Meias da afirmação definitiva
Argentina, Alemanha, Holanda e Brasil lutam por lugares na final

Meias da afirmação definitiva

Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda discutem dois lugares na final sem estarem a deixar para já uma imagem de 'futebol espectáculo.'

rafaelreis
Rafael Reis

Chegadas as meias-finais do Mundial 2014, chegou então a fase que mais agrada e maior expectativa suscita junto dos adeptos e apreciadores da modalidade, uma vez que neste momento se conhecem as grandes decisões e apenas competem as melhores e mais preparadas equipas entre as 32 que iniciaram a competição.

No entanto, é também indiscutível e de concordância geral que cada uma das selecções apuradas, Alemanha, Brasil, Argentina e Holanda, não juntam ao poderio e consistência demonstrados a espectactularidade que os seus adeptos certamente esperavam, e por essa razão terão na semifinal uma oportunidade de não só atingir o seu principal objectivo, o apuramento para o derradeiro encontro no Maracanã como também de subir o nível exibicional nas alturas mais exigentes.

Comecemos pela equipa anfitriã, o Brasil, que como principal ponto favorável terá a sedimentada liderança produzida por Luiz Felipe Scolari e a sua equipa técnica na qual «tenho de destacar o Murtosa, que tem sido uma grande ajuda,» como confessou recentemente em entrevista.

No entanto, bastará perguntar ao comum adepto brasileiro qual o seu ‘feedback’ em relação ao nível exibicional da equipa e depressa se perceberá que muito poucos serão aqueles que se sentem realizados com a mesmas, o que se compreende pelo estilo demasiadamente sofredor, pouco espectacular e até mesmo agressivo tendo como termo de comparação as anteriores equipas de sucesso que a ‘amarelinha’ tem dado a conhecer ao longo dos anos.

Meia-final entre Brasil e Alemanha deverá trazer um confronto baseado em força e resistência

A separar o Brasil da tão ambicionada final em sua casa encontra-se a sempre poderosa Alemanha, o sexto dos «sete degraus» também mencionados por Felipão, e provavelmente o mais alto e difícil de transpor face à profundidade de plantel e imensas opções que tem à sua disposição e pela cadência com que leva a cabo o seu jogo, mas também sem impressionar o público.

Aqui se coloca uma questão interessante, a praticar este futebol pouco criativo e de combatividade em demasia, dificilmente o Brasil chegará ao tão esperado hexa. No entanto, quem procura futebol espectáculo não deverá procurá-lo na turma germânica, pelo que será bem possível uma batalha táctica de encaixe físico, posicional e técnico já nesta terça-feira. Um duelo de nervos e muita força, onde se espera que Ozil pegue na batuta da melodia germânica.

Na segunda meia-final o problema é semelhante, e desde cedo foi descortinado pela Holanda ou não tivesse uma das suas maiores figuras, o veloz Arjen Robben, afirmando ainda antes do início da prova que «tudo é possível no futebol mas tratando-se do Mundial não me parece que a Holanda seja candidata ao título.»

Argentina - Holanda dependerá da inspiração de estrelas como Messi, que ocultam falta de ideias

Analisando as prestações da Orange, estas poderão ser contextualizadas nas mais recentes partidas nas quais salta claramente à vista que a pressão relacionada com o favoritismo tem minado a qualidade do futebol que tanto havia impressionado na fase de grupos e ao mesmo tempo aumentado as dificuldades perante o México nos oitavos-de-final, com o apuramento a ser garantido numa reviravolta operada nos minutos finais, e contra a Costa Rica nos ‘quartos’ numa dramática vitória após grandes penalidades. Robben tem sido, indiscutivelmente, o motor de explosão da formação laranja.

Para defrontar os holandeses surge a também sempre favorita Argentina que mais do que nunca conta com o apoio de Lionel Messi, craque que finalmente parece ter ultrapassado em definitivo as críticas que lhe eram constantemente dirigidas pela imprensa do seu país e a excessiva pressão dos seus compatriotas, mas que em solitário não consegue colmatar todas as fragilidades.

No caso da ‘celeste’, a falta de regularidade no seu futebol é facilmente explicável pela divisão clara entre um sector adiantado composto por ‘mágicos’ e uma defesa estática e de reduzido envolvimento ofensivo muito por culpa de um meio-campo incapaz de realizar da melhor forma a transição.

De qualquer forma, e para motivação argentina, denotam-se também melhorias a cada encontro, passando-se de prestações perto do medíocre, embora com vitórias, contra Bósnia e Herzegovina e Irão para um crescimento sustentado nas exibições contra Nigéria e Suíça.

Ainda assim, ambas as vitórias foram conquistadas com algum sofrimento, e acima de tudo deve valorizar-se o comportamento colectivo da equipa na última partida perante a Bélgica. Má notícia para a Holanda, e ver-se-á se tal significa boas notícias para os apreciadores de futebol, que anseiam pelo entretenimento e equilíbrio nos quais este Mundial tem sido pródigo.

As estatísticas dos competidores

Abaixo vislumbramos algumas das estatísticas mais importantes referentes às quatro selecções em prova, num quadro comparativo que revela, além dos golos marcados e sofridos, o total de remates efectuados, os erros defensivos e a posse de bola. A Holanda é a mais goleadora e com maior índice de eficácia (12 golos resultantes de 74 tiros); por seu turno, a Argentina é a mais rematadora mas aquela que apresenta menor «score», com apenas 8 golos. De sublinhar a qualidade da posse de bola alemã, bem superior às adversárias.

VAVEL Logo
CHAT