Redução de custos na F1 é mesmo para avançar
Foto: FIA

Redução de custos na F1 é mesmo para avançar

Depois de muita polémica, a FIA, Bernie Ecclestone e todas as equipas da grelha reunirão no dia 1 de Maio, com o objectivo de dar passos concretos para a imposição de tectos orçamentais já em 2015.

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Hugo Picado de Almeida

Depois de avanços e recuos nas decisões de impor tectos orçamentais às equipas, tudo indica que antes do Grande Prémio de Espanha (a correr no fim-de-semana de 10 e 11 de Maio) haverá verdadeiros acordos para limitar os custos da modalidade para as equipas ao longo dos próximos anos. A FIA, Ecclestone e todas as equipas da grelha reunirão no dia 1 de Maio.

Grupo Estratégico quis fazer marcha-atrás

No final do ano passado, todas as equipas de F1 tinham acordado encetar diálogo com o objectivo de, durante 2014, definirem tectos orçamentais para a investigação e produção dos seus monolugares, períodos de testes, gestão de pessoal e logística, entre outros. A polémica acendeu-se quando, nos dias que antecederam o GP da China, o Grupo Estratégico − composto pela Mercedes, Red Bull, Ferrari, McLaren, Lotus e Williams –, assim como Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da F1, vetou a decisão da Federação Internacional do Automóvel (FIA), que se propunha a avançar com estas limitações já em 2015.

Monisha Kaltenborn (Sauber), a primeira mulher a chefiar uma equipa de F1. (Foto: India Times)

Apanhadas de surpresa pela quebra do acordo alcançado entre as 18 escuderias em 2013, as equipas que não fazem parte do Grupo Estratégico vieram a público manifestar o seu desagrado, com a Sauber à cabeça. Monisha Kaltenborn, chefe da Sauber, revelou o seu espanto pela decisão e pelo facto de só ter tomado conhecimento da resolução do Grupo Estratégico através da imprensa: «É um duplo desapontamento, pois não percebemos como é que as equipas grandes votaram connosco para se seguir um caminho e, depois, quando se encontraram a sós, votaram contra o que tínhamos acordado; e não posso compreender como é possível as equipas que não fazem parte do Grupo Estratégico venham a saber das suas decisões apenas pelos jornais...». O sucedido deu, inclusive, lugar a uma queixa conjunta da Sauber, Force India, Marussia e Caterham, as equipas "mais pequenas" da grelha, junto da União Europeia, por considerarem que este sistema decisório (o Grupo Estratégico) viola regras comunitárias de igualdade e concorrência. A UE informou estar já a averiguar o caso, assim como o imiscuir da FIA nos aspectos comerciais da F1.

Redução de custos com desenvolvimentos a 1 de Maio?

Em face desta polémica entre as equipas, a FIA e o detentor dos direitos comerciais da modalidade, Bernie Ecclestone, todas as partes acordaram reunir no dia 1 de Maio, ainda antes do Grande Prémio de Espanha, para dar passos concretos no sentido de alcançar consensos sobre a imposição de tectos orçamentais.

Se, em comunicado oficial, a FIA esclarecia que todas as equipas estão empenhadas na redução de custos, a opinião que "pequenas" e "grandes" equipas têm do assunto não é, de todo, igualitária. Para o chefe da Force India, Bob Fenley, não se trata tanto das equipas, «mas sobretudo do futuro da Fórmula 1», e para a Sauber, que muito tem batalhado sobre o assunto, «o tempo está a esgotar-se. Na verdade, o tempo para uma decisão já passou há muito, mas nunca é tarde.», declarou Kaltenborn. Em resposta à chefe da equipa suíça, Christian Horner, técnico da Red Bull, afirmou que, ainda que seja necessário reduzir custos, não vê como é que «um tecto orçamental de 200 milhões de dólares ajudará a Sauber? Não poupariam um único dólar» (o orçamento da Sauber para 2014 ronda os 85 milhões de euros).

Toto Wolff. (Foto: Sutton Images)

O assunto é delicado, até porque a definição de limites orçamentais será sempre complexa, uma vez há equipas que produzem todos os componentes, do chassis à caixa de velocidades e unidade motriz, e cujo desenvolvimento muitas vezes é feito a par dos seus carros de estrada. Toto Wolff, Director Executivo da Mercedes, defende por isso não um tecto orçamental mas sim um conjunto de limitações a diversos níveis, como já existe, aliás, nomeadamente com a redução do número de testes permitidos e com o número de elementos que cada equipa pode ter presente em cada prova. Wolff sugere limitações no número de horas de testes em túnel de vento, impedir os duplos turnos que todas as equipas usam para trabalhar sem parar nos seus monolugares antes dos Grandes Prémios, proibir a chegada de novos componentes em todos os dias até à qualificação, reduzir o número de trabalhadores por equipa, no longo prazo, etc. Nas palavras do austríaco, «Todas as equipas querem reduzir custos, mas temos de o fazer de forma disciplinada, inteligente e consensual. Compreendo o problema das equipas pequenas e também quero reduzir a diferença de meios entre a frente e a traseira do pelotão, mas temos de evitar decisões precipitadas que possam ter consequências imprevisíveis e negativas para o nosso desporto.»

Orçamento e número de funcionários das escuderias de F1 para 2014
  Orçamento (em milhões de euros) Número de funcionários
Red Bull 425 710
Ferrari 410 700
Mercedes 300 610
McLaren 230 630
Lotus 160 500
Williams 150 580
Sauber 85 320
Toro Rosso 80 300
Force India 75 330
Caterham 70 350
Marussia 60 200

Fonte: CircusF1.com

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