Benfica conquista Turim e carimba passaporte para...Turim

Benfica conquista Turim e carimba passaporte para...Turim

O Benfica sofreu, defendeu, suou sangue e lágrimas durante 98 minutos mas, por fim, acabou por derrotar a poderosa Juventus na casa da «vecchia signora». Um estóico 0-0 premiou a heroicidade dos encarnados, que acabaram a partida com 9 jogadores. Em Turim, as «águias» carimbaram a passaporte para...Turim, onde será jogada a final da Liga Europa. (Foto: Isabel Cutileiro)

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JuventusBUFFON; CÁCERES, BONUCCI (GIOVINCO, 73') E CHIELLINI; LICHTSTEINER, VIDAL (MARCHISIO, 79'), PIRLO, POGBA E ASAMOAH; LLORENTE (OSVALDO, 79') E TEVEZ.
BenficaOBLAK; MAXI PEREIRA, LUISÃO, GARAY E SIQUEIRA; MARKOVIC (SULEJMANI, 84'), RUBEN AMORIM, ENZO PEREZ (66' - EXPULSO) E GAITÁN (SALVIO, 77'); LIMA E RODRIGO (ANDRÉ ALMEIDA, 68').
ÁRBITROMARK CLATTENBURG. AMARELADOS: RODRIGO (56'), ENZO PÉREZ (60'; 66'), ASAMOAH (64'), OBLAK (81'), SALVIO (90'). EXPULSÕES FORA DE CAMPO: VUCINIC (88') E MARKOVIC (88')
INCIDENCIAS2ª MÃO DA MEIA-FINAL DA LIGA EUROPA, Juventus Stadium

O Benfica celebrou na casa da Juventus a passagem à final da Liga Europa, gelando o Juventus Stadium por completo. Um lusitano balde de água fria sobre a cabeça dos adeptos bianconeri, que assim são despejados para fora da competição, que irá ser decidida no seu reduto. No palco da final, o Benfica soube sofrer, soube correr e suar todas as suas forças, que certamente ficaram no relvado do opositor. Extenuados mas vitoriosos, os encarnados celebraram assim a sua segunda final consecutiva na Liga Europa - mesmo reduzido a 9 elementos, o Benfica cerrou os dentes e resistiu à dor da pressão do colosso italiano. 

Depois de atingida a meta da final europeia, o Benfica, já campeão nacional, consuma a presença em três finais: Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa. Três troféus para disputar, uma excelente forma de exorcizar por completo o horrendo final de temporada vivida em Maio de 2013. A aptidão defensiva das «águias» serviu de tampão, bloqueando os intentos da Juventus e preservando a vantagem obtida na primeira mão da eliminatória. Nem mesmo depois da expulsão de Enzo e da lesão de Garay o Benfica sucumbiu: valeu o esforço encarnado e o desacerto bianconeri.

Formação tartaruga escudou Benfica contra La Signora Omicidi

O Benfica entrou pressionante mas rapidamente se apercebeu que a clareza de jogo da Juventus seria pauta dominante na partida. A formação encarnada sentiu a pressão e encolheu-se, baixando as linhas e encurtando os espaços, cerrando marcações e cingindo-se, durante a primeira parte, à concentração defensiva, tanto em termos posicionais (Amorim foi omnipresente nas dobras e nos cortes) como no despique directo na hora de estancar as incursões de Asamoah, Lichtsteiner, Pogba e Tévez.

O remate potente de Pirlo (defendido com classe por Oblak) deu o mote ofensivo e o automaticamente o Benfica se recolheu, preparando-se para a avalanche de ataque da Signora Omicidi. Submetendo ao maior domínio italiano, o conjunto benfiquista encolheu-se numa espécie de formação tartaruga, dando espaço para a Juventus se esticar no campo e alargar o diâmetro das suas acções: os alas tentaram destabilizar o bloco recuado do Benfica, apoiados, com perigosidade, por Pogba e Vidal. E foi mesmo pela cabeça de Vidal que o golo esteve para ser cantado em Turim: Asamoah cruzou para a cabeça de Vidal e só a cabeça salvadora de Luisão negou o golo ao chileno - decorria o minuto 45.

