Solução criativa da Mercedes constrói motor vencedor
(Imagem: Mercedes AMG)

Solução criativa da Mercedes constrói motor vencedor

Após os primeiros Grandes Prémios, percebe-se que o motor Mercedes está uns furos acima da concorrência. A marca alemã desenvolveu um sistema tão inovador quanto vencedor, usando uma disposição dos componentes do turbo nunca antes experimentada.

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João Pereira

Os novos motores da época 2014 são complexas peças de alta-tecnologia, o coração dos monolugares F1. Como tal, o seu desempenho é talvez o maior responsável pelo sucesso de uma equipa numa época, a par da performance do piloto que o controla. A Mercedes, que tem dominado o início da temporada, tendo vencido os quatro GPs já disputador e fazendo a dobradinho em três deles, parece ter dois dos melhores pilotos da grelha, mas o maior ingrediente do sucesso estará no novo motor.

 

Novos e mais eficientes motores

Além destes novos motores serem agora V6 de 1.6 litros, turbo (ao invés dos V8 2.4 de normal aspiração da época passada) as novas unidades motrizes são de tecnologia híbrida, o que significa que parte da potência é servida através de uma bateria eléctrica, que é recrregada a partir de dois componentes. Um deles é um gerador (Motor Generator Unit - Kinetic) acoplado ao eixo traseiro do monolugar, que recupera a energia cinética acumulada durante a travagem e que pode posteriormente ser usada na aceleração.

O outro gerador (MGU-Heat) está ligado ao turbo, recuperando a energia a partir do calor proveniente dos escapes dos monolugares. A energia pode ser usada tanto para aumentar a potência do motor, aplicando-a às rodas traseiras, ou para remover o atraso que normalmente se verifica nos motores turbo, entre o momento em que o piloto pisa o acelerador e em que o fornecimento de energia é efectivamente concretizado. Este segundo sistema não tem limite de utilização, ao contrário do que acontece com o MGU-K, que só pode ser usado durante um máximo de 33 segundos por volta e oferecendo não mais do que 160 cavalos extra.

Os motores turbos usam um compressor e uma turbina para gerar uma maior potência. Isto dá-se primeiramente através dos gases de escape, que fazem girar a turbina, que por sua vez activa o compressor, que comprime o ar ambiente antes de o injectar no motor. Este ar passa ainda por um intercooler, para que arrefeça e em consequência se torne mais denso, melhorando a eficiência do sistema ao ser enviado para o motor.

A inovação vencedora da Mercedes

Normalmente, o compressor e a turbina estão colocados lado a lado. Uma das vantagens, e inovações, da Mercedes é mesmo essa: os dois componentes estão separados: a turbina encontra-se na traseira do motor, enquanto o compressor fica à frente deste. As vantagens e benefícios desta abordagem são diversos: por um lado, com o compressor à frente, o ar que entra no sistema está mais fresco, pelo que pode ser utilizado um intercooler mais pequeno com o mesmo desempenho; em segundo lugar, a distância percorrida pelo ar, do compressor e intercooler até aos cilindros, é menor, o que, por reduzir perdas de pressão pela distância viajada, aumenta a potência gerada. Tal arquitectura acaba por reduzir o "lag" do turbo, o que significa que uma menor percentagem da energia gerada pelo MGU-H tenha de ser aplicada com esse fim, ficando livre para uso no eixo traseiro, aumentando a potência disponível para o piloto.

Esta distribuição dos componentes torna ainda todo o sistema mais simples, com menos ligações, permitindo reduzir o peso do carro e facilitando a sua distribuição, além de que, com os componentes a ocuparem menos espaço e deixarem de ficar lado a lado, os projectistas ganham maior margem de manobra na hora de conceber os monolugares em termos aerodinâmicos.

Veja o vídeo para compreender o funcionamento das unidades motrizes híbridas da presente temporada:

 

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