismo atacante do Benfica, hoje feito de desmarcações contínuas, diagonais rápidas, combinações velozes e uma profundidade de acção apenas ao alcance dos mais ágeis. Não é de admirar que, enquanto Salvio pela direita e Rodrigo pela esquerda faziam estragos na defensiva de Alkmaar, Cardozo assistisse , no centro, à correria, incapaz de se juntar à celeridade atacante dos dois homens da partida.

Salvio foi herói da eliminatória

Salvio foi, de facto, elemento preponderante nesta eliminatória frente ao AZ Alkmaar: o extremo, que esteve lesionado durante seis meses, foi entrando aos poucos na equipa benfiquista, tendo agora mostrado um nível cada vez mais próximo do seu melhor patamar exibicional. O argentino marcou um crucial golo no AFAS Stadium, tendo depois feito duas assistências para golo, entrando assim em três dos quatro golos do Benfica diante do AZ. 

VAVEL Logo