Tango - antídoto sul-americano
Tango vs antídoto sul-americano

Tango - antídoto sul-americano

A Argentina parte para o desafio dos oitavos-de-final perante a Suíça com algum favoritismo, restando saber se estará à altura para corresponder às expectativas.

rafaelreis
Rafael Reis

Talvez algo ‘tapado’ por confrontos vistos com maior interesse por parte da crítica, a ronda válida pelos oitavos-de-final entre Argentina e Suíça será, na teoria, uma das partidas mais interessantes a nível estético acima de tudo por colocar em confronto dois estilos bem distintos que parecem encaixar na perfeição e assim poderem eventualmente garantir o melhor espectáculo possível.

Boa postura defensiva perante o contra-ataque

Se aos argentinos é atribuído um natural favoritismo, por outro lado o conjunto europeu mantém intactas as suas hipóteses até por apresentar a seu favor o ‘factor treinador’ e a maior experiência em grandes jogos com Ottmar Hitzfeld, bem mais do que Alejandro Sabella pela Argentina.

Para acentuar ainda mais essa ideia, a ‘velha raposa’ Hitzfeld possui já neste Mundial uma bem-sucedida experiência frente a adversários provenientes da América do Sul, caso da vitória conseguida sobre o Equador na estreia da equipa suíça nesta competição, sendo que na véspera desse encontro o técnico helvético destacava que “o principal ponto forte do Equador é o contra-ataque.”

Neste desafio em particular é provável que assim não seja, uma vez que a Argentina é exímia a jogar em posse. De qualquer forma, e ao possuir vários praticantes dotados de muita velocidade e capacidade de jogar em progressão, poderá ser importante para a Suíça colocar em prática a preparação para o contragolpe que tão bons resultados acabou por ter ante os equatorianos.

Por outro lado, não deve esquecer-se que essa foi apenas a primeira vitória da Suíça sobre um oponente sul-americano em encontros oficiais, um dado que comprova que a equipa não se sente mentalmente diminuída perante dados históricos adversários, mas não será menos verdade verificar que os resultados obtidos na fase de grupos reflectem que os suíços apenas venceram os encontros para os quais partiam com algum favoritismo, como sucedeu ante Equador e Honduras.

Escassez de flanqueadores poderá vir a tornar-se um problema

Não será esse o caso, visto que pela qualidade dos seus intervenientes a responsabilidade encontra-se bem mais sobre os ombros dos ‘alvicelestes’, que ainda assim em alguns momentos da fase de grupos nem sempre se mostraram plenamente confortáveis com esse estatuto, vide o desafio que os colocou perante o modesto Irão cuja previsão apontava para que uma vitória por dois ou três tentos de diferença fosse vista como algo natural, o que acabou por não se confirmar.


Contra todas as expectativas, a Argentina assegurou em esforço o triunfo com aquela que há muito é, e continuará a ser, a sua grande arma, o temido Lionel Messi, cujas exibições na frente de ataque argentina tornam qualquer sonho ou objectivo argentino possível – caso persistam as demonstrações de qualidade de La Pulga neste Mundial, o conjunto das pampas poderá mesmo regressar aos grandes títulos.

No entanto, e apesar do elevado número de estrelas no seu contingente, a equipa argentina revela ainda assim algumas debilidades que podem criar alguns momentos de dificuldade em situações de maior aperto – quem sabe na eliminatória ante a Suíça – e que se prende com a escassa quantidade de extremos puros para oferecer a Messi o maior apoio possível a partir dos flancos, o que evitaria que este ficasse demasiadamente exposto à marcação adversária.

Tem sido a qualidade dos atletas escolhidos a ‘escudar’ um pouco essa limitação, mas um olhar atento torna essa situação mais notória, bastando constatar que nos últimos encontros esses lugares têm sido ocupados por jogadores como Kun Aguero, que para cúmulo se lesionou, ou Ezequiel Lavezzi, que têm como maior arma a exploração de terrenos mais interiores.

De resto, e para além de Ángel Di Maria, que a partir desta época passou tanto no Real Madrid como na própria selecção a aproveitar mais a sua dinâmica pelo centro, não existe entre os 23 argentinos um único extremo ‘dos pés à cabeça’.

Podem adaptar-se a esse posto não só os já referidos Aguero e Lavezzi, e em alternativa outros futebolistas cuja utilização deriva do escasso até ao inexistente, começando pelos veteranos Maxi Rodríguez e Rodrigo Palacio, que para já actuaram 46 e 13 minutos respectivamente, passando pelo criativo Ricky Alvarez, que conta 27 minutos de utilização, terminando no benfiquista Enzo Perez e Augusto Fernandez, que ainda aguardam a sua estreia no Mundial.

Para lá destas hipóteses apenas ‘sobra’ Messi. Alguém acredita que Sabella retiraria da sua posição natural aquele que se destaca claramente como estrela da equipa e uma das figuras do futebol mundial? Precisamente, a resposta elucida que as estrelas argentinas são muitas, mas o seu jogo flanqueado é altamente reduzido. Poderá a Suíça capitalizar essa lacuna?

Onzes prováveis

 

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