Caminho para o Brasil 2014: Uma ofensiva a temer

Caminho para o Brasil 2014: Uma ofensiva a temer

Com o Campeonato do Mundo à porta, a equipa VAVEL dá-lhe a conhecer uma das favoritas à vitória do troféu. Aos comandos de Joachim Low, a Alemanha encontra-se no grupo de Portugal, sendo provavelmente o adversário que a seleção das quinas mais deve temer.

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Beatriz Gonçalves

Para chegar à fase final do Mundial no Brasil, os germânicos tiveram que ultrapassar o grupo C da fase de apuramento, defrontando a Suécia, Áustria, Ilhas Faroé e Cazaquistão. Os confrontos com a seleção de Ibrahimovic foram absolutamente apaixonantes, com a Alemanha a ser surpreendida no seu reduto com um empate a 4 bolas, e com um jogo na Suécia bem disputado que terminou com a vitória dos alemães por 3-5.

Numa seleção recheada de estrelas como Kroos, Ozil, Muller ou Klose, resta analisar as fragilidades e os pontos fortes de uma seleção que aparentemente parece imbatível, mas que não se apresenta como uma tarefa impossível para os 23 de Paulo Bento. O grupo é ainda composto pelos Estados Unidos e pelo Gana, mas o principal perigo surge mesmo do lado dos alemães. Conheça agora ao pormenor a seleção tricampeã mundial.

Máquina explosiva de ataque

Ao contrário de outras seleções da Alemanha, que privilegiavam o poder físico e o jogo directo, a atual seleção germânica detém uma criatividade e técnica incomuns que fazem com que esta seleção se torne uma das principais favoritas a vencer a prova.

O sistema tático preferencial do selecionador alemão é o 4-3-3, que varia em muitas fases de jogo para um 4-2-3-1. Estas alterações tácticas só são possíveis devido à excelência dos escolhidos de Low, que lhe permite ter diversos jogadores com características diferentes que fazem com que o futebol germânico flua com naturalidade, dinâmica e organização perante uma alteração táctica, sem esquecer a irreverência e criatividade dos homens da frente.

Neste plano táctico, é de destacar a preponderância que Schweinsteiger tem nos equilíbrios defensivos, bem como na saída criteriosa para o ataque. Trata-se de um jogador essencial para o Bayern de Munique, que cresceu imensamente enquanto jogador e foi gradualmente perdendo as características de atacante, tornando-se agora um dos melhores médios defensivos a nível mundial, e sendo por isso um importante peão na equipa alemã. Caso o selecionador prefira desenhar taticamente a sua equipa num 4-3-3, Schweinsteiger terá à sua frente no meio do terreno jogadores como Kroos e Ozil.

Com este trio de meio campo, a estratégia desta formação é claramente com alto pendor ofensivo, sendo arriscado jogar nesse sistema táctico no jogo, por exemplo, contra Portugal, ou outras seleções ainda mais fortes. Com Kroos e Ozil, a equipa ganha visão de jogo, alta craveira técnica, e uma forte meia distância que torna o meio campo alemão um dos mais temíveis de todas as seleções em prova.

Em jogos com maior dificuldade, o selecionador poderá apostar no duplo pivô para compor o 4-2-3-1, com Schweinsteiger e Khedira a serem os centro campistas mais defensivos. Com esta opção, o futebol da Alemanha adquire poder de choque e uma agressividade que pode destruir e construir jogo para os criativos da frente. A ajudar os alas, destaque para Ozil, que neste sistema táctico deverá ser o escolhido em detrimento de Kroos, pela sua experiência e pela sua técnica de classe mundial.

Qualquer que seja o sistema táctico, o selecionador aposta habitualmente num tridente ofensivo altamente veloz e tecnicista, que perante tanta qualidade/quantidade cria dores de cabeça positivas ao técnico. Nomes como Gotze, Muller, Schurle, Reus e Klose deverão disputar as três vagas no onze, sendo mais provável a utilização de Schurle e Reus nas alas e Muller como falso ponta de lança. No caso dos alas, é de realçar o seu repentismo, juventude e técnica, que tornam a manobra ofensiva alemã um terror para as defesas contrárias. O recurso a Muller como falso ponta de lança poderá variar consoante o adversário, uma vez que Klose é sempre uma aposta válida por ser um ponta de lança puro e goleador, tendo sempre feito história ao longo de todos os campeonatos do Mundo em que já participou (14 golos nas fases finais de Mundiais).

