A final da infelicidade
Jorge Jesus voltou a perder uma final europeia (Foto: Reuters)

A final da infelicidade

Várias razões contribuíram para que o Benfica não tenha conseguido os seus intentos de vencer a Liga Europa e assim regressar às conquistas europeias.

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Rafael Reis

Poderiam os pessimistas dizer que a final da Liga Europa já estava a correr mal para o Benfica mesmo antes de começar, bastando para tal constatar que a conjectura ligada às várias ausências de vulto na equipa encarnada tornavam ainda mais complicado um teste que já por si era complicado e que era apresentado pela valia da equipa do Sevilha.

Benfica não conquistou a Liga Europa por culpa própria e também de outrem

Há já algum tempo que era sabido que Sílvio e Ljubomir Fejsa, por motivos de ordem física, não fariam parte das opções. No entanto, tudo piorou ainda no decorrer da meia-final perante a Juventus, na qual os argentinos Eduardo Salvio e Enzo Perez passariam a ficar também ‘riscados’ da convocatória para o derradeiro encontro, no primeiro caso por ter atingido o limite de amarelos e o segundo por ter recebido ordem de expulsão.

Expulsão que também colocava o titular Lazar Markovic em dúvida em virtude de uma discussão que decorreu durante o encontro ante os campeões italianos na qual se comprovou a ausência de culpas do sérvio numa situação na qual apenas foi elemento apaziguador num conflito entre o companheiro de equipa Artur Moraes (não admoestado) e o amigo Mirko Vucinic, também expulso. Apesar das imagens que serviam de prova e o depoimento do próprio Vucinic, a UEFA estranhamente optou por não reagir.

Assim sendo, à entrada para uma final europeia as águias não contavam com cinco potenciais titulares. Para dificultar ainda mais a contenda benfiquista, o início do encontro ainda traria uma entrada bastante ríspida por parte do espanhol Alberto Moreno sobre Miralem Sulejmani, ironicamente o substituto de Salvio e Markovic, incapacitando-o com uma lesão no ombro que o levou mesmo à mesa de operações.

Primeira alteração de Jesus foi o primeiro erro de uma noite de pouco acerto

Contas feitas, ainda na fase inicial da final o Benfica via-se privado de seis opções, o que de facto consistia num problema mas não de uma tarefa impossível para os comandados de Jorge Jesus, que no preciso momento da substituição de Sulejmani cometeu o primeiro erro de julgamento, optando por lançar André Almeida em jogo em detrimento de uma alternativa directa como o poderia ser Ivan Cavaleiro, preferindo adiantar Maxi Pereira para a posição de extremo direito.

Como resultado o Benfica convidou Alberto, um canhoto com apetência para subir no terreno e detentor de uma interessante meia distância, a imiscuir-se muito mais nas tarefas ofensivas de uma equipa que a partir desse momento ganhou predominância sobre o encontro, adoptando um estilo muito aguerrido que pode comparar-se ao do FC Porto dos seus bons velhos tempos.

Ainda assim, o Benfica demorou, mas conseguiu reequilibrar os pratos da balança, no entanto sem o brilho habitual; mesmo assim, passou a dominar a partida e criou as melhores ocasiões para marcar. Sem ponta de ironia ou qualquer diversão, pode dizer-se que ao Benfica faltou uma segunda mão, tal como nas anteriores eliminatórias.

Lamentável arbitragem de Felix Brych não ajudou às aspirações benfiquistas

Depois de uma noite em que a eficácia não ditou leis, não haveria nada melhor do que uma segunda mão no Estádio da Luz para resolver a questão. Infelizmente tratava-se de uma decisão a apenas um jogo, o que complicou ainda mais as pretensões encarnadas que para cúmulo se terão tornado excessivas ao ter sido por muitos criada a imagem de superfavoritismo sobre um adversário também ele muito bem apetrechado.

A quase obrigação de ganhar a Liga Europa não fez bem ao Benfica, que a dada altura pareceu querer exagerar na competência e, diga-se, esbarrou também… na incompetência, principalmente de uma arbitragem lastimável de Felix Brych, que despojou a turma encarnada de duas grandes penalidades evidentes que resultariam, para cúmulo, nas expulsões de Federico Fazio e Alberto Moreno, e de um terceiro lance duvidoso que envolve o braço de Daniel Carriço.

Como resumo, a uma equipa limitada por lesões e castigos, prejudicada pela arbitragem e colocada perante um bom adversário ainda se juntou um treinador que acusou o momento: Jorge Jesus sentiu a final, temeu o Sevilla e assim ‘queimou’ pelo menos duas substituições ao ter lançado Almeida quando deveria ter mantido a génese da equipa e ao ter segurado em demasia a terceira alteração.

Com efeito, ao ter colocado Ivan Cavaleiro a tão pouco tempo do final do prolongamento que o extremo não terá sequer tocado na bola, nem sequer nos pontapés da marca de grande penalidade que haveriam de ser a condenação do sonho benfiquista de regressar às conquistas europeias e que assim volta a ser adiado, Jesus perdeu mais uma oportunidade de dar a única e decisiva estocada ao Sevilla, que junta uma Liga Europa às duas Taças UEFA que já guardava no seu museu.

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