Grupo D da morte afinal tinha tanta vida...
Celebração da Costa Rica (Foto: USA Today Sports)

Grupo D da morte afinal tinha tanta vida...

Luis Suárez foi o destaque pela estreita relação com o golo, mas a figura de proa do Grupo D continua a ser a Costa Rica.

rafaelreis
Rafael Reis

Após uma primeira ronda de um Grupo D visto antes do início do Mundial como o grupo da morte e que no seguimento dos seus dois primeiros encontros se tornou ainda mais confuso e competitivo, este interessante agrupamento baralhava e voltar a dar, primeiramente com um Inglaterra - Uruguai e no dia seguinte com um Itália - Costa Rica.

Abria a jornada com um confronto entre ingleses e uruguaios no qual ambos sabiam que não possuíam qualquer margem de manobra pois um desaire poderia mesmo significar a eliminação precoce da competição, partindo a equipa dos Três Leões com uma ligeira vantagem mental que se prendia pelo facto de terem vencido o último confronto entre ambos que no entanto se havia já realizado há oito anos, e de facto foram os ingleses quem entraram melhor.

Depois de ter sido derrotada pela Itália num curioso confronto europeu disputado na Amazónia, a equipa inglesa era liderada por Wayne Rooney, que começou por criar perigo num livre directo aos 10 minutos que acabou por passar junto ao poste de um adversário que pela sua História consiste também num candidato a chegar às fases mais adiantadas.

Após ter sido pressionado, o Uruguai surgiu com uma resposta condizente aos 27 num remate na passada de Edinson Cavani, mas seguidamente os ingleses, dotados de uma equipa composta por muitos jovens de qualidade como o seu ponta-de-lança Danny Sturridge e que ainda deixou várias outras promessas de fora desta competição, voltaram à carga por Rooney volta a estar em evidência ao cabecear à trave.

O ritmo de jogo tornava-se muito elevado, e o golo do Uruguai chegava mesmo aos 39 minutos numa jogada em que Cavani descobriu Suárez, que cabeceou colocado sem hipóteses para Hart e comprovou em campo as próprias palavras que proferiu – «claro que esta equipa do Uruguai sabe o que significa disputar um Mundial no Brasil

Luis Suárez voltou a demonstrar a sua felina predilecção pelas redes adversárias

Sempre com Rooney em destaque num encontro no qual foi claramente a grande figura inglesa, na segunda parte a Inglaterra procurou responder mas só conseguiu de facto fazê-lo no golo da igualdade aos 75 minutos, num lance de esforço levado a cabo por Glen Johnson, que fez a bola atravessar a área até ao omnipresente Rooney, que não perdoou.

No entanto, e talvez movidos pelo espírito do famoso ‘Maracanazo’ que levou à conquista do Mundial de 1950, assistiu-se à melhor reacção possível uruguaia com a obtenção do golo da vitória aos 85 minutos, criado numa frustrada tentativa de corte de Steven Gerrard que acabou por desmarcar o colega de Liverpool… mas não de selecção Suárez, que atirou de forma potente para o fundo das redes.

À beira da eliminação, a Inglaterra tentava, mas sem resultados práticos, contrariar a vantagem conquistada por um Suárez regressado de lesão que reeditava um ataque prolífico com Cavani mas desta feita não com Diego Forlán e assim se confirma a eliminação de uma equipa que em vários períodos dominou a Itália, territorialmente dominou o Uruguai… e que está já eliminada.

Se a Inglaterra prepara já o seu regresso a casa pode devê-lo à ‘madre-surpresa’ deste Mundial, a Costa Rica, que depois de bater o Uruguai surpreendeu desta feita uma Itália que na ronda inaugural foi superior à turma inglesa e assim conquistou não apenas a liderança mas também a passagem aos oitavos-de-final.

Depois de ter visto um penalty não assinalado, a Costa Rica marcou e voltou a surpreender o Mundo

A inoperância ofensiva revelada pela ‘squadra azzurra’ neste encontro poderá fazer levantar as críticas daqueles que gostariam de ter visto Giuseppe Rossi figurar no lote de 23 italianos ou mesmo entre os titulares de um conjunto que contribuiu para um jogo entretido cuja primeira ocasião de golo até coube mesmo ao conjunto europeu num lance criado por Andrea Pirlo, que desmarcou Mario Balotelli para que este se isolasse e picasse a bola sobre Keylor Navas, para no entanto o remate sair ligeiramente desviado.

Dotada de vários jogadores oriundos de Ligas menos acompanhadas como a dinamarquesa, sueca ou norueguesa, a Costa Rica respondia com tentativas de meia distância com destaque para uma tentativa frouxa de Bryan Ruiz, começando a dar cor à surpesa.

O primeiro disparo de Ruiz antecedia a inauguração do marcador que haveria de contar com o cunho pessoal do defensor italiano Giorgio Chiellini, que primeiramente carrega o atacante costa-riquenho Joel Campbell num lance que deveria ter sancionado uma grande penalidade, e poucos minutos depois se ‘esquece’ de acompanhar Bryan Ruiz, que atirou o esférico ao travessão antes de este transpor a linha final.

Estava aberto o marcador e voltavam a ser contrariadas as expectativas de praticamente todos os comentadores e analistas, até porque estavam criadas as condições para uma prestação confortável para a equipa centro-americana que no decorrer da segunda parte fazia o seu sistema defensivo variar entre três e quatro unidades dependendo da situação, confundindo quase por completo os atacantes adversários.

A Costa Rica continuava a defender bem e para cúmulo italiano soube utilizar da melhor forma o seu banco de suplentes, refrescando a equipa e acima de tudo o seu herói neste encontro, Ruiz, que nos minutos finais foi rendido por um também activo Randall Brennes que ajudou a segurar um tão importante quanto histórico triunfo.

 

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