Perfil Brasil 2014: Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo, o Comandante da Armada Portuguesa

CR7, o Comandante, Ronnie. Algumas alcunhas para um só nome que dispensa grandes apresentações. Cristiano Ronaldo atualmente detentor do Ballon D’Or é visto, sem dúvida, como uma das grandes atrações para este Mundial. Com um estilo absolutamente característico, a selecção Portuguesa tem em Ronaldo um capitão que agora, com 29 e já mais maduro pode ser o verdadeiro líder que decide um jogo ou até quem sabe, um Mundial.

Formado nas escolas de Alvalade, o jogador luso ficou pouco tempo na equipa principal dos leões, tendo as suas exibições irreverentes levado o Manchester United a avançar para a sua contratação. Após 5 épocas em Old Trafford, nas quais catapultou o seu jogo para outros níveis, muito graças à figura de Sir Alex Ferguson, Ronaldo seguiu para Madrid, para jogar no Real. Protagonista da ainda mais avultada transferência de sempre da história do futebol e da maior enchente de sempre de um estádio na apresentação de um jogador, o português é agora a grande atração daqueles que passam pelo Santiago Bernabéu aos fins de semana.

Pontos Fortes e Pontos Fracos de CR7

Cristiano tem na velocidade, drible e poder de explosão alguns pontos fortes. No entanto, primam por não ser os únicos num jogador que ao longo dos anos se aprimorou, trabalhou e trabalhou até atingir o seu melhor nível e potênciar todas as suas capacidades. Com o avançar da sua carreira o jogador português trabalhou-se e criou um ciclo goleador que parece não ter fim. Ano após ano os golos surgem, num aumento que se revela quase exponencial. Há 4 anos que Ronaldo marca pelo menos 50 golos numa época. Estamos na presença de um extremo com instinto matador, dotado de um poder de finalização apuradíssimo. Seja de livre, cabeça, meia-distância, em frente ao guarda-redes, com o pé direito ou com pé esquerdo, Ronaldo marca e faz os golos parecerem uma missão fácil quando não o são.

Tem também uma técnica apuradíssima e aprendeu ao longo dos anos a ser um jogador trabalhador e que ao contrário de muitas críticas, joga para a sua equipa. Aliás, as estatísticas apontam para um total de 15 assistências esta época para Ronaldo, superando assim o seu “eterno rival” Lionel Messi que ficou com 14.

Outro ponto forte do jogador, e talvez aquele que também permite que tantos outros pontos sejam evidenciados, é o factor psicológico. Estamos perante um jogador psicológicamente muito forte e cuja preparação mental para as adversidades do jogo e apupos constantes da bancada é enorme. Ronaldo é o tipo de jogador que se motiva com isso e tenta sempre superar-se de modo a combater as adversidades. Esta característica, tão importante em desportistas de alta competição é uma das qualidades que fez com que Ronaldo, mesmo após a morte do seu Pai e também numa fase em que começou a ser procurado pela imprensa e a ganhar quantias avultadas de dinheiro, nunca perdesse o rumo à sua carreira e aos seus objetivos.

A nível de falhas é verdade que é difícil encontrá-las num jogador tão completo como Ronaldo. É uma tarefa árdua, um pouco à imagem do que seria encontrar também pontos fracos em Lionel Messi. No entanto, pode-se considerar o aspeto defensivo um dos pontos fracos do jogador português. Sabe integrar-se no processo defensivo, fechando espaços e consolidando o bloco defensivo das equipas nas quais joga, mas peca por vezes na tentativa de desarme nas quais é mais comum cometer uma falta do que saír com a bola jogável. O outro “weak point” de CR7 pode-se considerar o seu temperamento, algo que mesmo assim, ao longo dos anos sofreu uma enorme melhoria. No início da carreira, Ronaldo era um jogador bastante temperamental, tendo recebido ordem de expulsão algumas vezes, algo que não é muito comum num jogador que se dedica às funções atacantes da partida. Em jogo, Ronaldo tem tendência para se manifestar de forma muito evidente quando não concorda com decisões do juíz da partida, sendo isso algo que lhe vale alguns cartões amarelos por época.

