Caminho para o Brasil 2014: Uma Inglaterra de veteranos
Inglaterra procura voltar à fase de todas as decisões.

A Inglaterra chega ao Brasil como sendo uma das selecções de segunda linha de favoritas à vitória final. Para chegar à fase decisiva, os britânicos venceram o grupo H da fase de apuramento, com 22 pontos e destronaram as selecções da Ucrânia, Montenegro, Polónia, Moldávia e San Marino. A equipa orientada por Roy Hodgson tem na experiência o seu maior trunfo, sem esquecer a irreverência de alguns dos seus convocados. Com Gerrad e Lampard a liderarem as hostes, cabe a Wilshere e Chamberlain serem os desequilibradores e os criativos que poderão ser preponderantes para a selecção de terras de Sua Majestade voltar a erguer o troféu que foge há quase meio século.

Um experiente 4x3x3 que impõe respeito

Dos 23 de Roy Hodgson causam estranheza as ausências do avançado Defoe, do médio Carrick de Ashley Cole que, por estar de fora da convocatória final, decidiu renunciar de vez à selecção do seu país. Nas últimas fases finais de europeus e mundiais, a equipa inglesa tem ficado arredada das meias-finais e longe vão os tempos das emblemáticas selecções britânicas que deslumbraram o mundo do futebol. Não sendo uma formação outsider, a Inglaterra está longe de ser uma favorita à vitória final. No entanto, à imagem das equipas inglesas, promete garra, determinação e velocidade, que lhe permite lutar pelo resultado, até ao último minuto.

Para o seleccionador, o sistema táctico preferencial é o habitual 4x3x3, implementado há já muitos anos na selecção britânica. Neste modelo táctico, o guarda-redes habitual é Joe Hart que alinha no Manchester City e, atendendo à sua juventude, poderá ainda evoluir mais, saltando à vista fortes reflexos e elasticidade, que lhe permite dar segurança a um quarteto defensivo que, no seu global, não é muito forte. A lateral direito, Kyle Walker dá garantias defensivas aos britânicos, pelo seu forte posicionamento e poder físico mas não proporciona grande envolvimento no ataque, acabando por ser uma lacuna para o flanco direito inglês.

O central Cahill é, indiscutivelmente, o patrão da defesa e, neste Mundial, quererá dar sequência à boa época realizada no Chelsea e tem como principais características, um óptimo jogo aéreo (bolas defensivas e ofensivas) e uma velocidade atípica para um central. Para acompanhar o defesa do Chelsea no centro da defesa, cabe ao seleccionador analisar quem lhe dará mais garantias e irão disputar o lugar Phil Jagielka e Phil Jones. A lateral esquerdo e com a ausência garantida de Ashley Cole, o titular deverá ser Leighton Banes.

O sector mais forte e carismático do 4x3x3 do técnico é o meio-campo, onde actuam nomes que dispensam qualquer tipo de apresentações como Gerrad ou Lampard. Estes dois centro campistas juntos somam mais de duzentas internacionalizações pela equipa A inglesa e actuam quase de “olhos fechados” no miolo. Com Gerrard um pouco mais recuado no meio-campo defensivo, Lampard ganha alguma liberdade a número 8 para iniciar os processos de ataque que estão automatizados há já muitos anos.

Atendendo ao 1º jogo do Mundial frente à Itália, resta saber qual será o 3º elemento do meio-campo. Sendo um jogo teoricamente muito complicado, o treinador poderá ter tendência a apostar num meio-campo mais cauteloso e defensivo e, aí, a aposta poderá recair sobre Milner, jogador experiente do Manchester City. Para jogos teoricamente mais fáceis e tendo em conta a versatilidade do ataque, Rooney, Welbeck e Sturridge poderão recuar um pouco para alinharem como número 10, uma vez que têm características que lhes permitem jogar a médio ofensivo, a extremo ou a ponta-de-lança, permitindo uma imprevisibilidade táctica que só é possível adquirir dinâmica e equilíbrio, devido ao papel de Gerrad e Lampard, nos equilíbrios da defesa para o ataque.

No ataque Wayne Rooney é o principal goleador e, com a sua velocidade e carisma, poderá ser uma das figuras deste Mundial, acabando por ser uma autêntica seta apontada às defesas contrárias. Os velocistas Welbeck e Sturridge deverão ser os titulares, ficando na sombra o irreverente e criativo, Chamberlain, que poderá causar sensação na competição.