Hummels e mais três

Numa seleção tão recheada de estrelas como a Alemã, é inglório falar num ponto fraco. No entanto, a maior lacuna desta formação é sem dúvida o sistema defensivo, que apesar de ter qualidade não atinge a excelência que o meio campo e o ataque denotam.

O principal craque do último reduto germânico é o titularíssimo do Borussia Dortmund Hummels, um defesa central rápido, com elevada estatura e com muita técnica que lhe permite ter vantagem na marcação aos avançados contrários. Apesar da classe mundial deste atleta, o restante foro defensivo é algo irregular. Lahm destaca-se pelos corredores. Jansen e Boateng são jogadores razoáveis mas longe de acompanharem a qualidade de jogo do principal elemento Hummels.

Um exemplo claro de alguma passividade da defesa alemã passa pelo jogo frente à Suécia, na fase de apuramento, em que depois de a Alemanha se encontrar em vantagem por 4-0 (dois de Klose, um de Ozil e outro de Mertesacker) os suecos conseguiram o empate, com Ibrahimovic em grande destaque. Esta ineficácia defensiva coloca a nu a principal fraqueza dos comandados de Low, de que a seleção portuguesa poderá usufruir. Esta displicência do último reduto alemão poderá permitir a jogadores como Ronaldo, João Moutinho ou Nani aproveitar ao máximo essas mesmas fragilidades, por forma a contrariar a supremacia ofensiva dos germânicos.

Jogadores a seguir

O LÍDER: Schweinsteiger - Se há jogador que poderá ser considerado o verdadeiro líder numa equipa, é Schweinstiger. O centro campista é um autêntico organizador de jogo que tem o privilégio de conseguir oferecer a dinâmica e a classe de uma das seleções mais prestigiadas do mundo.

O ÁS: Ozil - O médio ofensivo Mezut Ozil é o jogador alemão mais desiquilibrador e talentoso de toda a frente de ataque germânica. O atleta começou por disputar o interesse da Europa do futebol ao serviço do Werder Bremen, e o Real Madrid não hesitou em contratá-lo em 2010 ao serviço dos madrilenos, seguindo depois a sua carreira no Arsenal a partir de 2013. O raciocínio rápido e excelente visão de jogo do “el cuervo” tornam-no incrivelmente perigoso para os adversários, sendo parte essencial do 11 do técnico germânico. Outra das características mais incomuns do génio alemão é a sua qualidade no último passe. De facto, Ozil é o único número 10 puro com maior destaque e qualidade a nível mundial. Perante atacantes tão letais diante das redes, Ozil torna esta seleção ainda mais temível.

De realçar ainda o Euro 2012, altura em que Ozil foi absolutamente essencial a uma forte Alemanha – marcou 5 vezes durante a eliminatória, assistindo por 7 vezes. Estes e outros motivos certamente levarão Low a recorrer em diferentes ocasiões àquele que pode ser declarado como “ás” da seleção alemã.

A NÃO PERDER: Gotze - Um dos atletas mais talentosos e promissores da máquina ofensiva germânica é Mário Gotze, jogador que, atualmente, deslumbra no Bayern de Munique, mas foi ao serviço do Borussia Dortmund que evidenciou as suas habilidades. O extremo estreou-se com 18 anos, e desde cedo se percebia que todos os dribles e fintas eram dotados de extrema habilidade, sendo neste momento comparado a Leonel Messi.

O tecnicista é um dos trunfos para o treinador alemão e uma arma secreta que a qualquer momento poderá saltar do banco de suplentes e perfumar os relvados brasileiros neste mundial. A curto/ médio prazo, o ala irá pegar destaque no onze inicial, mas é sem dúvida um jogador a seguir para esta Copa 2014.

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