Raio-x: a 'zebra' Chile

Raio-x: a 'zebra' Chile

Apesar de também denotar algumas debilidades, o Chile tem sido uma das grandes sensações deste Mundial.

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Rafael Reis

Quando estão para já decorridas as duas primeiras jornadas do Mundial, duas das equipas apuradas para os oitavos-de-final com duas vitórias no mesmo número de partidas não fariam certamente parte dos planos de grande parte dos especialistas – a Costa Rica o Chile.

No caso desta segunda equipa, o caso torna-se ainda mais flagrante quando se constata que no seu agrupamento, o Grupo B, se encontrava a campeã do Mundo em título, a Espanha, o que não atemorizou minimamente o conjunto chileno, que venceu ‘nuestros hermanos’ e discutirá agora com a Holanda o posto de vencedor do grupo.

Vítórias sobre Austrália e Espanha confirmam qualidade

Se pela qualificação se poderia apontar muita capacidade a este conjunto chileno, os dois jogos até ao momento realizados neste Mundial retiram todas e quaisquer dúvidas, bastando para tal analisar com alguma atenção os confrontos ante Austrália e Espanha que garantiram uma qualificação ‘sem espinhas’, de alguma forma surpreendente tendo em conta a valia das equipas presentes no argumento.

Terá curiosamente residido no encontro ante os ‘socceroos’ o melhor Chile até ao momento, tendo nessa partida o conjunto sul-americano mostrado ser capaz de criar enormes dificuldades aos ainda campeões do Mundo que dias depois acabaram por se revelar mesmo inultrapassáveis com um futebol ardiloso e muito intenso, entre o melhor que tem sido visto neste certame.

Falta de centímetros na defesa poderá ser factor preocupante

No entanto, e apesar da grande valia até ao momento demonstrada, o Chile encontra-se longe de ser uma equipa perfeita, possuindo algumas debilidades que poderão ser exploradas pela Holanda no encontro que definirá o vencedor do Grupo B, sem esquecer o adversário que a equipa ‘roja’ vier a defrontar nos oitavos-de-final.

Poderá verificar-se que o principal problema se encontrará no centro da defesa, composto por futebolistas aguerridos, sim, mas sem condições físicas para desempenhar a função da forma mais adequada, destacando-se o caso de um dos futebolistas que tem evoluído na posição, Gary Medel, um futebolista pressionante e raçudo que no entanto apenas mede 1,72 metros e por isso será facilmente ultrapassável no jogo aéreo, como o comprovou o australiano Tim Cahill.

Para além da ausência de centímetros na defesa, descobre-se também alguma limitação nas opções para a frente de ataque, nomeadamente para o eixo, onde Eduardo Vargas parece necessitar de uma alternativa superior a Mauricio Pinilla, surgindo no futuro algumas possíveis opções capazes de criar concorrência como os jovens Diego Rubio, ainda ligado ao Sporting, ou Nicolas Castillo, goleador do Club Brugge.

O Líder: Eduardo Vargas 

Tem sido o homem-golo desta equipa, mas acima de tudo lidera um grupo de atletas de notória capacidade técnica e grande espírito de luta que utiliza essas capacidades para obter golos com grande facilidade, um aspecto que aliás tem feito de Vargas um dos grandes destaques deste Mundial.

A capacidade goleadora é uma das suas especialidades, ou não tivesse apresentado uma arrepiante frieza em momentos determinantes como o golo marcado à Espanha, no qual teve astúcia para ‘sentar’ Iker Casillas e ainda atirar ‘de bico’ num gesto complicado para o fundo das redes.

O Ás: Jorge Valdivia 

Se tivesse uma superior capacidade de trabalho e um feitio menos complicado, certamente este médio ofensivo teria sido um verdadeiro caso sério na Europa. Mesmo que este espaço pudesse ter cabido a Alexis Sanchez, Valdivia acaba por merecê-lo pela magia que traz nos pés e a criatividade que pode tornar mais fácil qualquer jogo como de resto o conseguiu fazer perante a Austrália ao apontar um grande golo que ajudou ao primeiro triunfo neste Mundial.

A não perder: Charles Aranguiz 

Será com toda a certeza a grande revelação desta equipa, uma vez que seria dos menos conhecidos no onze titular chileno pelo facto de não actuar, nem nunca o ter feito, na Europa, onde chegará já na próxima época por via da Udinese, que continua a explorar como poucos os talentos que surgem no mercado sul-americano.

É o que claramente sucede com este médio centro bastante versátil que constituiu o grande destaque da partida perante a Espanha com a assistência para o primeiro golo e a obtenção do segundo e último tento da noite. Face ao que mostra neste Mundial, o futebol europeu espera-o com curiosidade.

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