Expulsão de Enzo ainda uniu mais as tropas

Pirlo voltou a ameaçar a baliza de Oblak (de livre directo) mas o esloveno sacudiu o intento do regista. O segundo tempo arrancou com uma maior assertividade do meio-campo encarnado, que tentou agitar a constância dominante da Juventus. Mas, depois de uma dualidade de critérios deplorável, o árbitro, que deixou passar impune uma entrada de Asamoah sobre Markovic (ataque prometedor), brandiu o cartão vermelho ao médio Enzo, punição por duas faltas cometidas no meio-campo. Aos 67 minutos, a formação de Jesus via-se num cenário negro: empurrada contra as cordas, em inferioridade numérica e em pleno reduto do opositor.

A meia hora seguinte mostrou um Benfica de dentes cerrados, combativo, concentrado e resiliente. Mais uma vez a jogar com menos um elemento (relembram-se as finais da Taça de Portugal e Taça da Liga ambas contra o FC Porto), o Benfica soube fazer das tripas coração, defendendo-se com abnegação das investidas do virtual campeão italiano. Jorge Jesus retirou Rodrigo de campo e colocou André Almeida, de modo a reforçar a manobra defensiva: o português, sereno, cumpriu competentemente a sua função. Conte ordenou um avanço derradeiro, colocando Osvaldo no relvado e retirando Bonucci para lançar o velocíssimo Giovinco. Osvaldo ainda colocou a bola na baliza de Oblak, mas a badeirola estava içada.

Garay nocauteado desfalcou ainda mais

Ao minuto 92, nova contrariedade para as compenetradas falanges benfiquistas em batalha: Garay prova o pé pesado de Pogba, na sequência de um remate de moinho, falhado, do francês. Estatelado no relvado e sagrando da boca, o central goleador teve de abandonar o campo, deixando o Benfica reduzido a 9 unidades (esgotadas que estavam as substituições). O jogo, que durou até aos 98 minutos, devido aos desacatos passados na zona técnica dos bancos (expulsões de Vucinic e de Markovic), tornou-se ainda mais penoso para o Benfica, mas o espírito de sacrifício das «águias» preservou a vantagem até final. Oblak, aos 97, confirmou a passagem com uma defesa preciosa a uma cabeçada de Cáceres.

Luisão imperial e Amorim omnipresente

Grande parte da serenidade da actuação defensiva do Benfica deveu-se ao discernimento do capitão Luisão, sempre calmo, focado e imperial na disputa aérea dos lances. Com uma mão cheia de cortes superiores, o central brasileiro comandou a zona defensiva como uma general sem medo, contangiando com confiança os restantes companheiros. O corte, em cima da linha, negando o golo a Vidal, é a melhor prova de uma exibição superior. Rúben Amorim, que desempenhou a função de pivot defensivo, esteve impecável, nomeadamente nas dobras aos colegas do eixo mais recuado, com cortes precisos.

Markovic, Enzo e Salvio falham a final

A dura e épica batalha de Turim deixou marcas no Benfica: três jogadores (importantes) não poderão defrontar o Sevilha na final. Enzo (expulso com duplo amarelo) não poderá comandar as operações a meio-campo diante dos sevilhanos; Markovic, expulso fora das quatro linhas (ao minuto 89) também não poderá reforçar a ala direita do ataque; Salvio, que entrou na recta final do jogo, também ficará afastado da final de Turim, depois de ter visto um cartão amarelo, ele que estava em risco de suspensão, a precisamente um cartão amarelo do castigo. Adivinha-se a titularidade de Sulejmani na faixa direita.

Conte demonstrou frustação

No imediato rescaldo da eliminação da sua equipa, impossibilitada de concretizar o desejo de jogar a final disputada no seu próprio estádio, Antonio Conte não conteve a sua frustração com a derrota na eliminatória: «Passou a equipa que menos mereceu», declarou o antigo médio, que elencou as razões da conclusão: «O Benfica não nos deixou jogar e o árbitro permitiu que eles o fizessem. O árbitro deu seis minutos de compensação quando estivemos três sem jogar. Com dois remates à baliza em dois jogos, o Benfica passou à final. No cômputo geral dos dois jogos, a Juventus merecia passar. Demos tudo o que tínhamos», afirmou.

 

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