20 anos depois, ainda e sempre Senna
Hugo Picado de Almeida (VAVEL.com)

20 anos depois, ainda e sempre Senna

A 1 de Maio de 1994, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, morria o brasileiro Ayrton Senna, por muitos considerado o maior piloto de F1 de todos os tempos. 20 anos depois, a memória de Senna perpetua-se entre os amantes não só da modalidade mas do desporto.

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Hugo Picado de Almeida

A 1 de Maio de 1994, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, morria, vítima de acidente, o brasileiro Ayrton Senna, por muitos considerado o maior piloto de F1 de todos os tempos. 20 anos depois, a sua memória perpetua-se entre os amantes não só da modalidade mas do desporto, como símbolo da ética no desporto, do profissionalismo, da dedicação e do respeito pela humanidade.

O fim-de-semana mais negro da F1

A terceira prova da temporada de 1994 de Fórmula 1, o GP de San Marino, ficaria indelevelmente marcado na história pelos mais trágicos motivos. Jornalistas e amigos próximos de Ayrton Senna notavam o piloto tenso e mesmo triste, naquele final de Abril, em Itália. O tricampeão brasileiro, nessa época estreando-se pela Williams – cumprindo assim um namoro antigo entre o piloto e a marca que lhe dera a oportunidade de, quando ainda corredor de Fórmula 3, experimentar um monolugar F1, retirando um segundo ao recorde do carro logo na primeira experiência −, travara uma dura batalha com o seu monolugar Williams FW16 nas duas primeiras provas (que não completara) da temporada, carro muito instável, sofrendo ora de subviragem ora de sobreviragem, e registando agudas ausências de tracção.

Ayrton Senna a bordo do seu Williams, em 1994.

Em 1992, com Senna ainda na McLaren, a Williams estreara um carro complexo e inovador, com um brilhante sistema de suspensão activa electrónica, que automaticamente levantava ou baixava o carro consoante as exigências dos diversos pontos do circuito, criando um claro abismo para a concorrência. Em 1994, ano da morte de Senna, a FIA decidira equilibrar o desporto e proibir uma série de componentes electrónicos e/ou de assistência aos pilotos, como a suspensão activa, os travões ABS e sistemas de ajuda à tracção. No início da temporada, Senna vaticinara: «Os carros estão mais instáveis de pilotar. Talvez se vejam mais carros acidentados, mais saídas de pista… (…) Mais emoção para o público, mas para a gente, até ao ponto em que não aconteça nada. Mas quando acontecer, não será muito confortável.»

As palavras do brasileiro converter-se-iam em fatal realidade no GP em Ímola, preenchido de fatalidades. Logo na sexta-feira, 29 de Abril, durante a primeira sessão de qualificação, o estreante Rubens Barrichello passaria por cima de um corrector da pista, fazendo o carro voar contra uma barreira de pneus, num muito aparatoso acidente de que o jovem brasileiro sairia quase ileso.

No sábado, 30 de Abril, o fim-de-semana vestir-se-ia de negro. Em nova sessão de qualificação, saindo da rápida curva Tamburello (a primeira do traçado e onde Senna também perderia a vida), o austríaco Roland Ratzenberger (piloto da Simtek) perdeu a asa traseira, ficando sem o controlo do carro e indo embater, a cerca de 320km/h contra um muro de betão no exterior da curva Villeneuve. Senna, que acompanhava a sessão nas boxes, assistiu às manobras de reanimação de Ratzenberger, que falhariam. O campeão brasileiro ficou profundamente transtornado, e depois de estudar o local do acidente reuniu com todos os pilotos, no sentido de reerguer a extinta Comissão de Segurança dos Pilotos, que o próprio se dispôs a liderar. A segurança na Fórmula 1 sempre fora uma das preocupações de Senna, que não poucas vezes entrara em violentas e públicas discussões com o antigo presidente da FIA, Jean-Marie Balestre, a esse respeito.

«Um dia, alguém vai morrer nesta curva.», Gerhard Berger

Ironicamente, em 1990, depois de no ano anterior Gerhard Berger, correndo pela Ferrari, quase ter perdido a vida num grave acidente na mesma Tamburello, após chocar de frente com o muro e o seu monolugar explodir, envolto em chamas, Berger e Senna, amigos e então colegas na McLaren, visitaram o local, ambos crendo que o perfil da curva deveria ser alterado, ou o muro de betão removido. Ayrton terá verificado que havia um pequeno rio para lá da pista, e que por esse motivo o muro não poderia ser retirado. Berger concordou, mas terá pronunciado a histórica frase: «Eu sei que não podemos fazer nada, mas algum dia alguém vai morrer nesta curva». Quatro anos depois, era o próprio Ayrton a ser vitimado pelo muro da Tamburello.

