Giggs e Puyol: um ano de despedidas

Giggs e Puyol: um ano de despedidas

Puyol e Giggs despediram-se do futebol esta semana, na última jornada da presente temporada. Duas estrelas inesquecíveis do mundo do futebol, dois nomes da mesma geração, Giggs com 40 anos e Puyol com 36, dizem adeus aos relvados pondo fim a duas carreiras verdadeiramente lisonjeadas.

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Inês André de Figueiredo

Ryan Giggs sempre deu nas vistas no relvado, desde cedo despertou a atenção de olheiros quando actuava num clube amador da cidade de Manchester. Aos 17 anos de idade Harold Woods, olheiro do Manchester United, falou sobre o jovem a Alex Ferguson e num jogo contra o seu futuro clube, Giggs marcou um hat-trick e deixou impressionado o treinador. Foi o próprio Ferguson que se dirigiu a casa do jovem talentoso e convenceu a sua família a assinar pelo Manchester United, Giggs tinha apenas 14 anos. No início do seu percurso era conhecido como Ryan Wilson, porém, quando os seus pais se separaram, optou por usar o nome de solteiro da mãe.

Ryan Giggs estreou-se com a camisola dos Red Devils com apenas 17 anos de idade, no jogo seguinte entrou a titular e marcou o golo que deu a vitória ao seu clube. Começava a carreira do miúdo que se iria tornar um homem de camisola vermelha ao peito, um líder, um ídolo de tantos jogadores e apreciadores de futebol. Com 40 anos nunca baixou os braços, dava tudo em campo e corria como se de um jovem se tratasse. A classe que transportava nos pés fazia dele um dos grandes do futebol e fará dele uma estrela inapagável no Manchester onde fez parte de uma era dourada e do mundo futebolístico no geral.

Giggs torna-se assim no último da Classe de 92 do Manchester United a abandonar os relvados, dominando a década de 90, onde actuou ao lado de Beckham, Scholes, Nicky Butt, Phil Neville e Gary Neville, Cantona ou Solskjaer. Apesar de pendurar as botas, Giggs irá permanecer no clube que representou desde jovem assumindo o lugar de treinador adjunto de Louis Van Gaal. O jogador relembrou os 963 jogos que fez pelo United e dos 63 em que representou o País de Gales e recordou sonhos e momentos, ‘«O meu sonho sempre foi jogar no Manchester United, realizei esse sonho com alguns dos melhores jogadores do mundo, trabalhando com um técnico incrível como Sir Alex Ferguson e, acima de tudo, jogando para os melhores adeptos no mundo do futebol».

Se Giggs fará para sempre parte da história do Manchester United, Puyol será um dos nomes mais incontornáveis do Barcelona. Carles Puyol representa as cores da catalunha desde 1997, antes deste apenas um pequeno clube em Pobla de Segur. Começou por representar as equipas B e C do Barcelona mas cedo deu o salto para a equipa principal e para a titularidade da mesma.

Carles les Puyol vestiu a camisola do Barça por 593 vezes e a sua qualidade, espírito de equipa e os anos no clube colocaram-lhe durante muitos anos a braçadeira de capitão no braço. Após 15 anos de entrega ao clube, o capitão teve até uma despedida nomeada ‘«O adeus do grande capitão». A emoção mostrada no momento da despedida relembra a ligação ao clube e os anos de dedicação, porém não deixa esquecer que a saída de Puyol é forçada pelos problemas físicos que tem mostrado. O defesa catalão afirmara antes que «A ideia é recuperar. Neste ano, pelos problemas físicos, quase não pude jogar e dificilmente poderei jogar no futuro».

Consigo Puyol leva 21 títulos conseguidos pelo Barcelona e uma carreira de 15 anos sempre em boa forma, sempre respeitado pelo talento e pela dedicação ao clube. Com a sua saída forçada aos 36 anos, o jogador frisou que «É um momento muito difícil para mim. Estou muito emocionado. Vivi o sonho de milhões de crianças, sou um privilegiado. Ganhei muitos títulos mas o mais importante é a parte humana que me levou a este clube.»

Na carreira do jogador espanhol não pode ser esquecido o compromisso que sempre teve com a selecção onde levantou a Taça de dois Europeus em 2008 e 2012 e um Mundial em 2012, tendo estado presente num dos melhores momentos da selecção espanhola.

Este é um ano de luto para o futebol mundial, Zanetti, Puyol e Giggs permanecerão como grandes estrelas futebolísticas, abandonaram os relvados e deixarão saudade aos amantes do desporto. 

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