O mundo sonhou ou o pesadelo da Copa foi mesmo verdadeiro?
Tristeza brasileira (Foto: Ueslei Marcelino /Reuters)

O mundo sonhou ou o pesadelo da Copa foi mesmo verdadeiro?

A Copa do Mundo 2014 acabou em pesadelo para o escrete. Uma histórica e incrível goleada imposta pela Alemanha vergou os brasileiros a uma humilhação que promete fingir-se eterna. Sete bolas no saco, muitas lágrimas e uma frustração inacreditável. O povo brasileiro volta agora a acordar para a dura realidade que, mais que desportiva, é social...

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O Brasil em uníssono protestou, fez greves e sacudiu o país, na esperança de se fazer ouvir: contra os milhões dispendidos na Copa e a favor de políticas governamentais equitativas, sociais e justas. Começada a competição, a revolta amainou e o país do futebol fez tréguas com o golo. Depois da hecatombe de ontem à noite, o povo brasileiro voltou a mergulhar na dura realidade nacional, que nem o  escrete foi capaz de mascarar...

A memorável derrota contra a Alemanha, por inéditos 7-1, deitou por terra as aspirações de vencer a Copa, amachucando o sonho do «hexa» sem qualquer dó ou piedade: sete golos plenos de humilhação desportiva acordaram os brasileiros do sonho, elucidando-lhes a árdua realidade que sobra, e que, melhor que ninguém, eles conhecem: pobreza generalizada, assimetrias descomunais, corrupção e sub-desenvolvimento - uma derrota social que o país, progressivamente mais desperto, tenta corrigir manifestando-se.

Numa Copa que poucos queriam e que muito dinheiro custou aos cofres do Estado brasileiro, nem o samba dos golos canarinhos foi capaz de contentar os adeptos, que esperavam erguer o troféu, retirando do evento algum tipo de regozijo que mitigasse a onerosa odisseia Mundial realizada na sua nação. Assim não foi: Neymar fora de combate, Thiago Silva suspenso, e, em pleno gramado do Mineirão, quatro golos em seis minutos - o mundo sonhou ou o pesadelo desportivo da Copa aconteceu mesmo?

Sim, aconteceu. A Mannschaft esmigalhou a selecção brasileira, alinhando golos como quem goleia uma formação de amadores desbaratados. Há 94 anos que o Brasil não perdia por seis golos de diferença. Nas bancadas, como no resto do país, havia quem chorasse compulsivamente, tão incrédulo quanto chocado. Dentro das quatro linhas o desnorte era total. Trágica derrota na primeira parte com 45 minutos da segunda para digerir a catástrofe desportiva: nem o Brasil nem o mundo esperavam uma queda de tamanhas proporções...

Uma vez findo o sonho da Copa, resta a luta social que o povo deve continuar a materializar nas ruas do seu país, esquecendo empates e exigindo vitórias no campo da justa distribuição de rendimentos, no combate contra a corrupção, na radicação da pobreza extrema e na construção de um Estado social capaz de coadjuvar os seus contribuintes no progresso educacional, cultural, económico, na Saúde, na Justiça e nos Transportes.

Resta então ao Brasil sacudir-se do total pesadelo da Copa e reerguer-se no activismo que o tem caracterizado, mantendo em mente que muitas vitórias esperam ser jogadas no campo de um país feito de desigualdades gritantes, favelas, criminalidade elevada, fome e lágrimas, não de goleadas desportivas mas de oportunidades estilhaçadas. Porque no verdadeiro Brasil pobre da Copa, o país já entrou vergado antes da competição começar - afinal, quanto custará (não em reais mas em futuros) ao povo este pesadelo Mundial?

 

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