O traçado de 1994 nunca mais viria a ser utilizado. O GP de San Marino, hoje fora do calendário de F1, possui actualmente uma chicana lenta no lugar da curva Tamburello.

Depois de um acidentado início, com uma colisão na grelha de partida entre o português Pedro Lamy e o finlandês Lehto a ferir nove espectadores, na sequência de um pneu que fora projectado para a bancada, e de cinco voltas com o safety car em pista, duas voltas apenas se cumpriram até ao fatal acidente de Senna. À sétima volta, Senna liderava, e na parte final da rápida curva Tamburello, o brasileiro acabaria por perder o controlo do carro e sair de pista, embatendo a mais de 200km/h no muro de betão. Várias são as hipóteses e teorias sobre o sucedido, mas os relatórios oficiais indicam que a coluna da direcção teria sido mal soldada, após uma reparação no monolugar, quebrando a meio da curva Tamburello e impedindo Senna de controlar o seu monolugar para a completar. A telemetria mostra que o piloto seguia a 307km/h quando perdeu a direcção, conseguindo ainda extraordinariamente aplicar os travões durante dois segundos e reduzindo a sua velocidade para 233km/h no momento do impacto. A autópsia revelaria que Senna não apresentava nenhuma fractura, à excepção da verificada na base do crânio, resultante do impacto de um pedaço da suspensão frontal direita, que, devido ao impacto com o muro, fora projectado contra o piloto, provocando ainda a ruptura da artéria temporal ao penetrar pela viseira do famoso e inconfundível capacete amarelo de Ayrton. Sid Watkins, histórico chefe da equipa médica da Fórmula 1 e amigo pessoal de Senna assistiu o piloto, realizando ainda uma traqueotomia na pista antes do brasileiro ser transportado para o hospital de Bolonha. Apesar disso, o médico viria a afirmar, mais tarde: «Eu levantei-lhe as pálpebras e era claro, pelas suas pupilas, que tinha um traumatismo neurológico fatal. Tirámo-lo do cockpit e entubámo-lo. Nesse momento, ele suspirou e o seu corpo relaxou. Embora eu seja totalmente ateu, senti que o espírito dele partia nesse instante.»

Aos 34 anos falecia Ayrton Senna, um dos pilotos mais respeitados de sempre, extremamente humano e muito carismático, mas implacável em pista, com uma intensidade ímpar, e de quem o célebre comentador de F1 inglês, Murray Walker, chegou a dizer, elogiosamente, que Senna sempre lhe parecera  «demasiado fanático no que se referia a vencer. Ele acreditava ter um divino direito à vitória».

Senna, um piloto sem limites

Após a morte de Senna, o médico Sid Watkins revelou uma conversa tida com o piloto na véspera do seu acidente fatal, após a confirmação da morte de Ratzenberger. Sid lembrara Senna de que ele era tricampeão, o homem mais rápido do mundo, e sugerira-lhe que se retirasse, que não corresse nesse fim-de-semana e que ambos abandonassem a F1, mas Senna terá simplesmente respondido: «Tenho de correr. Não posso parar agora, de forma nenhuma.»

Ayrton Senna era obstinado com a vitória, um piloto extremamente focado e seguro das suas capacidades. Senna sabia que podia dar sempre mais, como um dia declarou em entrevista: «Tu pensas que tens um limite. Mas uma vez tocado esse limite, algo acontece e subitamente consegues ir um pouco mais longe. Com o poder da tua mente, a tua determinação, o teu instinto e também com experiência, podes voar muito longe.»

Senna sempre foi uma inspiração para o povo brasileiro, numa época de grandes problemas sociais. (Foto: s/d)

Nas palavras do seu amigo Gerhard Berger, Senna tinha algo mais do que qualquer outro piloto da história da F1, uma fenomenal sensibilidade e capacidade para encontrar a melhor afinação e garantir a performance dos monolugares que pilotava. E de facto, Senna foi, e ainda permanece, um dos mais vitoriosos pilotos da história da modalidade. Com 162 GPs disputados, Senna venceu 41, sendo o terceiro maior vencedor da F1 (atrás de Prost, com 51 vitórias em 202 GPs, e de Michael Schumacher, com 91 em 308 provas). Senna é ainda o segundo piloto da história a obter mais pole positions, partindo em primeiro por 65 ocasiões. Tendo disputado quase o dobro de corridas de Senna, Schumacher obteve a pole apenas mais três vezes do que o brasileiro, que é ainda recordista no número de poles consecutivas, com oito. Sobre tudo isto, com três títulos mundiais conquistados (1988, 1990 e 1991), o brasileiro é ainda um dos mais bem sucedidos pilotos da história, superado apenas, em número de campeonatos, por Prost e Vettel (4), Fangio (5) e Schumacher (7).

