Stefano Domenicalli quebra o silêncio
Stefano Domenicalli reaparece em público três meses depois de sair da Ferrari (Foto: EPA).

Stefano Domenicalli quebra o silêncio

O ex-diretor desportivo da Ferrari, Stefano Domenicalli, quebrou ontem o silêncio ao falar numa conferência da FIA em Munique sobre o futuro da Fórmula 1.

Speeder76
Paulo Alexandre Teixeira

Três meses depois de ter saido do cargo de diretor-desportivo da Ferrari, Stefano Domenicalli apareceu ontem em Munique, como orador de uma conferência da FIA, onde falou sobre o futuro da Formula 1 e da capacidade de atrair os mais jovens para a modalidade.

Domínio da Mercedes esperado

Sobre a atual temporada, Domenicalli diz que o domínio da Mercedes era esperado, e como o congelamento do desenvolvimento dos motores irá fazer com que este domínio possa continuar por mais algum tempo: «Era claro que as equipas que no início começaram fortes, iriam manter a vantagem ao longo da temporada porque deram um passo grande. A Mercedes tem feito um grande trabalho e vão manter esta vantagem muito tempo», começou por afirmar Domenicalli, que em Abril se demitiu da liderança da Ferrari. «Reduzir a diferença numa altura em que os regulamentos estão mais ou menos congelados é muito difícil.», continuou, antes de deixar um alerta sobre as consequências de tal dominio:

«[Espero que] as restantes equipas sejam capazes de reduzir alguma diferença em breve, porque a esta altura precisamos de ter corridas que sejam atraentes. Se perdermos a paixão, isso não será bom.», concluiu o responsável de 49 anos, nascido em Ímola.

Aproximar os adeptos da modalidade

«Os jovens têm de estar ligados ao desporto pela tecnologia. Têm de estar envolvidos. Há jovens que querem ser pilotos estando ligados – é tornar o desporto parte deles mesmos. Para os que querem estar envolvidos com os pilotos, isso tem de ser acessível, de outro modo é impossível. Existe aqui uma dicotomia. A nova tecnologia no início é cara. Precisamos de encontrar um equilíbrio. Se formos muito agressivos nas novas tecnologias, corremos o risco de perder a paixão pelo desporto motorizado. Precisamos de um cuidadoso equilíbrio», afirmou também o italiano.

Para além disso, afirmou que a Fórmula 1 necessita de atrair todos aqueles que são «puramente fãs de desporto e que querem desafiar o profissional ou o piloto através de jogos ou experiências interactivas. Uma coisa que aprendi no mercado americano, nas diferentes disciplinas, é que os fãs querem constituir um desafio para o jogador mais importante de basquetebol ou outra qualquer modalidade. Os fãs querem ser os protagonistas. Se pudermos fornecer isso, isso ajuda toda a nossa acção para estarmos ligados aos adeptos.»

E, para isso, Domenicalli diz necessário que todos os agentes se reúnam para chegar a um consenso: «Temos que falar sobre uma base incrivelmente grande, que vai desde os detentores de direitos, equipas, construtores e adeptos, por isso seria errado dizer que existe apenas uma coisa a fazer – seria apenas olhar para uma parte de todo o bolo que é o desporto motorizado.»

Já em relação aos seus próprios planos, Domenicalli não quis abrir o jogo, embora admita que tenha recebido algumas propostas interessantes: «Depois de 23 anos de trabalho ininterrupto, achei que era uma grande altura para estar mais tempo com a família. E está a ser um bom momento!», confessou.

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