Ddefesa pouco compacta e uma “velhice” que pode comprometer

A selecção inglesa tem, no seu sector defensivo, a maior debilidade que, no futebol actual, cada vez mais táctico e defensivo, poderá, numa competição tão curta, comprometer as aspirações dos britânicos em chegar longe neste Mundial. Perante um grupo que inclui a Itália e o Uruguai, o plano táctico e defensivo terá que ser compacto e equilibrado. Apesar de ter sofrido apenas 4 golos na fase de apuramento, a Inglaterra não enfrentou um rival de primeira linha mundial, não tendo posto à prova as reais capacidades defensivas dos britânicos. Frente à Ucrânia (que está longe de ser uma equipa forte), a Inglaterra não conseguiu vencer os embates na fase de apuramento, terminando com apenas mais um ponto que os ucranianos.

À excepção de Cahill, o sector defensivo deixa muito a desejar e os adeptos ingleses choram ainda as ausências de Terry e Ferdinand que, apesar da sua veterania, poderiam ainda ser decisivos para o último reduto da equipa de Sua Majestade. Perante atacantes de classe mundial como Balotelli (Itália) e Suarez (Uruguai), o papel do meio-campo será redobrado e Gerrard e Lampard terão a função de equilibrar tacticamente as saídas da defesa para o ataque, por forma a não desguarnecer o frágil sector defensivo. Apesar da qualidade destes dois médios, a intensidade que os jogos trarão poderá causar desgaste físico a dois atletas que não são propriamente jovens, trazendo dificuldades acrescidas, caso os britânicos passem a fase de grupos e encontrem selecções ainda mais fortes, como Argentina, Alemanha ou Espanha.

Líder: carisma e classe da lenda de Gerrard

Uma das estrelas mais cintilantes da história do futebol mundial é o mestre Steven Gerrard que, aos 33 anos, é o líder da selecção britânica. Em conjunto com Lampard, equilibra o meio-campo inglês e, com a sua experiência, tem sido um dos ídolos da massa associativa do Liverpool. Na retina fica o meio-campo liderado pelo capitão Gerrard, na campanha que o levou a ser o principal rosto da conquista da Champions de 2005. Ao serviço da selecção de Sua Majestade, o emblemático centro-campista já participou em 109 partidas, tendo marcado 21 tentos (2 na fase de apuramento para o Mundial). O médio tem no sentido posicional e na técnica as suas maiores habilidades, com uma qualidade de passe invejável, que o faz liderar todo o sector do meio-campo, deliciando os ingleses com livres amplamente bem cobrados, sendo um verdadeiro líder na real acepção da palavra.

O ás: o apurado faro do goleador Rooney

O ás britânico é, sem dúvida, o avançado Wayne Rooney, que tem sido uma das figuras da última década, para o lendário Manchester United. O goleador tem sido extraordinariamente decisivo no seu clube e, para quem acompanha o desporto rei, fica na memória a dupla que o inglês compunha com Cristiano Ronaldo, na gloriosa vitória da Liga dos Campeões de 2008 (momento alto da carreira do inglês). Enquanto internacional A por Inglaterra, o jogador alinhou por 89 vezes, tendo balanceado as redes adversárias por 38 ocasiões. No apuramento para este Mundial, o artilheiro foi o melhor marcador, tendo apontado 7 golos. A imprevisibilidade tecnico-táctica permite-lhe jogar em 3 posições no ataque, com maior eficácia a ponta-de-lança, onde imprime toda a sua velocidade e habilidade que, juntamente com um faro feroz para o golo, o tornam um dos principais focos para esta que é a maior competição de selecções do mundo.

Jogador a seguir: o mágico em formação, Chamberlain

A reter como uma das promessas para este mundial, encontramos o extremo criativo e veloz, Alex Oxlade-Chamberlain que surge como um trunfo para o seleccionador. Oriundo das escolas do Arsenal, o ala chega ao Brasil, com vontade de mostrar os seus dribles, as suas fintas, sempre aliados a uma velocidade atroz, que lhe permitem decidir as jogadas, com cruzamentos que chegam muitas vezes com conta, peso e medida aos avançados. Com a camisola da selecção britânica, o jovem de 20 anos, apesar da tenra idade, alinhou por 14 vezes, tendo feito o gosto ao pé por 3 ocasiões.

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