«Ser segundo é ser o primeiro dos que perdem.», Senna

De Senna se diz que foi o primeiro piloto verdadeiramente profissional, uma vez que todas as suas acções faziam parte do seu grande sonho e declarado objectivo de ser o melhor piloto de F1. Desde cedo Ayrton procurou acompanhamento médico para melhorar a sua compleição física e aumentar a sua resistência, razão pela qual fazia quotidianamente exigentes treinos físicos, às horas de maior calor, para simular as temperaturas experimentadas dentro dos carros de F1, além de meditar para melhorar a sua capacidade de concentração.

Para Damon Hill, histórico piloto britânico, Senna era, além de extremamente talentoso, sobretudo um piloto com uma confiança cega nas suas capacidades, que corria sempre nos limites: «Da primeira vez que fazes uma curva num fim-de-semana, como sabes a que velocidades podes abordar uma curva? O Senna entrava na curva mais depressa do que nunca e acreditava que alguma coisa dentro dele, do Ayrton Senna, o iria ajudar, e ao arro, a completar a curva. Era um acto de confiança, de fé.»

Um mestre à chuva para quem não existiam obstáculos

Ayrton Senna protagonizou, indubitavelmente, algumas das melhores corridas de que há memória na Fórmula 1. Desde logo, a primeira vitória da sua carreira, no GP de Portugal, em 1985, a bordo de um Lotus, é sintomática prova do seu brilhantismo, e de uma especial característica: a sua proficiência ímpar correndo à chuva. Com o circuito do Estoril debaixo de chuva, Senna rapidamente se distancia da competição, vencendo com uma volta de avanço sobre todos os pilotos, à excepção de Michele Alboreto (Ferrari).

Senna, correndo pela Lotus, no GP de Portugal, disputado em 1985, no Estoril. Seria a primeira vitória da carreira do piloto. (Foto: s/d)

A chuva era de resto, o elemento em que Senna explodia face à competição. e ainda antes da vitória no Estoril, o GP do Mónaco, um ano antes, tinha feito despertar as atenções, e virar os holofotes para o jovem brasileiro, então na modesta equipa Toleman. O difícil traçado urbano de Monte Carlo era apenas o sexto GP para Senna, que arrancaria em 13º. Surpreendentemente, e com fortes aguaceiros abatendo-se sobre o circuito, o piloto de 24 anos ultrapassaria toda a competição até chegar ao segundo lugar. Com apenas Prost pela frente, altamente pressionado por Senna, os comissários da prova viriam a decidir, muito polemicamente, dar a corrida por finalizada precocemente, devido ao mau tempo. Senna comentaria: «A Fórmula 1 é política, é muito dinheiro, e, quando você está lá, você tem de passar por isso».

Não menos curiosamente, o primeiro título ganho por Senna, em 1988, com a McLaren, chegaria também num dia chuvoso, desta feita no Japão. A corrida iniciara-se com tempo seco, mas uma má largada da grelha atirara Senna para a distante 16ª posição, numa corrida que ele precisava de vencer. É então que começa a chover sobre o circuito, e Senna bate, carro após carro, a concorrência, até alcançar e segurar a primeira posição.

Mas Senna, piloto muito completo, era magistral na hora de enfrentar as dificuldades e de se superar, por vezes parecendo solucionar o que, para qualquer outro piloto, estaria próximo do impossível. Caso paradigmático dá-se no GP do Brasil, em 1991. Correndo em casa, onde nunca tinha vencido, Senna parte da pole position e domina desde o arranque. Não obstante, a algumas voltas do fim, a caixa-de-velocidades do seu McLaren trai-o e encrava na sexta velocidade. Contrariando todas as previsões, Senna mantém-se em pista e pilota de tal forma que faz diversas voltas apenas na sexta mudança e mantendo a liderança. A emoção do lendário piloto é tão grande que, somada ao esforço hercúleo para levar o carro até ao fim da prova, desmaia pouco depois de atravessar a meta. Nesse mesmo ano, o piloto conquistaria o terceiro título mundial.

Inconformado combatente contra o lado político do desporto

Batendo-se sempre pela transparência e justiça na F1, pela luta de igual para igual e colocando sempre o valor da vida acima de tudo, Senna chocou por diversas vezes com algumas das mais proeminentes figuras da modalidade, nomeadamente com Jean-Marie Balestre, intransigente presidente da FIA entre 1986 e 1993.