Será Ronaldo dos clubes o mesmo da selecção?

Durante muitos anos se criticou de forma evidente os desempenhos de Cristiano Ronaldo na selecção. O jogador brilhava no seu clube, marcava golo atrás de golos, mas parecia ter uma dívida enorme a saldar com os portugueses.

As dificuldades em chegar ao golo foram muito evidentes por exemplo na época em que Carlos Queiroz comandava a selecção. No entanto, com a chegada de Paulo Bento, Ronaldo parece ter encontrado a sua melhor fase. Decisivo em jogos do apuramento para o Mundial, como por exemplo num complicado jogo diante da Irlanda do Norte no qual marcou um hat-trick, ou no jogo do play-off de acesso frente à Suécia de Ibrahimovic no qual conseguiu também um hat-trick. A verdade é que Ronaldo está já imortalizado nos quadros da selecção por ter conseguido ultrapassar Pedro Pauleta na lista dos melhores marcadores de sempre da selecção. Em 110 jogos, soma já 49 golos, todos eles conseguidos no espaço de 11 anos. Serão assim as críticas que tanto lhe foram feitas, válidas? A pressão recai sempre sobre os grandes jogadores, já a história o provou.

O Ronaldo de Manchester, o Ronaldo de Madrid e o Ronaldo de Portugal foram sempre o mesmo. Apenas uma coisa mudou: os anos passaram, o miúdo tornou-se homem, amadureceu e o aprendiz passou a chefe, é o líder de dez milhões de portugueses que ansiosamente aguardam pelo Mundial.

O Comandante que persegue recordes

No capítulo dos recordes, há de facto uma panóplia deles a destacar. Considerado um dos melhores de sempre, Ronaldo continua ano após ano a bater recordes. Começemos pelo Real Madrid: Butrageño, Pirri, Gento, Sanchéz e Puskas já ficaram para trás. Sim, em apenas 5 anos de Real Madrid, Ronaldo conseguiu suplantar algumas das maiores figuras de sempre da história do Real Madrid e é actualmente o quarto melhor marcador da história do Clube com um total de 252 golos em 246 jogos, com uma média de 1.02 golos por jogo. À sua frente estão agora Santillana, Di Stéfano e Raúl que conta com 323 golos. O Comandante por sua vez, parece não querer abrandar o ritmo e corre sérios riscos de vir a ser o melhor marcador de sempre da história do Real Madrid.

Temos também o Record Champions League: 17 golos foi a marca que CR7 atingiu este ano. Bateu o record de Messi e passou a ser o jogador com mais golos numa edição da competição, da qual curiosamente foi campeão. O seu score total de golos na Champions é de 68 golos, sendo o segundo melhor marcador da história, atrás de Raúl com 71 golos. O internacional português conta ainda, como já referido, com o recorde de melhor marcador da selecção, entre muitos outros.

Palmarés de Luxo

O Palmarés de Ronaldo é digno de Melhor do Mundo. Para além dos inúmeros troféus de melhor jogador jovem ganhos nos seus tempos em Inglaterra, destacam-se uma Liga dos Campeões em 2007/2008 ganha ao serviço do Manchester United e outra ganha este ano ao serviço do Real Madrid, um Mundial de Clubes em 2008 pelo Manchester United, três troféus da Premier League, dois da Community Shield, um da FA CUP, dois troféus da Carling Cup, um troféu de La Liga em 2011/2012, duas Copas del Rey, uma em 2010/2011 e outra em 2013/2014.

Conta ainda com uma Supercopa de Espanha ganha em 2012 e com um gigante leque de troféus individuais, destacando: Ballon d’ Or em e o troféu de melhor jogaodor do Mundo atribuído pela Fifa, três botas de Ouro, uma delas este ano e ainda um FIFA Ballon d’Or, referente à temporada 2012/2013. Com 29 anos, temos assim feita a análise de Ronaldo, uma das atrações do Mundial e um dos jogadores mais temidos pelas defesas adversárias. Estará Cristiano à altura do desafio? Durante o mês de Junho todos os portugueses terão a resposta...

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