Depois de alcançar o seu primeiro título mundial, Senna viu a sua relação com o companheiro de equipa, Alain Prost, deteriorar-se. Ambos os pilotos da McLaren eram muito dotados e competitivos, e viam um no outro a principal ameaça. Em 89 e 90 dão-se dois dos mais emblemáticos casos dessa disputa entre o brasileiro e o francês. Em 1989, no GP do Japão, último da temporada, Prost sabe que, se Senna não terminar a corrida, é o francês o campeão. Com este na frente, Senna procura a ultrapassagem, mas o experiente Prost procura o contacto e ambos os pilotos saem de pista. Prost abandona, mas para surpresa e angústia do francês, o brasileiro usa a escapatória para regressar à pista e, apesar do tempo perdido, ainda recupera e vence a corrida. Entretanto, porém, Prost, que era amigo pessoal do presidente da FIA, correra a queixar-se ao colégio de comissários, invocando os regulamentos e pedindo a desclassificação de Ayrton, por ter utilizado a escapatória e não ter percorrido a chicana do traçado – algo que seria infundado, pois o papel das escapatórias não era senão esse, e essa era prática comum, como diversos peritos o mostraram. O brasileiro acabaria, porém, por ser efectivamente desclassificado e impedido de celebrar o título mundial, que assim passava para as mãos de Prost. No rescaldo do episódio, o francês afirma que se tornou impossível trabalhar com Senna e troca a McLaren pela Ferrari.

Senna (capacete amarelo) e Prost, os dois McLaren após embate no GP do Japão, 1989. (Foto: s/d)

O sucedido, a que viria a juntar-se uma suspensão de seis meses devido a declarações de Senna, que acusava Balestre de manipular o campeonato, desgostara profundamente o sempre muito ético e humano Ayrton, que, como revelado pela sua irmã, chegara a considerar deixar de competir. O episódio havia, porém, de dotar o piloto de uma maior compreensão dos bastidores da F1, do seu lado político, o que fortaleceria a carreira do próprio Senna.

Com efeito, no ano seguinte, o último GP, novamente disputado no Japão, teria de voltar a decidir o campeão, e Senna e Prost, desta vez de papéis invertidos (Senna seria campeão se Prost não terminasse), eram os dois candidatos. O brasileiro ganharia a pole mas, para surpresa de todos, a organização da prova muda o primeiro lugar da grelha para o lado sujo da pista, o lado mais distante da trajectória óptima de corrida. Senna proteste, acusa Balestre de beneficiar Prost, que assim partiria com vantagem, mas sem sucesso.

Prost (à esquerda) e Senna em colisão, no GP do Japão, em 1990. (Foto: s/d)

Sobre o assunto, Senna diria a célebre frase: «Não, hoje não. Hoje vai ser da minha maneira.» Como esperado, Prost arrancaria melhor, mas à entrada para a primeira curva, Senna não cede espaço, colide com Prost e ambos são atirados para fora da pista. Senna vencia o título de 1990, tornando-se bicampeão mundial.

Apesar de tudo isto, Senna disse um dia, quando questionado sobre quem eram os seus inimigos, que «a vida é demasiado curta para ter inimigos».

Muito mais do que um piloto, um legado

Ayrton Senna era um piloto exímio, por muitos considerado o melhor de sempre, mas o brasileiro destacava-se sobretudo pela profunda humanidade, pela sua ética, pelo respeito, pela grande dimensão do seu carácter.

Dele, Damon Hill diria que «A grande diferença entre o Ayrton e os outros pilotos é que ele sabia que havia mais coisas além da F1. A sua missão na F1 era criar uma plataforma onde pudesse manifestar-se sobre a humanidade, os problemas das pessoas.»

Senna tinha uma grande consciência social, e procurava apoiar instituições de solidariedade, hospitais, e outros, focando a maioria das suas acções nos jovens e crianças.

«Melhorar é o que me faz feliz. (…) E estou a falar tanto enquanto piloto como enquanto homem. E tenho mais para aprender como homem.», Senna.

Após a sua morte, a sua família deu seguimento ao desejo que Senna tinha de apoiar financeiramente diversas instituições de modo sistemático, e para isso foi criado o Instituto Ayrton Senna, que ainda hoje prossegue o seu trabalho, com o objectivo expresso de apoiar e melhorar a qualidade da educação pública.

Porém, Senna deixou muito mais, e em diversos níveis. Além dos momentos de puro deleite que ainda hoje embevecem os fãs da Fórmula 1, a sua luta pelos direitos e segurança dos pilotos, e mesmo a sua trágica morte, resultaram em novos regulamentos técnicos para a F1, assim como o desenvolvimento de diversos sistemas de segurança, como o apoio para cabeça e pescoço, HANS, obrigatório desde 2001, vital por impedir a fractura basal do crânio em caso de impacto. Desde o fatídico GP de San Marino, em 1994, que nunca mais se registou qualquer acidente fatal na modalidade.

Sistema de segurança HANS acoplado a capacete. (Foto: f1.com)

Entre 1 e 4 de Maio de 2014, no circuito de Imola, palco das mortes de Ratzenberger e de Senna, será prestada homenagem a ambos os pilotos, num conjunto de cerimónias promovidas pela Ferrari, dona do circuito de Imola, equipa na qual Ayrton Senna um dia confessou gostar de terminar a sua carreira.

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